Entrevistas

Paramore, Deftones, Trilha sonora The Runaways, Entrevista EXCLUSIVA Jai Al-Attas (Documentário “1994″)

04 Mar/10 10 comentários | Arquivado em Entrevistas, Notícias, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Paramore

A Fueled By Ramen e o Paramore estão lançando um kit de vinil que contém o último disco da banda, “brand new eyes” em LP de 140 gramas, com apenas 5000 cópias feitas no mundo todo e o single de “Brick By Boring Brick” em um Picture Disc que contém uma imagem do encarte do disco no Lado A e uma imagem com a letra da música escrita pelas mãos da própria vocalista Hayley Williams no Lado B.

Para encontrar o kit o link é esse aqui.


Deftones

O Deftones liberou a track listing do seu novo disco, “Diamond Eyes”, que sai no dia 18 de Maio. Dá uma olhada:

Royal
Diamond Eyes
You’ve Seen the Butcher
CMND/CTRL
Beauty School
Prince
Rocket Skates
Sextape
Risk
976-EVIL
This Place Is Death

Os viciados em LOST devem ficar emocionados com  “This Place Is Death”, já que esse é o nome de um episódio da quinta temporada da série.

O que ainda não saiu foi a capa do disco, mas assim que estivermos com ela, a postaremos aqui.


Trilha Sonora The Runaways

Outra tracklisting divulgada foi a da trilha sonora do filme que retrata a história de uma das primeiras e mais importantes bandas femininas de rock, o The Runaways.
O filme ganhou ares de super-produção, e não ficou pra trás ao escalar os artistas para a trilha sonora. Dá uma olhada:

“Roxy Roller” – Nick Gilder
“The Wild One” – Suzi Quatro
“It’s A Man’s Man’s Man’s World” – MC5
“Rebel Rebel” – David Bowie
“Cherry Bomb” – Dakota Fanning
“Hollywood” – The Runaways
“California Paradise” – Dakota Fanning
“You Drive Me Wild” – The Runaways
“Queens Of Noise” – Dakota Fanning & Kristen Stewart
“Dead End Justice” – Kristen Stewart & Dakota Fanning
“I Wanna Be Your Dog” – The Stooges
“I Wanna Be Where The Boys Are (Live)” – The Runaways
“Pretty Vacant” – Sex Pistols
“Don’t Abuse Me” – Joan Jett

O disco sai em CD e formato digital no dia 23 de Março. Não encontrei uma versão em vinil, mas qualquer novidade será postada por aqui!

Entrevista com Jai Al-Attas

(fonte da foto: billsilvaentertainment.com)

Imagine-se cara a cara com um de seus ídolos, entrevistando-o. Agora imagine-se na frente de todos os seus ídolos, entrevistando-os e gravando um documentário sobre uma das épocas mais marcantes música: o punk rock dos anos 90.
Se você não consegue imaginar tal feito, o australiano Jai Al-Attas imaginou-se nesse contexto e em 2006 saiu de Sidney e foi para Los Angeles realizar esta façanha. “- O resultado disso?” “- O documentário One Nine Nine Four!”

Em 1994, morreu aquele que fez com que cena musical underground fosse posta no mainstream: Kurt Cobain. Com sua morte, o grunge se foi e o punk rock passou a ser o estilo musical presente no cenário daquela época. No mesmo ano, um trio, não muito conhecido, do norte da Califórnia chamado Green Day lançara o disco “Dookie”, alcançando mais de 19 milhões de cópias vendidas. Ainda na mesma época, o Offspring lançou o “Smash”, disco que alcançou o status de maior vendagem de um selo independente, o Epitaph.

Fat Mike (NOFX), Tim Armstrong (Rancid), Billie Joe (Green Day), Mark Hoppus (Blink-182), Tom DeLonge (Blink-182), Greg Graffin (Bad Religion), Dexter Holland (The Offspring), Kevin Lyman (Warped Tour) foram algumas das pessoas com quem Jai pode conversar e extrair informações preciosas dessa época tão movimentada na música que era feita nos Estados Unidos.

E quem melhor para narrar toda essa história? Tony Hawk, a maior lenda viva do skate mundial.
One Nine Nine Four descreve como o punk rock dos anos 90, oriundo da obscura cena de meados dos anos 80, ressurgiu na costa leste dos Estados Unidos agregando o movimento do surf e skate do Sul da Califórnia que culminou no início de um dos principais eventos da música alternativa independente que dura até hoje: a Warped Tour.

Jai Al-Attas conversou quase duas horas conosco do TenhoMaisDiscosQueAmigos.com e com Bruno Bld e Colombia182 do Action182.com, e falou sobre como surgiu a idéia de fazer este documentário, sobre a experiência de participar de algo que influenciou sua vida pessoal e profissional, de estar cara a cara com seus principais ídolos e sobre as dificuldades de realizar um projeto como este.
Falou ainda sobre o mundo da música atual, sobre Green Day, Blink-182, NOFX, Lagwagon, sobre o mercado discos de vinil, entre tantas outras coisas.
Confira abaixo a primeira parte dessa entrevista exclusiva com o cara!

A segunda parte já está no ar, aqui no Action182, é só clicar!

MUITO legal, não perca:


Colombia-ACTION182:
Como você teve a ideia de fazer o “One Nine Nine Four” e qual é o seu maior objetivo?
Jai: A ideia para o filme veio quando eu assisti “Dogtown and Z Boys” (documentário de skate) um dia. Eu achei que era o documentário mais legal que eu já tinha visto e ele me inspirou a querer fazer meu próprio filme. Quando eu comecei a pensar em assuntos que eu tinha paixão, o punk rock dos anos 90 instantaneamente surgiu na minha cabeça, aí eu pensei “espera um pouco, ninguém fez um filme se concentrando nessa era da música”. Então eu basicamente escrevi um rascunho e decidi que se ninguém havia feito, eu teria que fazê-lo por conta própria. O principal objetivo do filme é basciamente contar a história desses artistas e de como eles saíram de relativa obscuridade para se tornar a linha de frente da música mainstream mundial, e o que significou pra cada um deles, e quais tendências foram fatores decisivos para que isso acontecesse numa escala tão larga como aconteceu com eles.

Bruno-ACTION182: Lendo sobre o documentário em suas fontes oficiais, a gente viu que você cresceu ouvindo várias das bandas que acabou entrevistando. Como você se sentiu estando cara a cara com seus ídolos e os tendo como parte do projeto?
Jai: É, foi muito legal, sabe. Há uma regra geral que você nunca deveria conhecer seus herois porque você só irá se desapontar, mas isso não aconteceu comigo. Todo mundo que a gente entrevistou foi super legal com a gente, e nos levou a sério, mesmo que nós fossemos apenas “crianças” da Austrália que eram bebês quando a maioria das bandas deles haviam começado. No começo eu fiquei um pouco intimidado, eu acho, mas depois das primeiras entrevistas eu fiquei bem à vontade com o fato e tentei fazer meu trabalho da melhor maneira possível.

Tony-TMDQA!: Que legal! Ficar desapontado com seus ídolos deve ser muito ruim.
Jai: Não aconteceu comigo ainda, bate na madeira.

Tony-TMDQA!: Como você conseguiu trazer tantas pessoas importantes para o mesmo filme? Todas elas aceitaram quando você os convidou pela primeira vez ou alguém recusou a ideia de fazer parte do projeto?
Jai: Levou um tempo, na verdade. Primeiro a gente tinha 2 pessoas dizendo que fariam, e todas as bandas grandes tipo os Green Days da vida não respondiam nossas ligações. Perceba que a gente estava ligando pra eles direto. Mas como a coisa foi evoluindo, a gente construiu essa energia onde a gente conseguiu entrevistar tipo o Joey Cape (Lagwagon) e ele dizia “porra, vocês já falaram com o Fat Mike (NOFX)?” e eu disse que não, e aí ele nos colocou em contato com o Fat Mike. Então a gente continuou tocando desse jeito, e eventualmente 3 meses depois todo mundo estava a bordo menos o Billie Joe do Green Day. A gente já havia aceitado o fato de que não conseguiria ele e voltou pra Austrália. No dia que eu cheguei na Austrália, o empresário deles Pat, que hoje em dia é um grande amigo meu me mandou um e-mail dizendo “Ah, sim, o Billie quer fazer a entrevista agora”. Mas isso acabou sendo atrasado ou deixado de lado, aí 6 meses depois eu estava em Los Angeles por outros motivos e mostrei ao Pat um trailer que a gente tinha feito sem o Billie. Ele ligou pro Billie falando tipo “você TEM que fazer isso”. Uma semana depois a gente estava no estúdio do Green Day entrevistando o Billie Joe e essa foi a última entrevista que fizemos para o filme. Estávamos muito empolgados.


Colombia-ACTION182: Então os artistas que se envolveram com o projeto aceitaram fazê-lo de primeira?
Jai: Ah sim, basicamente sim.A gente ficou 3 meses em Los Angeles, mas sempre com pressa. A gente teve que ir a Maui para entrevistar Dexter Holland (Offspring). Foi muito legal, mas o Havaí é caro, cara..

Bruno-ACTION182: Continuando no assunto, qual é a parte mais difícil de fazer um documentário tão grande, com tanta gente importante envolvida?
Jai: Tentar fazer o correto com cada uma delas e fazer com que as suas histórias fiquem coesas. Algumas pessoas têm opiniões diferentes em certos assuntos, e como um diretor de filmes você está tentando contar uma certa estória mas por outro lado você não quer tirar os créditos dos envolvidos. O lance é encontrar o balanço perfeito entre tantas personalidades. Dinheiro foi difícil também, a produção foi barata, mas a pós-produção é muito cara.

Tony-TMDQA!: Como você arrecadou fundos para o documentário? Você teve ajuda de alguma empresa privada ou uma pessoa em específico?
Jai: Nenhuma empresa se envolveu. Meu produtor Matt Wardle tem laços no mundo financeiro e pessoas com dinheiro, e ele conseguiu arrecadar os fundos iniciais que a gente precisava pra ir até lá e gravar. Aí eu consegui arrecadar mais um pouco com pessoas que eu conhecia para começar a fase de pós-produção. E agora a gente está tentando arrecadar mais ainda pra pagar por direitos musicas e terminar isso… finalmente.

Bruno-ACTION182: Essa seria nossa próxima pergunta. A gente leu sobre alguns leilões e outros tipos de ações que você está fazendo para arrecadar fundos e terminar o documentário. Que tipos de problema você tem engrentado e como essas ações têm funcionado até agora? Jai: É basicamente a música. Ninguém (distribuidores) vai tocar seu filme até que tudo esteja “limpo” e se tratando de um documentário musical, isso pode se tornar bem caro.
Bruno-ACTION182: São os royalties?
Jai: Sim, exatamente. Mas é mais pras gravadoras e editores (publishers). São eles que ficam com a grana. E porque ninguém mais compra CDs e o modelo de negócio deles está falhando, eles procuram outras fontes de renda que infelizmente para mim e outros diretores de documentários se resume a licenciamento de músicas. Eles não vêem como um filme histórico sobre o legado que seus artistas fazem parte, eles apenas vêem como um dia de pagamento que vai manter as luzes no seu prédio ligadas um pouquinho mais.

Tony-TMDQA!: Isso é muito ruim. A gente ia te perguntar outras coisas, mas como o assunto veio à tona, vou mudar um pouco. Eu tava lendo no encarte da “Wrecktrospective” (coletânea da história da gravadora Fat Wreck Chords) que desde 2005, quando baixar MP3 virou algo natural, a Fat Wreck começou a ter problemas com dinheiro e teve que cortar gastos. O que você acha desse novo modelo musical, com as MP3 e outros tipos de lançamento digital? Jai: Eu acho que o modelo antigo está morrendo muito rapidamente, se é que já não está morto. Eu acho que as pessoas têm tanto acesso à música hoje em dia, e de graça, que o lance agora é tratar o consumidor de forma igualitária, ao invés de trazê-los pra baixo toda hora. As pessoas ainda querem ajudar os artistas, mas é necessário mais incentivo agora para fazê-lo porque o poder está nas mãos do consumidor. A indústria de discos pode estar morrendo mas a música definitivamente não está. Obviamente mais pessoas estão ouvindo música porque agora é mais acessível.

Bruno-ACTION182: Você acredita na venda de MP3 online? Porque aqui no Brasil isso está andando muito devagar…
Jai: Sim, eu acredito que é bacana e você sabe que as pessoas as estão comprando mais do que músicas sozinhas. Não vai preencher o buraco da quantidade que os CDs vendiam porque as gravadoras tinham margens de lucro gigantescas com eles. Mas se você é esperto ainda há maneiras de fazer dinheiro explorando música, enquanto haja respeito mútuo entre o dono e o consumidor.

Tony-TMDQA!: E você acha que discos de vinil podem preencher o buraco deixado pela falta de um formato físico, inerente aos arquivos MP3?
Jai: Eu acho que o vinil está voltando em uma espécie de nicho pós-moderno. No último ano 2 milhões de discos de vinil foram vendidos nos Estados Unidos. Não chega nem perto dos 900 milhões de CDs que já foram vendidos em um ano há algum tempo atrás. O que eu quero dizer é que o vinil não vai tapar o buraco por conta própria, mas como uma das várias coisas que estão acontecendo hoje em dia: mp3s, vinil, encartes, DVDs, etc. Todos eles são parte de uma figura maior no que diz respeito ao consumo de música.

Tony-TMDQA!: Eu sou um grande fã do vinil, mas não acho que ele irá voltar com tanta força nos meios mais populares. É uma coisa mais para fãs de música, audiófilos.
Jai: É, não vai ser como o CD. A gente quer que a nossa música seja pequena, quase invisível e portátil. A gente quer poder ouvi-la quando a gente bem entender e onde a gente bem entender.


Bruno-ACTION182: Qual foi a importância da música dos anos 90 no mundo todo? Você acha que a morte do Kurt Cobain marcou o fim do grunge e que isso foi crucial para a explosão do punk rock ou você acha que o punk rock já estava se tornando grande o suficiente para ultrapassar o grunge e tomar seu lugar de qualquer jeito?
Jai: Eu acho que a sua morte teve muito a ver com ajudar o punk rock a ter sua vez. Tipo, quando o Green Day e o Offspring apareceram, na Austrália eles eram tratados como bandas parecidas com o Nirvana. Era a mesma atitude, mas com um olhar mais rápido e refrescante. Era super pop então também podia ser tocada no rádio e TV. Mas ainda era legal o suficiente para fãs de música “Alternativa”.

Tony-TMDQA!: Você acha que o fato de grandes gravadoras terem contratado bandas independentes como o Green Day e o Offspring foi marcante para o pop-punk conseguir tanta visibilidade e sucesso no mainstream?
Jai: Bom, o Green Day talvez, mas o Offspring lançou o “Smash” pela Epitaph que é uma gravadora independente. E eu acredito que esse álbum tenha batido o recorde de vendas em uma gravadora independente de todos os tempos. Definitivamente iria acontecer, as bandas estavam construindo e seguindo nessa direção. Eu acho que a morte do Kurt foi tipo um catalisador para o movimento de trocar o foco um pouco e colocar a atenção em bandas como o Green Day e Offspring e seus amigos que vieram depois.

Tony-TMDQA!: Falando nisso, qual foi a importância para a cena do Green Day tocar o Woodstock, com o Mike Dirnt usando uma camiseta do Screeching Weasel, por exemplo? Além disso o Tré Cool também fez algo parecido quando filmou o clipe de “Longview” com uma camiseta do Tilt. Você acha que esse tipo de camaradagem entre as bandas era algo normal no punk rock dos anos 90? A ajuda que eles conseguiram através disso é inegável.
Jai: Sim, definitivamente. Eu acho que as bandas tinham orgulho de fazer parte daquela cena e ter o sentimento de pertencer a alaguma coisa. Tantos artistas aparecem e lançam discos de muito sucesso mas não são parte de nada, e com essas bandas de pop punk, eles eram partes dessa cena excitante e eles eram amigos de todo mundo e quando alguma dessas bandas conseguia atingir uma platéia maior, era natural que eles ajudassem as outras bandas da maneira que podiam. O melhor exemplo disso foi o movimento de gravadoras independentes. Brett (do Bad Religion) abriu a Epitaph, Fat Mike (NOFX) abriu a Fat Wreck, Dexter (Offspring) abriu a Nitro, Joe (Vandals) abriu a Kung Fu. É um modelo perfeito para apresentar novas bandas ao mundo através da popularidade da sua banda.

Tony-TMDQA!:
E a Lookout! Records? Eles também conseguiram muita atenção nessa época, já que bandas de seu catálogo estavam sendo vistas em veículos da grande mídia. Por que você acha que a gravadora acabou perdendo o direito de seus maiores lançamentos (Green Day, Operation Ivy, Screeching Weasel) e quase falindo? Pergunto isso porque a Lookout! foi extremamente importante para a cena punk rock dos anos 90 e seu dono, Larry Livermore aparece no documentário.
Jai: Bom, eu falei com o Larry sobre isso e ele não era mais parte da gravadora quando tudo aconteceu, ele já tinha saído. Mas eu acho que ele estava triste pelo fato de que algo que ele construiu do zero eventualmente se tornou o que se tornou. Não sei dizer mais do que isso, porque eu não sei detalhes dos problemas financeiros deles.


NÃO PERCA a segunda parte dessa excelente entrevista no Action182


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Entrevista com Jair Naves

03 Mar/10 Nenhum comentário | Arquivado em Entrevistas, , , , , , , , , , , ,

Jair Naves

Você já deve ter visto Jair Naves rolando pelos palcos a frente da extinta banda Ludovic. Depois de uma pausa de 2 anos, Jair retorna com projeto solo, trocando as distorções por um instrumental detalhista e sutil. A poesia e melodia agora são mais cativantes e agradam fácil aos ouvidos mais delicados. Se existe um candidato a “Renato Russo 2″, Jair ultrapassa todos os requisitos. (Felipe Eterno)

Entrevista por Felipe Eterno e Vinicius Paes

Você tem algum parentesco com os “Irmãos Naves”? A polêmica dos irmãos ocorreu em Araguari, servindo até de tema para o filme “O Caso dos Irmãos Naves”. Você tem sobrenome Naves e passou sua infância em Araguari, é pura coincidência?

Não sei, não sei mesmo. Perguntei sobre isso para alguns parentes mais velhos e o máximo que eu consegui descobrir é que havia alguma proximidade entre a família de Sebastião e Joaquim (os tais “irmãos Naves”) e a da minha avó paterna. Por tudo o que você ressaltou na pergunta, acho muito provável que exista alguma espécie de parentesco sim, mas não posso afirmar nada. Independentemente disso tudo, mesmo na hipótese dessa coisa do sobrenome ser uma imensa coincidência, é uma história muito forte, que não pode ser esquecida, muito representativa no que diz respeito às inúmeras monstruosidades cometidas na época da ditadura militar. Além disso, o filme do Luis Sérgio Person sobre o ocorrido me influenciou imensamente quando eu estava escrevendo as músicas desse EP. Perdi as contas de quantas vezes assisti “O Caso dos Irmãos Naves”, e toda vez que o revejo me surpreendo com a elegância e a sensibilidade com que eles conseguiram contar um dos episódios mais escabrosos da história do Brasil. Está na minha lista de dez melhores filmes nacionais de todos os tempos, sem dúvida alguma.

Na musica que dá nome ao EP “Araguari I (Meus amores Inconfessos)” você canta: “saudade da nossa banda e dos palcos que pisei”, essa banda é o Ludovic?

É inegável que se trata de uma referência a essa e a outras bandas em que eu toquei, mas a idéia para esse verso não veio somente daí. Tenho amigos que já trabalharam com música e que em determinado momento se viram inclinados a abandonar essa atividade, como se isso representasse uma espécie de ritual de entrada na vida adulta, sabe como é? Como se de repente chegasse a hora investir em casamento, filhos, um emprego “de gente grande” e desistir da fantasia que querer ser reconhecido por seus dotes artísticos, como se insistir nisso fosse um sinal de adolescência tardia. O curioso é que quase todos esses meus conhecidos parecem meio amargurados, alguns até falam da época em que tocavam com um saudosismo de cortar o coração. Como essa música é basicamente sobre saudade, sobre travar confrontos com aspectos mal-resolvidos do passado, achei que seria interessante falar também sobre isso.

Nos shows você será acompanhado pelos mesmos músicos que gravaram o EP? Eles também são de Araguari?

Não. Como meus planos de contratar músicos araguarinos não vingaram, tive que me contentar com pessoas de outros lugares (risos). Bom, sobre a banda que vai me acompanhar, infelizmente não poderei contar com todos que me ajudaram nas gravações, mas a espinha dorsal daquela equipe continua comigo: Marco Paschoal (bateria), Alexandre Xavier (piano) e Júlia Frate (voz). Completam a banda Ali Junior (baixo) e D. Guedes (guitarra).

Hoje vemos inúmeros músicos de bandas nacionais e internacionais se dividindo entre a suas bandas e seus projetos solo como Chuck Ragan (Hot Water Music), Greg Graffin (Bad Religion), Marcelo Camelo, Carlos Dias (Polara) ,Tor (Zumbis do Espaço), onde apresentam uma sonoridade bem diferenciada que varia entre o rock e o folk/country sucessivamente. No seu caso a idéia de um projeto solo já existia durante o Ludovic ou surgiu somente após o término da banda?

Eu nunca tinha cogitado a possibilidade de trabalhar dessa forma, foi preciso que a banda terminasse para que eu considerasse esse caminho como uma opção. Até então eu jamais tinha sequer pensado em mim mesmo com um “artista solo”, continua sendo um pouco estranho me enxergar dessa maneira. Decidi tentar continuar por conta própria para evitar alguns dos problemas que eu tinha enfrentado enquanto líder ou integrante de outras bandas, situações problemáticas que eu também vejo acontecer com enorme freqüência em grupos de conhecidos.

E qual a diferença entre estar em uma banda e tocar um projeto solo?

Ainda é um pouco cedo para dizer, já que nem começamos a fazer show com esse projeto. Por enquanto, está sendo ótimo. É uma exposição bem maior, isso me desagrada um pouco, mas tudo funciona de forma bem mais prática. A responsabilidade pelo trabalho é praticamente toda sua, você se sente muito mais a vontade para explorar o tema que bem entender e há uma abertura maior para colaborações com terceiros. Definitivamente não me arrependo de ter seguido por esse lado.

No Ludovic todo o sentimento estava presente de forma mais agressiva e agora continua presente de maneira mais suave e harmônica. Isso já aconteceu com muitos dos grandes ícones musicais, você acha que está seguindo o mesmo trajeto de um grande nome da música naturalmente?

Não sei, sinceramente. Eu tento fazer o melhor possível dentro das minhas limitações, fico feliz em ver que consigo evoluir de uma maneira ou de outra e que existem pessoas que acolhem com carinho minhas músicas. Acho que ainda tenho muito que melhorar, sempre penso que a minha melhor música ainda está por vir.

A internet foi um grande trampolim para o reconhecimento do Ludovic, porém mesmo com grandes seguidores, a banda manteve-se dentro do eixo underground. Com a carreira solo já percebemos que você também estará usando a internet como forma de divulgação. Você tem a intenção de atingir um público diferenciado ou mesmo até ser inserido comercialmente no meio musical?

É muito difícil prever quem vai gostar do que você escreve, toca ou canta. Eu nem me preocupo muito a esse respeito porque acho que é prejudicial ao processo de composição, cai numa mentalidade de “agora eu tenho que fazer as coisas de tal forma que eu consiga agradar mais gente e ganhar dinheiro” e etc. Eu só posso torcer para que outras pessoas além de mim gostem das coisas que eu escrevo, não me importo se é alguém entendido em música ou não.

Você já tem em mente algum roteiro de vídeo clipe para uma dessas musicas?

Tenho algumas ideias sim, mas não sei se faremos um clipe para alguma dessas quatro ou para uma das faixas que estamos gravando atualmente. Seja como for, a intenção é lançar um clipe ainda nesse semestre.

Gravar 4 músicas acaba deixando todo mundo com gostinho de quero mais, além desse EP já existem novas composições a caminho?

Sim. Já estamos gravando material novo, se tudo correr conforme o previsto ainda em 2010 sai um disco “cheio”, que deverá ter de 10 a 12 músicas inéditas.

Outra coisa que destaca muito na beleza do “Araguari” são as letras de cada faixa. O que você lê que te inspira tanto assim?

Obrigado pelos elogios, fico realmente feliz em saber que você gostou. Essa é sempre a parte que mais me preocupa, onde eu mais perco tempo e que mais me dá dor de cabeça. Sou mais preguiçoso do que eu deveria para escrever as letras, então eu fico rascunhando durante um tempão e só finalizo na véspera de gravar as vozes – em muitos casos, já terminei somente alguns minutos antes da gravação. Não acho que livros, filmes e discos funcionem exatamente como fonte de inspiração, eu diria que eles influenciam mais na parte de construção do texto e lapidação das idéias do que exatamente no tema ou no sentimento que os versos transmitem. A inspiração vem especialmente da convivência com outras pessoas, de conversas, histórias, situações marcantes e coisas assim.

Respostas Rápidas:

Amor: O que faz todo o resto valer a pena.
Morte: Um assunto enlouquecedor, sobre o qual eu prefiro não pensar muito.
Filhos: Responsabilidade demais. Não recomendo para todo mundo, sinceramente.
Ludovic: Um grande aprendizado.
2010: Muito, mas muito trabalho.
Palco: Quase dois anos longe dos palcos. Não vejo a hora de voltar.
Melhor amigo: Essa é difícil. Teria que ser no plural, eu acho. 

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Resultado promoção Laja Records e Entrevista com Jeff Rosenstock do Bomb The Music Industry!

17 Feb/10 17 comentários | Arquivado em Entrevistas, Promoções, , , ,

Resultado promoção Laja Records

Chegou a hora de saber quem levou o kit com 13 itens da Laja Records e Me First And The Gimme Gimmes!
Foram 480 participações entre twitter e orkut, e eu fiz o mesmo esquema de sempre. Planilhei cada participação e coloquei os números no site random.org para realizar o sorteio. E ficou assim:

Parabéns!!! Entrarei em contato para combinarmos o envio do kit com 13 itens de rock mais do que bacanas, ok??

O Mozine ainda foi gente boa e pediu pra sortear mais 2 pessoas que levarão chaveiros do Crackinho e bugigangas da Laja. São eles:

Parabéns Fernanda e Amauri, também entrarei em contato para enviar os prêmios.

E se você não ganhou, NÃO FIQUE TRISTE porque já está rolando outra promoção, dessa vez da banda FISTT, valendo 3 kits da banda com camisetas, buttons e adesivos. Clique aqui para participar!!!

Entrevista com Jeff Rosenstock

Jeff Rosenstock é o vocalista/letrista/produtor/guitarrista/tecladista e responsável pelo coletivo musical que atende pelo nome de Bomb The Music Industry!, banda que pra mim gravou o melhor disco do ano passado e que se destaca tanto por melodias inovadoras quanto por suas letras inteligentes.
É o tipo da banda, que como vocês verão pelos vídeos abaixo, atrai fãs cativos que berram as letras ao vivo, superlotam as casas de show e fazem diversos videoclipes da banda que podem ser encontrados no YouTube.

Além disso, ele ainda é dono da Quote Unquote Records, gravadora que lança todos seus álbuns de graça e aceita doações via PayPal, baseadas em quanto os fãs acham que a banda merece. É a casa por exemplo de Laura Stevenson And The Cans, banda folk liderada pela linda voz de Laura que conta com Jeff em alguns instrumentos.

Ele ainda era o vocalista de uma banda de ska chamada Arrogant Sons Of Bitches e está com um projeto paralelo chamado Kudrow.
Em Fevereiro ele está embarcando em uma turnê do Bomb The Music Industry! onde ele viaja com uma guitarra e um iPod, e chama fãs locais para serem o resto da banda. Pouco legal, eim?

Domingo retrasado eu mandei um e-mail para ele perguntando sobre uma possível entrevista e em menos de 2 horas, Jeff respondeu “e aí, vamos fazer agora?” e o resto está aí embaixo, uma entrevista, ou mais um bate-papo entre esse que vos fala e Jeff Rosenstock, que durou mais de 4 horas.

Espero que vocês aproveitem tanto quanto eu e conheçam ainda mais o trabalho do cara, que transforma em ouro praticamente tudo o que se envolve. Enjoy!


TONY-TMDQA!: hey cara, tá me lendo?
Jeff Rosenstock:
sim, tony! como você está?

TONY-TMDQA!: tudo certo!! calor pra caralho aqui, mas beleza. e você?
Jeff Rosenstock: tudo certo também, e tá meio frio aqui hoje. a gente tem hemisférios opostos!

TONY-TMDQA!: hahaha verdade! você está em Nova York?
Jeff Rosenstock:
Sim. Estou no Brooklyn.

TONY-TMDQA!: Legal! Eu moro em uma ilha quente chamada Florianópolis…
Jeff Rosenstock:
Isso parece demais, eu queria estar aí esse Inverno!

TONY-TMDQA!: Cara, quando quiser aparecer, você tem lugar pra ficar!
Jeff Rosenstock: Não me tente, eu posso aparecer por aí. A internet tá dizendo que É um lugar quente para passar as férias.

TONY-TMDQA!: A Internet está certa.
Jeff Rosenstock:
hahaha

TONY-TMDQA!: E não esqueça de trazer seu iPod e guitarra! (Nota do editor: Jeff Rosenstock costuma fazer uma turnê chamada “Bring Your Own Band”, onde ele viaja com um iPod e uma guitarra, e convida fãs das cidades para ser a banda de apoio, tocar TODAS as músicas que a platéia pedir e fazer covers aleatórias)
Jeff Rosenstock:
Talvez! Eu quase fiz uma turnê no Brasil uns anos atrás, e eu acho que tudo acabou dando errado.

TONY-TMDQA!: Sério? Com o Bomb The Music Industry! ?
Jeff Rosenstock:
Sim! Seria só eu, mas ao estilo “Bring Your Own Band”

TONY-TMDQA!: Espetacular!
Jeff Rosenstock: O cara que estava me ajudando foi muito bacana, eu estava trabalhando demais em uma publisher de livros e nessa época a gente conseguiu umas turnês com The Queers, The Slackers, Less Than Jake, etc. Não consegui lidar com tudo ao mesmo tempo, infelizmente


TONY-TMDQA!:
Eu vi o Less Than Jake em Curitiba há 2 anos atrás
Jeff Rosenstock:
Eu não faço ideia como bandas assim conseguem fazer isso.

TONY-TMDQA!: Por que?
Jeff Rosenstock: É muito bom!! Eles agendam shows na América do Sul. Ou seus agentes o fazem. É mais difícil pra gente como uma banda menor conseguir fazer algo assim juntos. A gente conseguiu algumas coisas na Europa, mas foi isso.

TONY-TMDQA!: Entendo. É que essas bandas eram muito grandes aqui há alguns anos atrás, e nunca tinham vindo pra cá. Então quando eles vieram, todo mundo da minha idade que curtia o som tava lá.
Jeff Rosenstock: Sim, aí um monte de gente queria vê-los. Posso imaginar.

TONY-TMDQA!: Eles tocaram pra 3.000 pessoas.
Jeff Rosenstock:
Eu sei que o Less Than Jake falou que os shows deles foram loucos aí embaixo. Mas é meio difícil fazer com pouco dinheiro.

TONY-TMDQA!: É, o show em Curitiba teve problemas. Superlotaram o lugar, venderam ingresso na hora, e acabou ficando complicado. A banda tocou só 30 minutos.
Jeff Rosenstock:
Me parece ruim. Mas parece que poderia ser divertido também. Eu não sei. Eu estaria feliz só de estar aí embaixo.

TONY-TMDQA!: Eu estava.. a banda que não estava. E eu aposto que você ficaria. Eu vi alguns videos seus no YouTube e a molecada grita loucamente as letras das músicas na sua cara. No próximo dia 11 de Fevereiro eu faço 25 anos e vou cantar “25!!!” loucamente também.
Jeff Rosenstock:
hahaha espetacular! Bom, nunca se sabe. Eu estou sempre tentando ir a lugares onde nunca estive.

TONY-TMDQA!: Então, você está saindo em turnê em 3 semanas. Você escolhe a molecada local pra ser sua banda de apoio? E todos os pedidos de música são atendidos, e toca covers aleatórias… Deve ser um longo e divertido show, huh?
Jeff Rosenstock:
É. Eu comecei fazendo por conta própria, porque eu queria viajar a lugares onde não era viável fazer com a banda inteira. Nunca pareceu TÃO estranho pra mim, porque ter o Bomb The Music Industry! como uma banda permanente não era uma realidade até tipo, 3 anos depois de formar o Bomb The Music Industry!. Então eu fiz isso na Inglaterra e na Irlanda e foi muito legal estar em lugares que eu nunca havia estado, sem contar que era muito legal estar sozinho e fazendo a parada. Aí quando eu voltei pra casa com dinheiro pro aluguel e pras contas, eu fiquei super surpreso. Então foi um negócio 100% positivo, e eu não vi motivos para não fazer o mesmo nos Estados Unidos. Quando você está tocando com 6 ou 7 pessoas diferentes, todo mundo tem que saber as mesmas músicas e quando o Bomb The Music Industry! tem tipo centenas de músicas, é difícil TODO MUNDO sabê-las. Além disso, se eu me sinto tipo “Cara, eu realmente queria que a gente pudesse tocar uma cover de Sleater-Kinney” porque eu estava ouvindo Sleater-Kinney naquele dia, eu posso fazê-lo em uma turnê com o iPod com poucas horas de programação.

TONY-TMDQA!: Nossa, eu adoraria ouvir uma cover de Sleater-Kinney tocada por vocês. De “A Quarter To Three”, talvez. Essa é a primeira vez que você faz esse esquema nos EUA?
Jeff Rosenstock:
Essa é a segunda vez que eu faço isso nos EUA. A primeira vez foi uma experiência tão estranha pra mim. Quando eu estava no Reino Unido o lance era correr pelas cidades, tentando achar a estação de trem e quando eu entrava no trem tudo estava bem, eu conseguia dormir e acordar algumas horas depois tentando achar o lugar do show baseado em quaisquer informações que me tivessem sido mandadas por e-mail. Nos EUA eu dirigi para todos os lugares, então eu tive que ser responsável durante os shows e não beber nada, e falar com as pessoas depois do show totalmente sóbrio, o que leva um tempo pra se acostumar. E estar sozinho e acordado fazendo a mesma coisa de 4 a 7 horas por dia pode ficar realmente bizarro. Eu comecei a ficar com medo de dirigir sobre pontes e comecei a ouvir “audiobooks”… Eu me tornei uma pessoa que eu nunca saiba que era! Foi doido!

TONY-TMDQA!: hahahaha
Jeff Rosenstock:
Foi super divertido estar em uma situação que eu nunca havia estado.

TONY-TMDQA!: Super divertido de uma maneira estranha, eu acho. Dessa vez você vai fazer o mesmo esquema? Jeff Rosenstock: Sim, eu vou dirigir pra todos os lugares. Não há outra maneira de fazê-lo nos Estados Unidos. O transporte público interestadual é muito caro e o transporte público em cidades pequenas não é bom. A América não fez muito progresso no que se diz respeito a transporte público nas últimas décadas, o negócio só fica mais caro e menos conveniente. Todo mundo fica em casa e assiste TV. É FANTÁSTICO!


TONY-TMDQA!:
E twitta..
Jeff Rosenstock:
você sabe!

TONY-TMDQA!: Me fala um pouquinho sobre o Bomb The Music Industry! e como você surgiu com a banda após o fim do Arrogant Sons Of Bitches.
Jeff Rosenstock: A gente tava na última turnê do ASOB, visitando todos esses lugares que a gente nunca tinha ido e parecia que a gente estava ocupado demais contando camisetas, preenchendo planilhas, fazendo contas de matemática, fazendo buttons e esse tipo de coisa quando a gente chegava nos lugares de show. Não era particularmente divertido pra mim, e quando a gente voltou pra casa eu decidi que queria fazer algum tipo de projeto musical separado do comércio. O ASOB terminou poucos meses depois dessa turnê. Dave (nosso trombonista) queria voltar pra faculdade e acertar as paradas dele. Não fazia sentido fazê-lo com outra pessoa, o Dave era tão parte do ASOB quanto qualquer outro membro era, então o Bomb The Music Industry! virou mais o meu foco.


TONY-TMDQA!:
Vendo de fora, me pareceu como uma coisa natural, você até usava uma camiseta escrito “ASOB BROKE UP” nos últimos shows (aliás, eu não consigo achar essa camiseta em lugar nenhum! haha). Foi realmente natural ou alguém ficou chateado?
Jeff Rosenstock:
Definitivamente muita gente ficou chateada quando aconteceu. Isso aconteceu enquanto a gente tava em turnê no outro lado do país. A gente explodiu na van, eu falei que não queria mais vender música, o Dave disse que eu estava sendo louco, todo mundo tomou partido de cada um dos lados e a gente teve uma viagem muito muito longa de volta pra casa. Mas, quando a gente chegou em casa, a poeira eventualmente baixou e todos nós viramos amigos de novo quando o “Three Cheers” (“Three Cheers For Disappointment”) saiu. Eu acho que a gente até estava considerando ser uma banda em tempo parcial denovo quando o disco saiu, mas na última noite dos shows de lançamento do CD a gente tava sentado no CBGB autografando centenas de pôsters pra algum tipo de promoção de pré-venda, ou algo do tipo

TONY-TMDQA!: WOW
Jeff Rosenstock:
Tudo que qualquer um de nós queria era subir a rua pra ir até o bar e beber um com o outro, afinal, a gente tocou 3 shows maravilhosos, sendo que o último na porra do CBGB’S. Mas esse amigo nosso tava entrando, tentando ser nosso “gerente de merchandising”. Ele até me disse: “Eu vou cuidar do merch nos shows pra que você possa falar com os fãs pessoalmente”. E eu falei pra ele que realmente gostava de fazer o merch porque era o momento de conhecer as pessoas, eu trabalhei 4 anos nesse disco e estava muito feliz de entregá-los às pessoas. Se tornou essa coisa toda e estava girando em torno do comércio denovo, então a gente nunca mais tocou junto. Eu me mudei pra Georgia, a gente marcou um show de despedida um ano e meio depois disso pra que todo mundo que não tinha nos visto tivesse a oportunidade e a gente juntou alguns milhares de dólares pra ajudar a prima do nosso baterista que precisava de uma cirurgia muito séria. Todas as camisetas foram feitas pelos nossos amigos O Pioneers!!! (banda), que são donos da I Heart U Productions, eles nos deram quase todo o lucro delas. A gente tocou todas as músicas que a gente já havia escrito, especialmente as ruins. Pareceu uma boa hora pra parar de bater no cavalo morto.

TONY-TMDQA!: Deve ter sido um último show excelente. Eu preciso perguntar. Você vê isso acontecendo com o Bomb The Music Industry! ? Quero dizer, vocês estão começando a chamar a atenção das pessoas, e se esse tipo de coisa acontecer, você acha que pode lidar de outra forma agora?
Jeff Rosenstock:
A gente aprendeu a dar um passo pra trás com o BtMI!

TONY-TMDQA!: Como assim?
Jeff Rosenstock: Por um tempo a gente estava tocando em shows bem grandes. Eu acho que a gente tocou pra 2.000 pessoas uma noite, abrindo pro Less Than Jake. Mas os shows eram muito caros, eu sei que eu não conseguiria pagá-los. E não é pra culpar nenhuma das bandas que nos deixam abrir seus shows. Todos eles eram basicamente grandes fãs que queriam ajudar. Eu só acho que não era pra nós. Era difícil passar nossa mensagem anti-consumista em um lugar cercado por consumismo. Parecia que tudo que a gente falava era uma bosta e a gente poderia ter simplesmente vendido camisetas como todo mundo. Aí a gente parou de tocar em shows que não eram abertos a todas as idades e que não incluíam ingressos por 10 dólares ou menos.

TONY-TMDQA!: Isso é bem legal.
Jeff Rosenstock: Eu acho que se a gente soubesse que estaria fazendo esses primeiros shows, que foram com o The Slackers, a gente poderia ter utilizado o fato de um grande público um pouco melhor. Mas a gente estava tão feliz de tocar com todas essas bandas que a gente se divertia demais pra fazer algo produtivo, eu acho. Eu ainda não sei se esse foi o melhor plano, mas o que você vai fazer. Assim, até as bandas punk mais visivelmente políticas estão tocando shows só pra maiores de 21 anos ou coisas do tipo. Não importa o resultado, eu acho que foi uma coisa boa o fato da gente ter tido coragem pra bater o pé nesse sentido.

TONY-TMDQA!: Sabe, quando eu tinha 17 anos eu normalmente falaria “blah, seus vendidos de merda blablabla”. Hoje eu vou ouvir o álbum da banda, não importa em qual selo ela saiu e vou gostar ou não de como ele soa. Simples assim.
Jeff Rosenstock:
Sim, mas você paga pelo álbum?

TONY-TMDQA!: Normalmente eu baixo ele primeiro, e se eu gosto, eu compro. Mas eu sou um colecionador e fã de música, não sei se a maioria das pessoas age assim.
Jeff Rosenstock:
Eu não sustento lançamentos de gravadoras grandes, e é difícil às vezes porque tem uma dúzia de artistas em gravadoras grandes que eu gosto muito.


TONY-TMDQA!: Então você não compra discos de gravadoras grandes?
Jeff Rosenstock:
Mas eu sei que eles não ganham muito dinheiro com a venda de discos, e eu sei que a indústria de discos americana gasta uma grande parte do dinheiro em processos por downloads ilegais, onde eles processam mães solteiras do interior e crianças de 13 anos e coisas do tipo, por quantidades de dinheiro exorbitantes, só pra provar um ponto.

TONY-TMDQA!: SIM! É só pra provar um ponto. Não há mais objetivos que isso.
Jeff Rosenstock:
Uma vez o Joe Strummer disse: “cada dólar que você gasta é um voto.” Essa frase sempre ficou comigo. É verdade. As pessoas falam sobre como elas não têm poder verdadeiro porque a democracia é uma farsa, votar não conta de verdade, bla bla bla. Mas, no que se trata da América, nós vivemos em uma sociedade capitalista. Então você pode colocar seu dinheiro em coisas que aprova ou pode tomar o caminho preguiçoso e dizer “Eu não posso fazer diferença. Ninguém pode fazer diferença”.

TONY-TMDQA!: Então, foi nisso que você pensou quando abriu a Quote Unquote Records (gravadora de Jeff que disponibiliza todos os discos de graça, e você paga o que acha que a banda merece via PayPal)?
Jeff Rosenstock:
Eu acho que sim. Foi realmente pensado como uma extensão do Bomb The Music Industry! para as bandas dos meus amigos. Eu percebi que dar nossa música de graça nos permitia fazer turnês de sucesso, as pessoas conheciam nossas músicas e tal. Ela nunca foi baseada em volta do capitalismo, então eu não acho que seja justo dizer que a Quote Unquote começou com essa mensalidade. Ela foi baseada em volta das pessoas ouvirem nossas músicas. Eu adicionei o lance de doação porque eu pensei “hey, talvez a gente consiga pagar o website e fazer gravações melhores”.


TONY-TMDQA!:
Sim, eu citei a Quote Unquote por causa da frase do Strummer que você mencionou. Tipo, cada dólar doado é um sinal de positivo pra vocês continuarem fazendo melhor e lançando mais música. Eu amo o modelo de vocês, lançando músicas baseadas em doações e também lançando cópias físicas em LP. Eu acho que acaba servindo para todos os tipos de fãs de música por aí.
Jeff Rosenstock:
A gente sempre aceitava doações em shows se as pessoas quisessem fazê-lo, então fez sentido aplicar isso na gravadora também. Na verdade eu meio que gostava mais quando a gente nem tinha LPs! A gente podia ser mais “ofensivo” com tudo. A gente fazia nossa barraquinha de merchandising nos shows, e colocava um pôster gigante escrito “NÃO COMPRE NADA”.

TONY-TMDQA!: Pelo que eu vejo na Internet, YouTube e etc., nós fãs de BtMI! somos bastante leais. As pessoas têm doado dinheiro regularmente?
Jeff Rosenstock:
A gente recebe várias doações e isso ajuda a gente a pagar pelo combustível nas turnês e também pagar horas de estúdio. Normalmente a gente recebe uma doação louca e gigante e algumas outras menores em um mês, ao invés de várias pequenas doações. Mais ou menos uma em cada 1.000 pessoas que baixam os discos faz uma doação. É meio desapontador, mas como eu disse a gente não liga muito pra essas coisas.

TONY-TMDQA!: E não deveriam, já que as outras 999 pessoas vão conhecer suas músicas, e talvez ir a shows, cantar junto, comprar uma camiseta e coisas do tipo.
Jeff Rosenstock:
Claro.

TONY-TMDQA!: Como você vê todo esse lance da volta do vinil?
Jeff Rosenstock:
A gente meio que entrou nisso BEM na hora que estava explodindo, então funcionou bastante pra gente. Mas também era muito estranho ver alguns LPs nossos sendo vendidos entre 10 e 100 dólares no eBay, especialmente quando você está quebrado sem dinheiro.

TONY-TMDQA!: hahahaha que bizarro.
Jeff Rosenstock:
Eu acho que é mais uma moda, em um sentido. Eu sou um comprador de discos e colecionador há algum tempo, e eu nunca entendi a necessidade de ter versões diferentes de um álbum. Eu sempre pensei que um disco mais do que qualquer outra coisa representa o momento que você o comprou, e o momento em que ele foi gravado. Eu poderia passar pela minha coleção de discos e te dizer exatamente onde eu comprei quase todos eles. Talvez “moda” não seja a palavra certa, eu só acho que não entendo. Mas eu sou sempre muito grato quando uma pessoa compra um disco do Bomb.

TONY-TMDQA!: Os discos de vinil do Bomb The Music Industry! são simplesmente maravilhosamente bonitos. Quando o assunto é cores de discos, não há nada mais legal que o “Get Warmer” ou o “To Leave Or Die In Long Island”. Que tipo de interferência artística você tem nos álbuns da banda?
Jeff Rosenstock: Eu faço toda a arte e decido em quase todas as cores. Às vezes a gente recebe vinil colorido/reciclado de cores randômicas e aí não há decisão, e a Asbestos Records fez uma ou duas prensagens de alguns discos que eu não sabia das cores. Mas é basicamente minha escolha. Especialmente o que foi lançado pela Asian Man. Eles nos deram controle pra decidir qual cor cada prensagem terá, e eles nos deram o controle pra dizer “Hey, a gente não vai fazer um milhão de cores diferentes” para um disco como o “Scrambles”.


TONY-TMDQA!: Eu amo o pacote de “Scrambles”.
Jeff Rosenstock: Obrigado, cara!

TONY-TMDQA!: E também amo a versão transparente/manchas azuis do “Get Warmer”. É excelente.
Jeff Rosenstock
. Obrigado. Tem também uma versão transaprente/branca e uma transparente/verde dessa aí.

TONY-TMDQA!: E um novo álbum? Eu sei que você tem músicas novas, eu amei a que você postou no tumblr (“Struggler”).
Jeff Rosenstock: O “Scrambles” levou um tempo muito grande pra sair, por causa da arte, da produção do pacote e tudo mais. Então eu acho que antes de podermos lançar um novo álbum, a gente vai ter que pensar em como não fazer isso denovo, pra fazer algo que seja menos exaustivo e não sinta como um grande peso tirado dos nossos ombros quando o disco sair. Para que a sensação seja “Fuck yeah! A gente tem um novo álbum”. Só pra mudar um pouco as coisas. (Nota do editor. Poucos dias depois dessa entrevista os caras disponibilizaram na Quote Unquote Records um EP só de músicas inéditas chamado “ADULTS!!!: SMART!!! SHITHAMMERED!!! AND EXCITED BY NOTHING!!!!!!!” Tava escondendo o jogo? hehe)

TONY-TMDQA!: Entendi. Além disso o “Scrambles” é recente né, não tem nem um ano, certo? É que a gente sempre quer ouvir música nova de vocês.
Jeff Rosenstock: Hahaha. Obrigado. A gente tá fazendo tudo o mais rápido que pode!

TONY-TMDQA!: Espero que sim! Eu escolhi o “Scrambles” como o melhor álbum de 2009, qual foi o seu?
Jeff Rosenstock:
O novo do Andrew Jackson Jihad. Ele é TÃÃÃÃÃÃÃÃOOO BOOOOOOOM.

TONY-TMDQA!: “Can’t Maintain” ? Eu acho que estou perdendo tempo então, porque não é a primeira vez que alguém fala bem desse disco e eu ainda não ouvi.
Jeff Rosenstock:
Eu não sei se o disco se deu tão bem quanto deveria. Definitivamente vale a pena dar uma conferida.

TONY-TMDQA!: E o Green Day, cara? O que aconteceu com nosso amado Green Day? Assim, o American Idiot é excelente, mas esse novo álbum…
Jeff Rosenstock:
Pra mim sempre parece que eles fazem bons álbuns porque eles tinham alguma coisa a provar pra quem tava falando merda deles. Mas eu acho que quando você vira a maior banda do mundo, é difícil ter qualquer tipo de “humildade” na súa música… simplesmente se torna inacesível.

TONY-TMDQA!: Eu adorei como eles se tornaram uma banda gigantesca com o American Idiot. Um álbum ótimo, sólido e político. Com “21st Century Breakdown” parece que eles tentaram fazer um American Idiot Parte 2, roubando riffs deles mesmo.
Jeff Rosenstock:
Bom, eles ainda lançam mais álbuns bons do que a maioria das bandas.

TONY-TMDQA!: Sobre seus projetos paralelos, como você se reuniu para formar o Kudrow e lançar um EP?
Jeff Rosenstock: Mike, Dave e eu somos amigos. A maioria das pessoas no Bomb moram em Long Island e eu estava procurando uma banda que fosse local pra poder tocar, então a gente poderia ensaiar e tal. E naquele momento, Mike e Dave não tinham muito acontecendo, e era inverno então não tinha muito o que fazer, aí a gente começou uma banda. Aí eu encontrei meu amigo Pete, a gente saiu para tomar umas e ele disse “Quando eu vou lançar um álbum do Kudrow?” e eu disse: “Oh, eu não sei, você foi a terceira pessoa a nos perguntar, então talvez você vai ser a terceira a lançá-lo?”. E ele disse “Foda-se, eu moro no Brooklyn, vai ser tão fácil!”. E eu disse “Você está certo! Você mora no Brooklyn! Vai ser tão fácil.”. E foi assim. É divertido porque o Pete e a Ernest Jennings (gravadora que lançou o EP) não lançam coisas que soam como o Kudrow, então a gente é basicamente a única banda punk no selo. Tudo por lá é muito diversificado.

TONY-TMDQA!: O que você acha da volta do Blink-182? Não o título da música.. haha (O Kudrow tem uma música chamada “Blink-182 Reunion”. Eu vi uns vídeos de alguns shows da turnê de volta e muitas vezes parece que eles estão fazendo aquilo por quaisquer motivos que não são se divertir. O que você acha?
Jeff Rosenstock:
Eu não os vi ao vivo, então eu não sei. Eu não me importei muito com o último álbum, então uma volta do Blink-182 não era a coisa mais importante do mundo pra mim. Com certeza, eu amei essa banda nos seus melhores dias, mas desde que eu fui sortudo o suficiente para vê-los duas vezes em seu ápice, não é terrivelmente importante pra mim ver o material dessa volta. Eu acho que se eles estivessem fazendo músicas punk bestas sobre pais sendo injustos e fodendo sua mãe e coisas do tipo, não faria mais sentido nenhum Então como qualquer coisa, eles podem fazer o que eles quiserem, não me afeta. Não faz com que os seus discos mais antigos sejam menos importantes pra mim.

TONY-TMDQA!: Eles fizeram dois dos melhores discos de pop-punk de todos os tempos, e nada vai mudar isso, não importa qual cantor famoso e bem conceituado eles chamem pra cantar no seu disco. Por que o título da música “Blink-182 Reunion” no “Lando” (EP da banda Kudrow)?
Jeff Rosenstock:
É uma música sobre se sentir estranho tentando ter o melhor dos dois mundos, a liberdade que você tem quando é adolescente e a liberdade que você tem quando é adulto.

TONY-TMDQA!: Jeff, muito obrigado por responder meu e-mail tão rápido e fazer essa entrevista.
Jeff Rosenstock:
Oh, obrigado por passar seu tempo falando comigo.

TONY-TMDQA!: Eu sou muito feliz porque faço parte de uma cena onde a maioria dos meus ídolos é legal assim, e você é um deles.
Jeff Rosenstock:
Aw…. obrigado, cara! E eu posso conversar com você sobre ir ao Brasil um dia desses eim, então fica esperto!

TONY-TMDQA!: Se você fizer isso eu seria mais do que feliz em te hospedá-lo por aqui! Obrigado, novamente, e deixe uma mensagem aos seus fãs brasileiros! =D
Jeff Rosenstock: Uma mensagem para o Brasil… hm, eu nem acredito que alguém no Brasil sabe que eu estou fazendo o que eu estou fazendo, que a gente está fazendo o que a gente está fazendo! Muito obrigado por prestar atenção, e tenha em mente que o que a gente faz é simples e qualquer um pode fazê-lo desde que você não se deixe abater e comece a se sentir derrotado. ENTÃO VÁ FAZER ALGUMA COISA, BRASIL! SIM!!



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EXCLUSIVO: Entrevista com JAMES DEWEES, do Get Up Kids

24 Dec/09 3 comentários | Arquivado em Entrevistas, , , , , , ,

MELHORES DO ANO

De 15 a 25 de Dezembro farei minha lista de melhores discos do ano, com um disco por post. Hoje temos o de número dois. Confere aí!

2 – Set Your Goals – This Will Be The Death Of Us

Set Your Goals - This Will Be The Death Of Us

Outra banda que eu não conhecia e que me surpreendeu.
Confesso que esse foi um daqueles discos que me chamou a atenção pela linda capa, e aí eu fui atrás.
“This Will Be The Death Of Us”
me levou denovo ao hardcore dos anos 90, onde tudo era diversão, as bandas sabiam ser melódicas na hora certa, pesadas na hora certa e falar sério ou brincar quando fosse conveniente.

O disco inteiro é muito sólido, tem uma música que poderia ser hit em qualquer lugar do mundo (“Summer Jam”) e ainda tem participações de Hayley Williams do Paramore, Chad Gilbert do New Found Glory (ambos são namorados, aliás) e de Vinnie Caruana da extinta The Movielife.

Sinceramente essas participações são só cerejas em cima do bolo, porque o disco tem vida própria e caminha fácil com suas próprias pernas.


EXCLUSIVO! Entrevista com James Dewees do Get Up Kids

Todas as fotos foram retiradas do Last.FM (http://www.last.fm)


SIM!!! Chegou a hora de entregar esse presentão de Natal a todos vocês, leitores do TMDQA! e a mim mesmo, já que eu fiquei extremamente feliz com esse mini-projeto.
Eu e o Gustavo Pelogia do blog  Diário de Palco, parceiraço que já até entrevistei aqui para o Podcast, fizemos uma entrevista exclusiva com James Dewees, tecladista do Get Up Kids, mente brilhante do Reggie And The Full Effect e tecladista esporádico de New Found Glory e My Chemical Romance. Ah, vale lembrar que ele também tocou no Coalesce. Ufa!

A primeira ideia era entrevistar a banda toda e/ou o líder Matt Pryor, mas James foi extremamente atencioso e fez o papel pra gente, então lá vai. Aproveita e curte essa entrevista exclusiva do TMDQA! e Diário de Palco, presente de Natal pra você.


TMDQA! + Diário de Palco: Por que o Get Up Kids parou de tocar em 2005 e o que fez com que vocês voltassem? Foi realmente uma ideia do Suptic (guitarrista), como vocês falaram nos primeiros vídeos do show de reunião que apareceram na Internet (veja o vídeo abaixo)?
James Dewees: Nós paramos de tocar porque estávamos todos de saco cheio de fazer turnê toda hora, tentando manter uma vida próxima do normal, e estar na estrada não é a coisa mais fácil do mundo. Nós voltamos porque todos sentimos vontade de voltar. Todos nós permanecemos amigos próximos durante o hiato então foi só uma questão de todo mundo se juntar em um mesmo lugar ao mesmo tempo, mais ou menos.


TMDQA! + Diário de Palco: Rob Pope (Baixista) disse que o “Something To Write Home About” foi o último bom álbum de um gênero (emo). Não somos muito fãs de ficar rotulando as coisas, mas você considera que o Get Up Kids já foi uma banda emo, e que vocês fugiram do rótulo com os discos “On A Wire” e “Guilt Show”. Se sim, isso foi de alguma maneira intencional?
James Dewees: O Robbie realmente disse isso, e ele estava brincando. Nós éramos uma banda “emo” muito antes do termo começar a ser utilizado. Aí a gente caiu fora do gênero assim que ele virou um gênero. Desde que o Matt esteja cantando, o som será The Get Up Kids.

TMDQA! + Diário de Palco: O Suptic disse em uma entrevista que a cena está toda esquisita nos dias de hoje. O que você acha das bandas coloridas que por algum motivo estão sendo chamadas de emo, e qual é a sua opinião sobre o fato delas estarem sendo associadas com o gênero?
James Dewees: Eu realmente não sigo mais a cena. A cena underground sempre ficará grande demais pra ela mesmo e aí uma nova cena underground vai aparecer, isso tem acontecido desde o começo e continua assim. A cena underground da qual viemos simplesmente acontece de ser chamada de emo.

TMDQA! + Diário de Palco: Uma das melhores notícias que a gente ouviu esse ano foi que vocês têm novas músicas e provavelmente as lançariam em vinil no próximo ano. Somos muito fãs de vinil, qual é a sua opinião sobre todo o lance MP3/CD/Retorno-do-LP que está acontecendo hoje em dia?
James Dewees: É inevitável que o vinil vai ser para os colecionadores e mp3s são para fãs.

TMDQA! + Diário de Palco: Sobre os projetos paralelos, há alguma novidade quanto ao Reggie And The Full Effect (banda paralela de James) e o New Amsterdams (banda paralela de Matt Pryor) ?
James Dewees: Na verdade eu não faço ideia, eu tenho muitas coisas acontecendo agora, todas ao mesmo temo, tem o reggie, etc, etc.

TMDQA! + Diário de Palco: Ano passado o Matt Pryor lançou “Confidence Man”, seu primeiro disco solo, há planos para que ele lance algo nesse sentido para o ano que vem?
James Dewees: Eu acho que o Matt está planejando alguma coisa.

TMDQA! + Diário de Palco: Um amigo nosso, Victor, recentemente viu um show de vocês em Salt Lake City e disse que conversando com alguns de vocês após o show, foi dito algo sobre shows na Argentina (referência à resenha que Victor fez para o portal PunkNET). Isso é verdade? Há chances de isso virar uma turnê Sul-Americana e passar pelo Brasil?
James Dewees: Não sei.

TMDQA! + Diário de Palco: Obrigado pelo tempo e pela paciência, e sinta-se à vontade pra deixar seu recado aos vários vários vários fãs brasileiros.
James Dewees: Oi Brasil! Espero vê-los em breve.


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