Regina Duarte no Fantástico
Reprodução/Globo (via Na Telinha)
 

Regina Duarte mal tomou posse de seu novo cargo na Secretaria de Cultura e já está sendo bastante comentada.

A atriz assumiu a pasta depois das polêmicas com o então secretário Roberto Alvim envolvendo o nazismo. Neste domingo (8), o Fantástico exibiu a primeira entrevista concedida por Regina como secretária.

Em um trecho, destacado pelo Na Telinha, ela falou de algumas mudanças que pretende fazer — especialmente no uso de orçamento público:

Eu acho que o dinheiro público deve ser utilizado seguindo algumas diretrizes importantes, porque é o que a população que elegeu esse governo espera dele. Todos estão livres para se expressar, desde que busquem seus patrocínios na sociedade civil. Você agora não vai gravar filme pra agradar minoria com dinheiro público.

Todas têm espaço, claro que tem. Devem buscar seus patrocínios.

Ainda sobre o uso de dinheiro público, a nova secretária pediu uma otimização da Lei Rouanet. Polêmico, o recurso é alvo de muitas críticas por pessoas ligadas à direita no país, mas ela mostrou um posicionamento positivo em relação à lei, pedindo apenas “alguns ajustes”:

A Lei Rouanet precisa de alguns ajustes, estamos pensando nisso seriamente, porque acho que ela pode ser mais democratizada, o bolo pode ser repartido em fatias mais equilibradas, mais justas pra todo fazedor de cultura, fazedor de arte.

Os primeiros dias na Secretaria de Cultura

Na mesma entrevista com o Fantástico, a atriz falou sobre os seus primeiros dias no novo cargo. Ela citou ainda as dificuldades da política, onde pessoas usam seus cargos “pra fazer ativismo”:

Altos e baixos. Momentos maravilhosos, que eu me sentia muito viva, algo que não tinha há muito tempo, e momentos que me sentia angustiante, porque tinha momentos que eu tinha que lidar com situações complicadas, de política, que é uma coisa que nem passava pela minha cabeça. Você vê pessoas usando seus cargos pra fazer ativismo, pensando na próxima eleição. No nosso caso, minha equipe, a gente quer fazer cultura.

Por fim, ela também comentou sobre o fato de existirem hashtags pedindo sua saída ao falar sobre o que é possível fazer com a pasta:

Dá pra fazer muita coisa, temos muitas pautas positivas e só lamento ter perdido tanto tempo desfazendo tantas intrigas que foram criadas, com fake news e acusações não verdadeiras a respeito da proposta da equipe que tá comigo. Na verdade, vamos começar a trabalhar na semana que entra, porque estivemos ocupados com enormes dificuldades de toda uma facção que quer ocupar esse lugar. Quer que eu me demita, quer que eu me perca. Sim, já tem hashtag fora Regina e nem comecei. Essa semana eu tava lá tentando apagar alguns incêndios que as nomeações e exonerações provocaram.

O discurso vai de acordo com o que havíamos falado previamente: tanto a direita quanto a esquerda política têm mostrado insatisfação com seu nome, com um lado a criticando bastante por declarações como a de que “liberdade de expressão tem que ter limites” e o outro sugerindo até que ela seria uma “infiltrada da esquerda” no governo federal.

Isso ocorreu porque, antes mesmo de sua chegada, Regina Duarte exonerou servidores como Dante Mantovani, que havia associado o Rock ao aborto e ao satanismo, e outros nomes considerados parte da escola olavista e bolsonarista. Já em seu discurso de apresentação, ela usou várias metáforas para descrever a cultura e virou notícia após ter comparado cultura com o “pum do palhaço”.