Roberto Alvim e Regina Duarte
Fotos: Reprodução / Wikimedia Commons
 

Nas últimas horas ficamos todos perplexos com um discurso de Roberto Alvim, ex-secretário especial de Cultura do presidente Jair Bolsonaro.

Em um vídeo onde a intenção era divulgar um programa de incentivo a obras como ópera, teatro e composições musicais, ele se portou como fazia Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda de Adolf Hitler que tinha como objetivo espalhar o ideal nazista pela Alemanha.

Não apenas a estética era muito similar, com a trilha de fundo do vídeo que foi apagado era de Richard Wagner, um dos compositores favoritos do ditador nazista que, inclusive, via em suas óperas um retrato do que considerava ser a Alemanha ideal.

Por fim, como se não fosse o suficiente, em seu discurso ele ainda usou trechos de uma mensagem dita por Goebbels em uma de suas biografias.

O texto de Roberto foi o seguinte:

A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo, ou então não será nada.

Enquanto o original, do oficial nazista, foi esse:

A arte alemã da próxima década será heróica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada.

“Culpa” do Google e Assessoria

De acordo com o UOL, Alvim deu uma entrevista à Rádio Gaúcha e disse que o episódio foi como uma “casca de banana” atirada em sua direção, já que teria redigido 90% do texto e o resto teria vindo de assessores.

Segundo ele, a ideia era buscar no Google discursos sobre o tema “nacionalismo em arte”, e o texto similar ao de Goebbels veio de seus assessores.

Quando perguntado se iria pedir desculpas pelo episódio, disse que “não pode se desculpar por algo que não fez deliberadamente”, e ainda falou:

Qualquer pessoa com o mínimo de sanidade mental não pode ser cúmplice ou simpática a um regime que exterminou pessoas, um regime tão genocida quanto todos os regimes de esquerda ao longo do século 20.

Alvim ainda traçou um paralelo entre os seus pensamentos e o do Ministro nazista:

A minha vinculação é com a ideia de nacionalismo em arte, sim. Ele também tinha esse discurso? Tinha. Há uma similaridade aí. Agora, depreender daí semitismos, a ideia de que um indivíduo venha partir do seu sangue… É absolutamente terrível sob qualquer ponto de vista.

Exoneração

Vale lembrar que algumas horas após a repercussão do absurdo vídeo, Roberto Alvim foi exonerado pelo governo federal.

David Alcolumbre, presidente do Senado e judeu, havia utilizado o Twitter para manifestar repúdio em relação às declarações do secretário:

Como primeiro presidente judeu do Congresso Nacional, manifesto veementemente meu total repúdio a essa atitude e peço seu afastamento imediato do cargo.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara, ainda disse que a atitude do secretário foi “inaceitável” e que ele “passou de todos os limites”, falando que o governo deveria “afastá-lo urgentemente do cargo.”

A pressão dos líderes das casas bem como o movimento popular que surgiu na Internet com as pessoas se manifestando contra o vídeo fez com que ele fosse afastado do cargo, e o presidente da república Jair Bolsonaro publicou:

Comunico o desligamento de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura do Governo. Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência.

Em outro tweet, equiparou nazismo e comunismo, dizendo que repudia os movimentos:

Reitero nosso repúdio às ideologias totalitárias e genocidas, como o nazismo e o comunismo, bem como qualquer tipo de ilação às mesmas. Manifestamos também nosso total e irrestrito apoio à comunidade judaica, da qual somos amigos e compartilhamos muitos valores em comum.

Regina Duarte na Secretaria de Cultura?

Agora há pouco surgiu a informação de que a atriz Regina Duarte teria sido convidada para assumir o cargo e, segundo a colunista Mônica Bergamo, teria ficado “empolgada” com a possibilidade, prometendo responder até amanhã (18).

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