Serj Tankian com o System Of A Down em 2017
Foto de Serj Tankian via Shutterstock
Ouça nova versão do disco ao vivo do Pink Floyd!  

Em 2005 o System Of A Down lançou uma dobradinha de discos que se tornaria a última na carreira até hoje em dia.

Mezmerize e Hypnotize vieram como verdadeiras pedradas de um grupo que faz Rock And Roll dos mais pesados e ainda assim conta com apelo popular, muito em função dos elementos distintos que são incorporados à sonoridade repleta de guitarras.

Para abrir os trabalhos, o SOAD lançou o single “B.Y.O.B.” e não teve medo de mostrar berros, riffs e letras pesadas para o mundo todo, cantando sobre como por exemplo “os presidentes não vão pra guerra” e os políticos “sempre enviam as pessoas pobres” para os conflitos armados.

Não dá pra saber se as pessoas realmente entenderam as mensagens por trás da canção, que critica a sociedade norte-americana e o governo do país fazendo guerra pelo mundo achando que em casa está tudo bem, mas acabou ganhando até remix do brasileiro Alok para servir de trilha sonora para baladas regadas a bebidas que piscam.

De qualquer forma, é importantíssimo relembrar de um grupo que não teve medo de colocar o dedo na ferida tendo o alcance do mainstream.

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Novas Músicas do System Of A Down

15 anos se passaram e a banda californiana ganhou traços de novela mexicana.

O SOAD encerrou as atividades, voltou, já falou sobre um novo disco mais ou menos um milhão e vezes e mais recentemente deixou claro que o vocalista Serj Tankian e o baterista John Dolmayan têm visões de mundo bastante diferentes, com o primeiro compartilhando duras críticas a Donald Trump e o segundo exaltando o (ex?) presidente dos Estados Unidos.

Acontece que assim como a mistura de Heavy Metal com influências da Armênia, no System Of A Down tudo é imprevisível e pouco tempo depois do que parecia uma verdadeira guerra interna (e de família), os caras voltaram com as duas primeiras inéditas em 15 anos.

Luta Pela Armênia

Se você vasculhar os arquivos da banda que ainda conta com Daron Malakian e Shavo Odadjian, irá encontrar a informação de que a primeira gravação profissional do grupo aparece em uma coletânea chamada Hye Enk, que significa “Somos Armênios” e foi uma compilação de artistas com o objetivo de celebrar a cultura da Armênia.

O país de onde os quatro integrantes da banda são descendentes passou por um triste período histórico entre 1914 e 1923, quando 1 milhão e meio de pessoas foram mortas ou expulsas da Turquia e regiões próximas pelo Império Otomano, e sempre que podem, os músicos fazem questão de falar a respeito do episódio conhecido como Genocídio da Armênia, já que ele é negado por muita gente.

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Pois agora, quando tudo parecia longe de acontecer, a banda deixou diferenças de lado e se uniu novamente pela Armênia, disponibilizando “Protect The Land” e “Genocidal Humanoidz”, disponíveis nas plataformas de streaming e na playlist oficial do TMDQA! ao final do post.

As canções falam sobre o conflito de Nagorno-Karabakh, que estão em andamento em 2020 e foram comparados a “um 11 de Setembro todos os dias”.

Além de deixar o mundo sabendo da causa, a ideia também foi celebrar as tropas que estão lutando pela Armênia, e as canções são símbolos importantes para 2020 já que inclusive nasceram da trégua entre pessoas que têm pensamentos políticos completamente opostos mas defendem a mesma ideia nessa questão.

Futuro da Banda

Se teremos ainda mais canções ou até um novo disco, não sabemos, mas o fato é que em tempos onde o Rock anda tão carente de canções de protesto, o System Of A Down mostrou que sabe fazê-las como poucos.

As letras são contundentes e o instrumental carrega traços de tudo que a banda já fez mas também incorpora traços rejuvenescidos da marca registrada da banda, o que indica que um álbum seria muitíssimo bem recebido.

Arte e cultura estão aí para, entre outras coisas, quebrar barreiras e levantar questões importantes, e a banda norte-americana sabe muito bem como fazer tudo isso. A grande questão é se vai ter a vontade e força necessárias para resolver conflitos internos e continuar criticando os conflitos globais.

Aguardemos.

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