Tico Santa Cruz e Pe Lu
 

Presentes nos dois últimos grandes movimentos do rock nacional, no começo e no fim dos anos 2000, Tico Santa Cruz e Pe Lu têm feito algumas das melhores reflexões de 2021.

Em um papo altamente construtivo que foi ao ar recentemente no Podcast TMDQA!, eles analisaram o que fez o gênero se desconectar dos jovens e das pautas progressistas.

Sem deixar de reconhecer os próprios erros, falaram sobre a desunião entre as bandas e o desejo de permanecer no “underground” que levou à falta de profissionalismo. Falando justamente das suas críticas ao Emo no passado e a ciência de estava errado por isso, Tico abriu o jogo sobre como esse comportamento é nocivo ao Rock:

Essa percepção ainda é reproduzida por muitos roqueiros. Vale a pena a gente deixar isso bem claro, porque isso é uma posição de várias pessoas que são do Rock e não despertaram pra essa outra forma de olhar. Enquanto não se perceber isso, o estilo continuará caminhando para o distanciamento porque está envelhecendo. Se você não tem a conexão com o garoto de 12 anos — porque eu comecei a ouvir Rock com 12 anos — o que vai acontecer é que com 30 anos você não tem a mesma disposição de frequentar um bar, um pub, um show, e daqui a pouco você tem 40 anos e também não tem mais essa disposição e aí o estilo desaparece, vai ficar só no Spotify ou nas formas de ser ouvido. E o Rock vive do show.

Pe Lu, por sua vez, fala justamente sobre a sua perspectiva em meio a tudo isso e como a banda lidava com ataques homofóbicos “disfarçados” de rock and roll:

A gente recebia muito ataque homofóbico. Isso eu demorei muito tempo pra relacionar, porque na época eu só olhava e pensava, tipo, nenhum de nós era. E isso sempre soava pra gente como uma coisa tão idiota, porque não significava nada. Porque ainda que um de nós fosse homossexual ou a relação da roupa, colocando como se não fosse uma coisa presente no Rock — um cara que às vezes é fã do Guns N’ Roses, do glam rock, do Skid Row, ou até do Nirvana. Toda grande banda, especialmente gringa, a roupa era forma de expressar alguma coisa.

Então a roupa colorida e isso estar relacionado a uma homofobia… nos últimos acontecimentos, com a história do Digão e tal, isso foi mais louco do que na época. Eu olho e falo, ‘Caralho, 2021, e tem uns cara ‘véio’ — ‘véio’ já, tipo 30 anos, 40 anos — falando a mesma coisa que eu ouvia há 10 anos, e é só homofobia e você traveste isso de ‘rock and roll’.

Atualmente, o Detonautas aponta o dedo pra “roqueiros reaças”, e o Restart está sendo redescoberto por muita gente que destilava preconceito e homofobia lá atrás. Enquanto isso, a atitude rock and roll vai sendo incorporada por rappers e cantoras pop, assim como a guitarra — falamos mais sobre isso nesse especial.

Assista aos melhores momentos desse papo no YouTube do TMDQA!, através do vídeo logo abaixo, ou ouça o episódio completo no player ao final dessa matéria.

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