Geraldo Azevedo falando sobre a ditadura militar
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Conhecido por emblemáticas canções como “Dia Branco” e “Táxi Lunar”, Geraldo Azevedo é um ícone da música brasileira e, durante a época da ditadura militar, sofreu tanto quanto (ou mais que) outros grandes nomes da nossa arte.

Em uma entrevista anos depois no Programa do Jô, Geraldo deu um depoimento horripilante sobre o que viveu nesse período. Ele começa relatando que foi preso durante o governo de Artur da Costa e Silva, mas a época que mais lhe marcou foi o governo de Ernesto Geisel:

Nessa prisão do governo de Geisel eu fiquei muito menos tempo preso, porém foi muito mais violento. Eu tenho até traumas, assim, físicos causados pelas torturas. […] Eu fui preso no dia 7 de Setembro… nem fui preso, eu fui sequestrado. Me lembro que Gabi [filha do músico] tinha 3 anos, e eu vinha de um passeio paternal, com a filha, no Rio de Janeiro […] e, de repente, eu me sinto cercado por algumas pessoas.

Um agarrava o braço e eu, ‘O que é isso?’. Mas aí já fui dominado, no meio da rua! A vantagem é que já estava chegando na vila que eu morava [e Gabi pôde chegar em casa]. Mas eles me pegaram antes e imediatamente me encapuzaram. Não, primeiro me botaram um revólver; eu vi que estava sendo preso naquela hora por causa disso. Antes eu pensava que era algum maluco. E o cara tava tremendo, assim, um pouco nervoso, sabe. Mas aí os outros vieram, me seguraram, me botaram o capuz e me botaram dentro de um Fusca. Botaram no chão, assim, e ficaram pisando em cima.

Começaram a dar volta, dar volta, dar volta e me levaram para esse lugar. Um lugar obscuro, que eu não sabia onde era — encapuzado o tempo todo — e dali eles começaram as torturas, antes de perguntar [qualquer coisa].

Em seguida, Geraldo fala sobre como foi “testemunha auditiva” da morte de Armando Frutuoso, uma das outras pessoas que foram torturadas na mesma sala que ele. O músico ainda explicou que foi liberado após a “violência gratuita” porque, na verdade, os militares haviam feito uma confusão — procuravam um rapaz chamado Valério, que tinha semelhanças físicas com Azevedo.

Geraldo ainda conta que levou choques elétricos, mesmo se dispondo a conversar e contar o que fosse preciso aos torturadores, que só pararam quando ele fingiu um desmaio. Ainda assim, ele foi obrigado a cantar e dançar — nu — quando as “autoridades” descobriram sua identidade.

Você pode conferir a chocante entrevista completa pelo vídeo abaixo. E não custa nada lembrar: ditadura nunca mais.

Geraldo Azevedo falando sobre a tortura na ditadura militar