Luedji Luna no Festival Queremos
Foto: Patrick Sister
   

Por Nathália Pandeló Corrêa

Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água é um projeto ambicioso de uma artista que amadurece diante do público. Luedji Luna ganha ares de veterana já no seu segundo disco, uma viagem literal – à África -, emocional, visual e de vida.

O álbum chegou em 2020 junto com a maternidade, uma outra forma de botar uma cria no mundo, mas também com uma pandemia, frustrando planos de circular com esse show.

O disco acabou por ganhar forma de uma outra maneira: com um visual onde os clipes se unem em uma narrativa única. Não por acaso, Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água foi eleito o melhor disco nacional de 2020 aqui no TMDQA!

Entrevista com Luedji Luna

Agora, Luedji reimagina as suas canções para o Cultura Inglesa Festival, com um show que acontece neste sábado (20/03/2021). A apresentação será conjunta com Anaiis, onde Luna convida a artista franco-senegalesa radicada em Londres.

Aproveitando a ocasião, conversamos com Luedji Luna sobre o atual momento da sua carreira, sobre shows na pandemia e sobre repertórios compartilhados. Confira abaixo:

TMDQA!: Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água é um disco de compositora, de intérprete, mas também de banda. Aí vem 2020 e não dá pra circular com esse show. O que você tinha em mente pra essa turnê? Você pensa em retomar os trabalhos presenciais desse disco quando tudo isso passar?

Luedji Luna: Sim, esse segundo disco é de fato um show também de banda, e tenho aproveitado esse hiato pra fazer as escolhas mais acertadas sobre a banda que irá me acompanhar quando tudo retornar. É um disco especial, gravado no Quênia, então tô aproveitando esse momento pra consolidar a banda com as lives que surgem eventualmente.

TMDQA!: Aqui no TMDQA! acompanhamos toda a evolução da sua carreira, a estreia, os shows, os festivais, até que esse disco foi escolhido o melhor de 2020 entre os lançamentos nacionais pela nossa equipe. Quando você olha pra trás, como avalia esses últimos anos e o que você pensa pra frente, pros próximos passos da sua carreira?

Luedji Luna: Desde o início da minha carreira eu tenho optado por ser honesta comigo e com a música, fazer um trabalho para além dos rótulos e das fórmulas. Foi um risco que eu banquei, e felizmente deu certo.

Eu espero pro futuro a consolidação do meu trabalho internacionalmente e ganhar dinheiro. Acho que mereço!

TMDQA!: Talvez nem seja sua intenção, mas o título Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água também me remete a uma fuga pra um porto seguro, um lugar de alento. Nesse Brasil pandêmico de 2021, o que te faz querer fugir, se libertar?

Luedji Luna: Bahia, o mar da Bahia, de fato, meu terreiro, e a vida pulsante, potente e curiosa do meu filho.

TMDQA!: O seu trabalho tem uma conexão com os temas da mulher preta que é indissociável da sua música. Entra ano e sai ano e essa visibilidade se torna cada vez mais necessária numa sociedade racista. Mas agora você fala de um outro lugar na sua carreira, se comparado com o primeiro disco, por exemplo, como uma artista mais estabelecida. Quando você cria, pensa nesse lugar de plataforma que a sua arte se tornou ou isso seria apenas consequência da sua criação enquanto mulher negra?

Luedji Luna: Acredito que meu trabalho seja sim palco pra pautas e temas importantes, mas não só. E acho que isso fica mais evidente nesse último trabalho, do que no primeiro, que tinha um viés notadamente político, crítico. Em Bom Mesmo o amor é político, mas também poético.

TMDQA!: O festival Cultura Inglesa não é o primeiro e certamente não será o último a recorrer a uma edição digital diante do cenário atual. Como você tem avaliado as diferentes experiências que os eventos têm criado, as possibilidades e desafios para os artistas num momento de tão poucas oportunidades?

Luedji Luna: Eu acho que foi a alternativa viável pra esse momento, e com o tempo essa modalidade de show foi se aperfeiçoando e se profissionalizando mais. Acredito que é um modelo que surge na pandemia, mas que veio pra ficar como mais uma alternativa.

TMDQA!: Você tem um lado autoral muito forte. Como é essa interação com um repertório de outro artista?

Luedji Luna: Sim, demarcar meu lugar na composição sempre foi uma bandeira, mas é muito tranquilo cantar outros compositores, desde que dialoguem comigo.

TMDQA!: Onde o seu trabalho e o da Anaiis se encontram? E onde eles divergem?

Luedji Luna: Anaiis é do mundo, morou nos EUA, Londres, tem sangue senegalês e encontrou na Bahia, e no meu trabalho uma África fora de África.

Acredito que a busca pelo continente mãe é mesmo, o que difere é a estética sonora, eu sou mais orgânica, banda, ela menos.

Luedji no Cultura Inglesa Festival

O show acontece hoje, ao vivo, às 19 horas e estará disponível on demand até o dia 28 de Março.

Para mais informações, acesse o site oficial do Cultura Inglesa Festival.

   
 
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