25 Riffs dos Anos 2010
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Poucas coisas dizem mais sobre a música de uma determinada época do que os famigerados riffs.

Os fraseados que ditam o ritmo, tom, e muitas vezes até a melodia de canções que dominam as paradas ficam marcados por anos e anos e são eles que tornam aquelas músicas instantaneamente reconhecíveis, mesmo se ela não tiver um refrão tão grudento.

Vale lembrar, aliás, que pela definição do New Harvard Dictionary of Music um riff é uma “progressão de acordes ou refrão repetida na música”, de forma que pode ser “um padrão, ou melodia […] que forma a base ou acompanhamento da composição musical”.

É claro, portanto, que o próprio conceito em si foi variando muito ao longo dos anos e lá nos primórdios era muito mais difícil que tivemos os riffs como os conhecemos hoje, bem definidos e geralmente mais escancarados ao ouvinte geral.

É esse o objetivo dessa próxima série de listas que montaremos aqui no TMDQA!: promover um passeio pela história da música por meio dos riffs, celebrando desde os anos 1950 onde eles eram pouco comuns até os anos 2010, e sem se limitar a um único estilo ou instrumento.

Começamos as décadas de 50, 60 e 70 com apenas 20 riffs em cada lista, mas nas análises desde 1980 tivemos que expandir esse número pois eles se tornaram cada vez mais comuns.

Vale ressaltar ainda que, antes, estávamos selecionando riffs que “mudaram a história”. Desde que chegamos aos anos 2000, percebemos que ainda é muito pouco tempo para dizer qual o impacto destes na história da música — portanto, escolhemos linhas que marcaram época para aquela década e para hoje, que falaremos da recém-finalizada década de 2010.

Confira a nossa seleção logo abaixo (em ordem cronológica) e relembre as outras listas que fizemos:

Deftones – “Rocket Skates” (2010)

“Rocket Skates” é um dos grandes clássicos do Deftones, que trouxeram muitas inovações sonoras nas décadas de 90/2000 (em especial com White Pony) mas começaram a caprichar de fato nos riffs com a chegada de Diamond Eyes, expandido ainda mais com canções como “Swerve City” em Koi no Yokan (2012).

Two Door Cinema Club – “What You Know” (2010)

O Indie que começou a surgir com força nos anos 2000 teve seu auge no começo da década de 2010, e o Two Door Cinema Club é uma das grandes representações do que foi esse estilo que dominou as paradas por tanto tempo. “What You Know” reúne tudo que ele tinha de melhor: belos riffs (sim, no plural!), ótima linha de baixo e uma vibe bem dançante.

The Black Keys – “Lonely Boy” (2011)

Dan Auerbach é considerado um dos grandes gênios modernos da guitarra e seu estilo de Rock que remete às influências do Blues que deram origem ao gênero foi um dos maiores responsáveis pelo sucesso do Black Keys, que comandou festivais ao redor do mundo depois que o marcante riff de “Lonely Boy” grudou na cabeça de todo mundo.

Foo Fighters – “Walk” (2011)

Presença garantida na lista, a única dificuldade foi escolher qual riff dos Foo Fighters deveria aparecer por aqui. A escolha por “Walk” vem justamente pela linha dela destoar tanto do resto que a banda fez, inclusive das também ótimas “Rope”, “White Limo” e até mesmo “Run”, ao trazer uma pegada mais radiofônica sem perder a característica sonoridade dos caras.

M83 – “Midnight City” (2011)

Como sempre dizemos nesse especial de riffs, não é só na guitarra que eles aparecem. O sintetizador de “Midnight City” nos dá uma daquelas linhas que todo mundo já ouviu em algum momento na vida e sabe cantarolar, mesmo que não conheça o M83 ou seja fã do estilo mais Synth Pop do grupo. Marcante!

St. Vincent – “Cruel” (2011)

Annie Clark é uma artista completa e, como todas que se encaixam na descrição, tem um grande hit em sua carreira. “Cruel” mostra a musicalidade dela em seu melhor ao desenvolver um riff extremamente simples mas grudento como poucos, abrindo espaço para outros momentos de genialidade da St. Vincent.

Fresno – “Diga, Pt. 2” (2012)

O riff que abre “Diga, Pt. 2” é uma pancada sem igual na música brasileira, e a canção virou um hino para mostrar como o Emocore brasileiro pode ir muito além do preconceito que tantos tiveram com o gênero por aqui. No vídeo acima, gravado ao vivo, você percebe instantaneamente a reação ensandecida do público ao ouvir os primeiros acordes. É disso que estamos falando quando citamos riffs inesquecíveis!

Gary Clark, Jr. – “Bright Lights” (2012)

Um dos últimos suspiros de Blues Rock no mainstreamGary Clark, Jr. se tornou referência na guitarra depois do sucesso do single “Bright Lights”, que tal qual o gênero costumava fazer em seus primórdios traz uma linha simples, grudenta e abarrotada de groove.

Gojira – “L’enfant Sauvage” (2012)

Dentro do Metal, poucas bandas inovaram mais nos últimos anos do que os franceses do Gojira. “L’enfant Sauvage” é o exemplo perfeito disso — ainda que a banda tenha feito algo talvez até mais marcante em “Stranded” — por ter mostrado ao mundo todo o talento dos caras em utilizar a complexidade rítmica como recurso em suas canções.

Alice in Chains – “Stone” (2013)

Quando o Alice in Chains anunciou seu retorno, muita gente não sabia o que esperar sem a presença de Layne Staley. É bem difícil que qualquer fã tenha imaginado o que os caras entregaram desde Black Gives Way to Blue, mas foi em “Stone” que eles expandiram a sonoridade de vez. A canção faz jus ao nome e mostra uma forte influência do Stoner logo de cara, com um dos riffs mais icônicos de toda a carreira do grupo.

Arctic Monkeys – “Do I Wanna Know?” (2013)

Você pode até não curtir tanto “Do I Wanna Know?”, mas é bem provável que esse riff seja o mais reconhecível de toda a última década para o público em geral. A canção do Arctic Monkeys transcendeu o Indie Rock e talvez seja a representação do auge máximo do gênero, que de lá pra cá tem perdido um pouco de espaço.

Black Sabbath – “God Is Dead?” (2013)

Bem como no caso da reunião do Alice in Chains, muitos tinham suas ressalvas sobre a formação reunida do Black Sabbath lançar um novo disco. “God Is Dead?” é a prova de que quem é rei não perde a majestade, e Tony Iommi mostra com diversos riffs durante a canção por que é o verdadeiro (e único!) pai do Metal.

Charlie Brown Jr. – “Meu Novo Mundo” (2013)

“Meu Novo Mundo” é, mais do que um belo riff, uma linha emocionante para quem acompanhou a carreira do Charlie Brown Jr. por tudo que ela significa, com o falecimento de Chorão Champignon com um pequeno intervalo. A canção — muito por conta da guitarra, justamente — virou um símbolo de tudo que o grupo representou e representa até hoje.

Daft Punk – “Get Lucky” (2013)

Um dos maiores sucessos da última década, “Get Lucky” foi um susto para quem acompanhava o Daft Punk e esperava provavelmente qualquer coisa dos caras menos o que a música entregou. O resgate da guitarra disco de Nile Rodgers fez até o próprio guitarrista do Chic voltar com tudo aos festivais ao redor do mundo, então é impossível deixar a canção de fora.

Far From Alaska – “Thievery” (2014)

Talvez o melhor riff brasileiro da última década, “Thievery” foi o cartão de visitas para o Far From Alaska se estabelecer como grande referência da nova geração do Rock por aqui. A guitarra cheia de efeitos e soando quase robótica em meio às influências de Stoner e às quebradas implementadas na linha resumem bem o trabalho incrível da banda do Rio Grande do Norte.

Jack White – “Lazaretto” (2014)

Jack White é uma máquina de riffs e todo mundo sabe disso. Escolher apenas um do cara é tarefa quase impossível, e por mais irônico que seja a canção escolhida é justamente uma em que a linha surge no baixo. Mas, vamos lá, não tinha como deixar “Lazaretto” de fora!

Mastodon – “The Motherload” (2014)

Outra enorme referência quando se fala de riffs, o Mastodon tem uma sonoridade extremamente única que transita entre várias vertentes do Rock e do Metal e não é à toa que “The Motherload” é a segunda música mais ouvida dos caras. Dá até pra rebolar ouvindo esse riff! Não acredita? Veja o clipe.

Bring Me the Horizon – “Happy Song” (2015)

Para dividir opiniões é preciso primeiro ser relevante o suficiente, e isso mostra a grandeza que o Bring Me the Horizon adquiriu nos últimos anos quando mudou radicalmente de sonoridade e de atitude. “Happy Song” traz um riff que serve como exemplo de que a banda não abandonou suas raízes no Metal, ainda que tenha tornado tudo que faz mais palpável e explorado novos sons nos últimos trabalhos, ajudando na chegada ao mainstream com força.

Coldplay – “Adventure of a Lifetime” (2015)

É difícil classificar o Coldplay, já que entraremos em uma discussão quase infinita se formos discutir se a banda é de Rock ou não. Mas nem precisa disso: o fato é que a guitarra de “Adventure of a Lifetime” faz inveja em muito músico de Rock ao apresentar um dos riffs mais grudentos da última década, além de ser bom o suficiente para ser repetido por várias e várias vezes sem cansar o ouvinte.

Elza Soares – “Maria da Vila Matilde” (2015)

A sonoridade que Elza Soares trouxe em A Mulher do Fim do Mundo é tão única que é impossível definir, mas não é nem um pouco difícil exaltar o trabalho conjunto que transformou “Maria da Vila Matilde” em um dos marcos da música brasileira nesta década graças à voz de Elza e, claro, aos riffs que transitam pela canção — muitas vezes acompanhando a linha da própria cantora.

BaianaSystem – “Lucro (Descomprimindo)” (2016)

Usar a guitarra baiana em suas canções é uma das coisas que torna o BaianaSystem tão único, e a linha desta em “Lucro (Descomprimindo)” é das mais icônicas do Brasil e mostra que é possível, sim, dançar ao som de um instrumental. Ou vai dizer que você só começa a dançar quando entra a voz?!

Childish Gambino – “Redbone” (2016)

O riff de “Redbone” não é exatamente de Childish Gambino, mas grande parte da arte que envolve o Rap está em usar os samples de maneira genial. E é exatamente isso que ele faz na canção ao pegar a linha de “I’d Rather Be with You”, da Bootsy’s Rubber Band, e recontextualizá-lo de maneira incrível.

Paramore – “Hard Times” (2017)

A mudança de sonoridade do Paramore em After Laughter não é tão drástica assim para quem veio acompanhando a trajetória do grupo, mas é fato que “Hard Times” mostrou uma nova cara ainda mais interessante e ajudou a banda a transcender os rótulos do passado. O riff alegre e dançante gruda na cabeça e dá o tom para toda a canção, que fala de tempos difíceis em meio a tudo isso.

Billie Eilish – “bad guy” (2019)

Reconhecer o impacto de Billie Eilish na música nesses últimos tempos é algo quase objetivo, já que a jovem cantora tem influenciado centenas (talvez milhares) de artistas a darem seus primeiros passos. Dito isso, o riff de baixo que comanda “bad guy” praticamente do começo ao fim é daqueles que todos lembraremos ao ouvir daqui 20, 30 ou mais anos. Pode anotar.

TOOL – “7empest” (2019)

Talvez o disco mais aguardado da última década, Fear Inoculum mostra o TOOL em sua melhor forma — a de sempre — e, especialmente para o guitarrista Adam Jones, isso implica em diversos riffs excelentes. Só em “7empest”, o catálogo de temas durante os 15 minutos de duração já é impressionante o suficiente, mas ela serve apenas como exemplo para o trabalho no álbum como um todo.