20 Riffs dos Anos 70
Fotos via Wikimedia Commons e Reprodução/Facebook

Poucas coisas dizem mais sobre a música de uma determinada época do que os famigerados riffs.

Os fraseados que ditam o ritmo, tom, e muitas vezes até a melodia de canções que dominam as paradas ficam marcados por anos e anos e são eles que tornam aquelas músicas instantaneamente reconhecíveis, mesmo se ela não tiver um refrão tão grudento.

Vale lembrar, aliás, que pela definição do New Harvard Dictionary of Music um riff é uma “progressão de acordes ou refrão repetida na música”, de forma que pode ser “um padrão, ou melodia […] que formam a base ou acompanhamento da composição musical”.

É claro, portanto, que o próprio conceito em si foi variando muito ao longo dos anos e lá nos primórdios era muito mais difícil que tivemos os riffs como os conhecemos hoje, bem definidos e geralmente mais escancarados ao ouvinte geral.

É esse o objetivo dessa próxima série de listas que montaremos aqui no TMDQA!: promover um passeio pela história da música por meio dos riffs, celebrando desde os anos 1950 onde eles eram pouco comuns até os anos 2010, e sem se limitar a um único estilo ou instrumento.

Hoje, então, vamos revisitar a década de 1970 — para muitos, a era de ouro dos riffs já que o Rock e o Punk estavam mais em evidência do que nunca, além de termos bandas dando os primeiros passos no Heavy Metal!

Black Sabbath – “Paranoid” / “Iron Man” (1970)

Depois de uma estreia impressionante com o álbum homônimo, o Black Sabbath expandiu mais ainda sua sonoridade no mesmo ano e caprichou nos riffs para o disco Paranoid. Por isso, pedimos desculpa por “roubar” na lista mas é impossível escolher um só entre a faixa-título e a icônica “Iron Man”!

Derek and the Dominos – “Layla” (1970)

Em mais um exemplo claríssimo de sua genialidade, Eric Clapton nos presenteou no ano de 1970 com um dos riffs mais recheados de sentimento que podemos ouvir até hoje. Lá nos anos 90, a incrível “Layla” voltaria a ser explorada com maestria pela lenda da guitarra na versão acústica, rendendo inclusive um Grammy ao músico.

Led Zeppelin – “Black Dog” (1971)

Jimmy Page é sinônimo de riff e até os dias atuais a impressionante guitarra de “Black Dog” é uma das mais marcantes do enorme catálogo de Led Zeppelin quando se diz respeito a “riffs absolutamente sensacionais”. Spoiler: tem mais Led na lista ainda!

Blue Öyster Cult – “Cities on Flame with Rock and Roll” (1972)

É claro que a maioria das pessoas lembra do Blue Öyster Cult com “Don’t Fear (The Reaper)”, e sem dúvidas o riff desta também estaria nessa lista se tivéssemos um pouco mais de espaço. Mas lançar um disco como a estreia dos caras em 1972 e trazer um riff tão incrível como o de “Cities on Flame with Rock and Roll” não é pra qualquer um, e a mistura entre as influências dos anos 60 com o Heavy Metal que vinha surgindo leva o título por aqui.

Deep Purple – “Smoke on the Water” (1972)

Talvez — aliás, muito provavelmente — o riff de “Smoke On the Water” seja o mais tocado da história, pelo menos dentro do Rock. A lendária canção do Deep Purple é uma das preferidas dos iniciantes na guitarra, e não à toa: sua facilidade não apaga o quanto ele é reconhecível instantaneamente.

Novos Baianos – “Tinindo Trincando” (1972)

A impressionante mistura da música brasileira com a guitarra do Rock que encantou os fãs do gênero em terras nacionais foi um dos grandes marcos de Acabou Chorare, e não há melhor exemplo disso do que a incrível “Tinindo Trincando”, cujo riff parece quase um solo mas não deixa de se repetir de forma temática na canção.

Pink Floyd – “Money” (1973)

Apesar de todo o seu sucesso, o Pink Floyd nunca foi muito de usar riffs em suas composições — ainda que o faça com maestria sempre que decida por isso. Ainda assim, em “Money”, temos um dos maiores da história e talvez o primeiro grande sucesso da música a usar um compasso diferente do tradicional 4/4 em seu tema.

Lynyrd Skynyrd – “Sweet Home Alabama” (1974)

Depois do sucesso de seu álbum de estreia, em especial do hino “Free Bird”, o Lynyrd Skynyrd não teve dificuldades para repetir a receita e foi muito graças ao seu riff que “Sweet Home Alabama” foi eternizada na história do Rock. Curiosidade: a banda não tem nenhuma relação com o estado do Alabama, e a canção surgiu como uma resposta a “Alabama”, de Neil Young — daí o título.

Death – “Rock-N-Roll Victim” (1975)

Apesar de só ter sido lançado oficialmente em 2009, …For the Whole World to See estava gravado desde 1975 e “Rock-N-Roll Victim” é uma das canções mais impressionantes do sensacional Death. A mistura perfeita de Garage Rock com as influência dos anos 60 resulta em uma das melhores versões embrionárias do Punk. Se você não conhece os caras, temos um especial incrível sobre eles bem aqui!

Led Zeppelin – “Kashmir” (1975)

Se “Money” do Pink Floyd foi uma das primeiras canções a explorar uma fuga do padrão rítmico 4/4 do Rock, “Kashmir” viu o Led Zeppelin expandir isso ainda mais já que é o exemplo mais claro e bem-sucedido de uma poliritmia. O recurso certamente impressiona, mas o que mais nos deixa de queixo caído é conseguir transformá-la em algo tão marcante mesmo com essa complexidade. Incrível!

Aerosmith – “Walk This Way” (1975)

Além do sucesso estarrecedor como single de Toys in the Attic, “Walk This Way” atingiu um outro patamar de fama quando anos depois foi regravada com participação de Run-DMC, em uma das primeiras parceiras entre o Rap e o Rock da história. Não podia faltar!

Queen – “Bohemian Rhapsody” (1975)

A verdade é que praticamente todas as músicas do Queen poderiam garantir um lugar por aqui, como “Tie Your Mother Down” ou “Don’t Stop Me Now”. Mas “Bohemian Rhapsody” nos proporciona uma situação legal: depois de mais de 4 minutos de canção é que aparece o inesquecível riff de Brian May, trazendo uma catarse que simplesmente não existiria se ele acontecesse desde o começo. Baita recurso, hein?

Kansas – “Carry On Wayward Son” (1976)

Claro que a voz de Steve Walsh faz “Carry On Wayward Son” ser reconhecível logo no primeiro segundo, mas sem dúvida o riff que dita o ritmo de praticamente toda a música com exceção dos versos está entre os preferidos de diversos guitarristas ao redor do mundo. Uma verdadeira obra prima!

Heart – “Barracuda” (1977)

Heart quebrou diversas barreiras nos anos 70, e “Barracuda” foi uma das grandes responsáveis por criar uma espécie de gênero que transitava entre o Hard Rock, o Folk Rock e o Heavy Metal, trazido justamente pelo riff da faixa. Uma mistura extremamente característica e que praticamente nunca mais foi repetida com a mesma qualidade.

Caetano Veloso – “Odara” (1977)

Com o tempo, conforme os shows de Caetano Veloso foram mudando de cara, a icônica linha de baixo de “Odara” acabou se perdendo e muita gente não se lembra de quanto ela era boa e marcante, especialmente pelo pioneirismo de usar o instrumento para fazer o riff. Créditos para Arnaldo Brandão, responsável pela obra.

Van Halen – “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love” (1978)

Apesar da inesquecível abertura do disco de estreia do Van Halen com o riff de “Runnin’ with the Devil”, o riff de “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love” certamente envelheceu melhor e mostra algumas das características que fizeram a banda se destacar em meio à geração da época.

Dire Straits – “Sultans of Swing” (1978)

É impossível falar de guitarra sem citar Mark Knopfler, um dos músicos mais únicos do ramo e que exibiu toda a sua maestria logo no primeiro disco do Dire Straits quando compôs a impressionante “Sultans of Swing”. Além do riff marcante, é sempre bom ressaltar o incrível solo como um dos maiores da história do Rock.

AC/DC – “Highway to Hell” (1979)

O legado dos irmãos Angus Malcolm Young para a guitarra é algo que jamais será apagado, e sem dúvidas “Highway to Hell” é um dos grandes exemplos disso. A canção de 1979 certamente é daquelas que só de ouvir o primeiro acorde você já reconhece, e o vocal de Bon Scott também ajuda a eternizar a canção.

Motörhead – “Dead Men Tell No Tales” (1979)

Antes de estourar com “Ace of Spades”, o Motörhead do saudoso Lemmy Kilmister já construiu um belo nome pra si com seus discos anteriores e Bomber (1979) é um dos preferidos do público até hoje. É lá que está o inesquecível riff de “Dead Men Tell No Tales”, juntamente com outros tão bons quanto como “Stone Dead Forever” e a própria faixa-título.

The Clash – “London Calling” (1979)

Em “London Calling”, por mais que a guitarra seja bem marcante, é o baixo de Paul Simonon que traz um dos riffs mais sensacionais do Punk e, claro, da história da música também. Bem perto do final da década, o The Clash dava o tom do que viria por aí nos anos seguintes. Difícil encerrar essa lista de um jeito melhor!

Nos vemos nos anos 80!

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