Aerosmith - São Paulo Trip
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

“Let’s Go!” (“Vamos lá!”) canta a primeira música do Def Leppard em São Paulo. Com um palco cheio de luzes e painéis feitos de caixas de som, os britânicos abrem as portas da era oitentista para o público de maioria jovem.

Logo de início, eles mostram que apesar de vivermos a era do pop e do rap, sempre tem espaço para um bom solo de guitarra e baladas da época.

A passarela montada no palco, especialmente para o headliner do dia, os americanos do Aerosmith, não se mostra um obstáculo para o Def Leppard. Pelo contrário, com ela, quase esquecemos que não estamos em um show solo.

Entre palmas, beijos e agradecimentos, Joe Elliott e Phil Collen, ótimo guitarrista que esbanja saúde e riffs, animam o Allianz Parque em pleno domingo à noite.

Entre hits dos anos 80 e músicas lançadas há dois anos, o Def Leppard traz uma sensação de teletransporte para uma época em que muitos não vivemos. Não é preciso estar nos seus 40 ou 50 anos para ter um gostinho de como era entregar-se a uma boa música naquela época.

Com sucessos como “Hysteria”, “Pour Some Sugar On Me” e “Rock of Ages”, eles não deixam sequer uma pessoa no público sem cantar ou dançar. Até mesmo aqueles que não foram necessariamente para assistir aos caras se animam e se encantam com a cenografia criada no palco e com a voz de Elliott.

Aos 58 anos, o vocalista mostra que sim, é possível manter a postura, animação e talento que conquistou tantos fãs nas décadas de 70 e 80.

Joe não conversou muito, mas sempre estava pedindo para que todos fizessem mais barulho enquanto ia e voltava da passarela com algum companheiro de banda.

O ápice do show foi o solo da bateria. Após perder seu braço em 1984 em um acidente de carro, Rick Allen surpreende. Carregando a bandeira britânica em sua roupa, o baterista mostra que não há limites para seu talento.

Entre gritos de admiração e de surpresa, a banda conseguiu fazer com que os presentes passassem a se interessar mais por ela a cada canção que era executada, e momentos como as românticas “Love Bites” e “Bringin’ On The Heartbreak” trouxeram passagens de calmaria a tanta animação.

Esbanjando seu corpo sarado (no caso de Phil) e longos cabelos loiros (Joe Elliott e Vivian Campbell, guitarrista), os integrantes do Def Leppard encerraram seu show com a grandiosa “Photograph” dando espaço para Steven Tyler e companhia continuarem a grande noite.

 

Aerosmith

Aerosmith - São Paulo Trip
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Com quase meia hora de atraso, as asas que carregam o logotipo da banda aparecem e se acomodam no telão já agitando o público. Após uma curta retrospectiva do grupo, com fotos de bastidores, shows e capas de CDs, Steven Tyler e Joe Perry surgiram na passarela do palco do SP Trip.

“Let The Music Do The Talking” definiu bem, em seu nome, como seria a noite com grandes performances de grandes artistas.

Apesar da maioria estar carregando o nome da banda em sua camiseta, Steven Tyler conseguiu surpreender até o maior dos maiores fãs. Seu alcance vocal provocava arrepios e sorrisos a cada música que passava.

Em “Cryin’”, não havia um celular que não estava para cima tentando capturar cada segundo da performance. Seguindo para “Livin’ On The Edge” e “Rag Doll”, Tyler dominava o palco. Em todo espaço que tinha, ele pulava, cantava, dançava e posava para fotos.

Ao passar o microfone para seu companheiro Joe Perry, a banda mostrou seu lado “bad boy from Boston” com influências de blues nas faixas “Stop Messin’ Around” e “Oh Well”, ambas covers de Fleetwood Mac.

Antes de envolver o público com o hit “Crazy”, a banda mostrou o segredo de sua longa carreira: a química entre os integrantes. Perry na guitarra e vocal, Tyler na gaita, Tom Hamilton no baixo, Joey Kramer na bateria e Brad Whitford na guitarra são astros em sua arte, ainda que estejam pensando em encerrar as atividades.

Com alguns minutos de destaque para cada um dos instrumentos, a banda embalou os hits “I Don’t Wanna Miss A Thing”, “Sweet Emotion” (com um trechinho de “Hole In My Soul”) e o bis que começou com “Dream On”, sendo essa o ápice do show, quando Tyler toca seu piano e Perry o invade, subindo no instrumento e contagiando o público com uma grande performance.

Um momento inusitado surgiu logo antes do cover de “Come Together” dos Beatles. Uma fã subiu ao palco e se juntou a Tyler no microfone, onde o abraçava, beijava e tirava uma selfie com ele.

O frontman não deixou dúvidas quanto a sua posição como um dos maiores vocalistas e artistas do rock and roll até hoje. Entre deitar e rolar no chão, correr, pular, brincar com os fotógrafos e interagir com os fãs sempre que possível, Steve Tyler é uma força que não pode e nem deve ser contida. E seus colegas o acompanham.

Em tempo, após o show de São Paulo o vocalista Steven Tyler voltou para os EUA por conta de um problema de saúde e o Aerosmith foi obrigado a cancelar o show que faria em Curitiba amanhã (27).

Setlist do Aerosmith no São Paulo Trip (24/09/2017):

1. Let The Music Do The Talking
2. Love In An Elevator
3. Cryin’
4. Livin’ On The Edge
5. Rag Dog
6. Stop Messin’ Around (Fleetwood Mac)
7. Oh Well (Fleetwood Mac)
8. Crazy
9. I Don’t Wanna Miss A Thing
10. Mama Kin
11. Come Together (The Beatles)
12. Sweet Emotion
13. Dude

BIS
14. Dream On
15. Mother Popcorn
16. Walk This Way

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