“Computadores fazem arte, artistas fazem dinheiro”. Com esse verso icônico do Manguebeat, Chico Science e Fred 04 escancararam o fato de que todo músico também visa o lucro, algo natural numa indústria que já tem poucos incentivos.

Como sabemos, bandas e artistas que fazem sucesso com os primeiro álbuns passam a sofrer pressões de todos os lados para fazerem algumas concessões, pensando em deixar suas canções mais acessíveis e “vendáveis”.

Mas a história da música mostra que é possível abraçar novas tendências e popularizar um som sem perder a liberdade artística, e isso já aconteceu com nomes como David Bowie, Paramore, Slipknot, Lorde e mais.

Inspirado por esta lista da Far Out, o TMDQA! reuniu 10 grupos, cantores, cantoras ou rappers que “se venderam”, no bom sentido da coisa, e acabaram abrindo um novo caminho para suas próprias carreiras. Veja abaixo!

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10 bandas e artistas que “se venderam” e continuaram bons

Nas

Como te contamos neste artigo especial, Illmatic (1994), o álbum de estreia do rapper Nas, revolucionou a cena do Hip-hop justamente ao fugir do “Gangsta Rap” que fazia sucesso com a disputa entre músicos da Costa Leste e Costa Oeste dos EUA.

Mas numa época em que as rádios determinavam o que era popular, Nas teve que se adaptar ao que fazia sucesso. Seu segundo disco, It Was Written (1996), já traz parcerias com nomes como Lauryn Hill, Dr. Dre e Mobb Deep – e a maioria funciona muito bem.

David Bowie

A alcunha de “camaleão” de Bowie já diz tudo. Sempre atento às tendências musicais, o lendário músico inglês nunca precisou exatamente “se vender”; na verdade, ele determinava o que iria vender, e fazia isso apenas pela experimentação.

Tivemos a fase Artpop de Hunky Dory (1971), o Glam de Ziggy Stardust (1972), o R&B de Young Americans (1975), a Eletrônica de Low (1977), o Disco de Let’s Dance (1983) e o Jazz de Blackstar (2016). Tá bom ou quer mais?!

Cage The Elephant

Quando surgiu lá em 2006, a banda americana fazia um som sujo e psicodélico, e a persona do vocalista Matt Shultz no palco rendia comparações com Kurt Cobain. Aliás, o disco de estreia autointitulado, de 2008, foi justamente influenciado por Nirvana e Pixies.

Aos poucos, o Post-Punk foi dando espaço para o Indie, o Blues e até algumas baladinhas Pop Rock, caso do (ótimo) novo single “Neon Pill” – mas sempre com muita atitude, belas letras e um nível de produção altíssimo.

Slipknot

Eles podem até continuar mascarados nos shows, mas o sucesso que fizeram nas últimas três décadas tornou impossível esconder as identidades de músicos tão incríveis como Corey Taylor, Mick Thomson e Shawn Crahan.

Além disso, há uma diferença enorme entre o peso e a estranheza de Iowa (2001), que lembrava o groove-gutural do Sepultura, e o álbum seguinte Vol. 3: The Subliminal Verses (2004), que já trouxe trechos mais melódicos no meio da gritaria de “Duality” e “Before I Forget”, por exemplo.

Lorde

Com seu primeiro disco Pure Heroine (2013), Lorde criou um hype altíssimo em torno da sua música, já que ninguém àquela altura tinha visto uma cantora de apenas 16 anos fazer uma música Pop tão disruptiva, com elementos eletrônicos do Dark e Dream Pop.

Nos intervalos de quatro anos que precisou para lançar Melodrama (2017) e Solar Power (2021), a artista se abriu para letras e melodias mais “solares”, com menos críticas sociais e mais levadas de Folk e Indie.

Paramore

Quando os irmãos Farro deixaram a banda em 2010, a vocalista Hayley Williams poderia ter tomado o caminho “mais simples” e lançado sua carreira solo. Mas ela preferiu experimentar novos estilos ao lado dos companheiros que ficaram.

A partir do álbum autointitulado de 2013, o Paramore abraçou a New Wave e o Synth Pop, e os discos After Laughter (2017) e This Is Why (2023) trouxeram uma chuva de hits sem perder a energia do Pop Punk dos primórdios.

Aerosmith

Ícones do Hard Rock mais ligado às raízes do Blues, o Aerosmith sofreu nos anos 1980 quando o estilo se tornou mais Pop com bandas como Bon Jovi e Guns N’ Roses, e o grupo até chegou a se desfazer por cinco anos.

Mas com a volta de Joe Perry em 1984, Steven Tyler não pensou duas vezes, convidou produtores que já tinham trabalhado com o Kiss e lançou o disco Permanent Vacation (1986), que tem músicas chiclete como “Dude (Looks Like a Lady)”, “Angel” e “Rag Doll”. Vai dizer que você ouve essas sem cantar junto?

Black Sabbath

Ficar sem Ozzy Osbourne era algo inimaginável para o Black Sabbath, mas quando isso aconteceu, em 1979, os membros remanescentes encontraram a solução perfeita na figura de Ronnie James Dio.

Além da voz incrível, o vocalista com passagens por Elf e Rainbow trouxe um toque mais Hard Rock para os riffs sinistros de Tony Iommi, e os pais do Heavy Metal conseguiram manter sua relevância com o clássico Heaven and Hell (1980).

Fleetwood Mac

O resgate da deliciosa baladinha “Dreams” recentemente é uma mostra da versatilidade do Fleetwood Mac, que estourou no final de década de 1960 como o principal nome do Blues Rock no Reino Unido.

Com as entradas de Christine McVie, Stevie Nicks e Lindsey Buckingham, o grupo se tornou um caldeirão com Folk, Pop Rock e Artpop como ingredientes, e o disco Rumours (1977) ficou no topo da Billboard por 31 semanas.

Queen

Hoje conhecemos a banda de Freddie Mercury por faixas orquestradas e teatrais como “Bohemian Rhapsody” e “Don’t Stop Me Now”, mas até o fim dos anos 1970 o Queen estava muito mais para o lado do Hard Rock e até do Heavy Metal.

Foi com The Game (1980) que a banda se livrou da inibição, usou sintetizadores pela primeira vez, incorporou Michael Jackson em “Another One Bites the Dust” e Elvis Presley em “Crazy Little Thing Called Love”, e o resto é história.

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