Francisco el Hombre
Foto: Divulgação
 

O início de qualquer tipo de jornada sempre é a parte mais difícil. O peso da decisão, o medo do fracasso e as incertezas de um novo caminho sempre pesam muito na hora de subir a metafórica escada para o sonho. Mas, de repente, as coisas finalmente se mostram ao seu favor, após ter seu esforço devidamente reconhecido.

O interessante é que, mesmo assim, a tal escada não termina. Alguns se dão por satisfeitos por chegar a determinado degrau, mas aqueles com muita força de vontade continuam subindo e conquistando cada vez. Um exemplo disso é a inventiva Francisco, el Hombre.

Com mais de cinco anos de estrada e dois álbuns lançados, a banda paulistana conquistou o status de ser uma das mais aclamadas da nova cena nacional. Nesse tempo, adquiriu uma base crescente de fãs, impressionados com uma estética que dança sobre elementos de rock, música latina e MPB. Não à toa, a banda costuma fazer shows incríveis, repletos de movimento e energia.

Por falar nesses shows, a banda se apresenta nos próximos dias 9 e 10 (terça e quarta) de Julho no Sesc Pompeia, em São Paulo. Os shows focarão no mais recente disco da Francisco, o pulsante RASGACABEZA. O preço dos ingressos varia entre 6 e 20 reais!

Aproveitando a ocasião e o crescimento na cena, questionamos a banda sobre momentos marcantes vividos na estrada. As respostas abaixo são do baixista Rafael Gomes:

 

1 – Cruzar a Cordilheira dos Andes de carro

A veia latina da banda pulsa forte quando o assunto diz respeito a shows. Imagine você, integrante de uma banda ainda pequena, viajar por conta própria para outro país. A Francisco, caro leitor, tem história para contar nesse quesito.

Nessa época fazíamos a maioria dos shows acústicos, então a gente saiu de Campinas, e fomos dirigindo até Valparaíso, no Chile. A gente fazia show em hostel em troca de hospedagem. A gente fazia show em restaurante em troca de comida e, muitas vezes, passava chapéu na praça para pagar a gasolina para chegar no próximo roteiro. Quando chegamos no Chile, tivemos problema com documentação. Tivemos que deixar o carro no meio da fronteira e pedir carona.

 

2 – Turnê no Nordeste de carona

Muita banda nova foca apenas em sua localidade, na zona de conforto. Eles foram além. Concebidos como banda na cidade de São Paulo, eles já fizeram shows em todo o país, divulgando seu tão característico som latino-rock-MPB.

A turnê toda foi de carona. Pensamos em ir para os Estados Unidos fazer turnê, porém, quando vimos os gastos, resolvemos chutar o balde e comprar umas passagens para o Nordeste. Lá pedimos carona para ir para outras cidades. Lembro de uma cena icônica:  estávamos na beira da estrada e cada um anotou o endereço do Hostel do show que seria à noite. Tivemos que nos dividir, pois ninguém daria carona para 5 pessoas, e tínhamos que chegar até o local do show no horário marcado.

 

3 – Indicação ao Grammy Latino na categoria de melhor canção em língua portuguesa

Lembra do que falamos sobre a escada dos sonhos no início do texto? Você não pode descansar até alcançá-lo, por mais distante que ele pareça. Em 2017, a canção “Triste, Louca ou Má” foi indicada ao Grammy Latino de Melhor Canção em Língua Portuguesa, concorrendo com Nando Reis, AnaVitória, Diogo Nogueira e Silva.

Não duvidamos que o sonho de Mateo Piracés-Ugarte, citado abaixo, logo aconteça.

Para a gente que começou tocando nas praças e em hostel, por mais que tivesse um sonho de reconhecimento, pensar no Grammy era algo muito distante. É até engraçado que na segunda turnê que estávamos fazendo de carro, o Mateo falou que tinha cravado um objetivo de vida, que era tocar no Grammy Latino. Então ser indicado já foi algo que nem esperávamos.

 

4 – Participação em festivais

Festivais são muito importantes para o mundo da música. Através deles, podemos conhecer novos artistas e ampliar nosso repertório musical. Em um mês só, a Francisco deve ter ampliado o repertório de muita gente, só através de passagens em grandes festivais:

Março de 2018 foi um mês muito marcante, pois em menos de 30 dias participamos de dois festivais muito icônicos. O Lollapalooza em São Paulo, e o Viva Latino no México. Então, para a gente, poder ser reconhecido em festivais em que várias bandas que gostamos tocaram, deu uma visibilidade incrível.

 

5 – Conhecer Marcelo D2 em Portugal

O céu é o limite para quem pensa grande! Imagine você, com sua banda, tocar no mesmo festival que um de seus maiores ídolos. Foi o que aconteceu com eles quando encontraram Marcelo D2 em Portugal. Ambos tocaram recentemente no mesmo dia no Festival MED, na cidade de Loulé.

Não só compartilhar alguns momentos com um ídolo nosso, mas tocar junto! Uma banda que, há cinco anos, passava chapéu, estava tocando em um festival na Europa com um ídolo da adolescência. Percebemos que estamos alcançando coisas que, anos atrás, pareciam inalcançáveis.