Entrevista: IZA comenta álbum “Dona de Mim”, convidados especiais e os aspectos visuais de seu trabalho

Após se apresentar no Rock In Rio, cantora está lançando seu aguardado disco

IZA
Foto: Divulgação
  

Entrevista por Nathália Pandeló Corrêa

O pop nacional vive um novo auge. Se nos últimos anos se tornou impossível fugir à onipresença de Anitta, uma outra leva de nomes já preenche um cenário que inclusive atrai artistas de outros nichos, como Luan Santana, Claudia Leitte e, mais recentemente, Wanessa Camargo. Em comum, eles trazem uma mescla de gêneros bem estabelecidos (como o sertanejo) ou ostracizados na mídia tradicional (como o funk carioca) com o trap, o dancehall e outras batidas. São produções pra encher pistas.

Nesse cenário, IZA já se estabelece como um dos nomes mais promissores. Direto de Olaria, no Rio de Janeiro, ela abandonou uma carreira em Publicidade para se dedicar exclusivamente à música. Dos barzinhos e covers postados no YouTube, começou a chamar atenção até que, em 2017, lançou uma versão de “I Put A Spell On You”, clássico eternizado na voz de Nina Simone, com produção classuda de Zé Ricardo. Foi também ele quem a convidou para o palco Sunset, do Rock In Rio, onde participou do show de CeeLo Green.

Tudo isso culmina no primeiro disco de IZA, lançado na última sexta-feira (27/04) pela Warner Music. O trabalho, previsto para alguns meses antes, acabou levando mais tempo para chegar ao mercado. O motivo, segundo a própria IZA, era o perfeccionismo e a vontade de garantir uma das participações de luxo do álbum: Ivete Sangalo. Além dela, “Dona de Mim” abre já com outros convidados: Rincon Sapiência (em “Ginga”); o DJ e produtor Ruxell (em “Bateu”); Marcelo Falcão (no hit “Pesadão”); e Carlinhos Brown e Glória Groove (em “Rebola”). Logo em seguida, em “É noix”, Thiaguinho divide os vocais com IZA.

Tantos reforços não tiram a intenção do álbum: de apresentar a artista enquanto uma nova voz no cenário pop, unindo diferentes estilos da black music. Ela vai do R&B ao reggae, do samba ao hip hop. Essa mescla também aparece no visual de IZA, que se descobre enquanto um ícone de estilo. Tanto que os figurinos de seus vídeos estiveram expostos durante a São Paulo Fashion Week.

No dia do lançamento de Dona de Mim, conversamos com IZA por telefone. Empolgada, a artista comentou esse novo momento na carreira.

TMDQA!: Oi, IZA. primeiramente, parabéns pelo lançamento do disco! Sei que esse processo de construção do primeiro trabalho envolve muitas coisas, e com isso acabaram tendo alguns atrasos até que ele chegasse ao público. Por que era importante pra você não apressar esse momento?

IZA: Obrigada! Porque eu queria que ele estivesse perfeito para estar na rua, sabe? Eu tinha a preocupação de que estivesse tudo certinho, como acontece com tudo que eu faço – os singles, os clipes. Sendo um disco então, nem sem fala. Também aconteceu de algumas músicas só estarem prontas mesmo agora na reta final do álbum, como a parceria com a Ivete. Eu queria muito que ela entrasse no disco, e tem todo um processo de enviar a música pra equipe dela, leva um tempo. Ela é muito acessível, uma profissional incrível e foi importante ter essa parceria no álbum. Por isso não quis abrir mão de lançar com a música.

TMDQA!: Mais que justo. Agora, já falando dos seus colaboradores, você teve a oportunidade de trabalhar com produtores diversos nos singles, dentro e fora do disco, do Zé Ricardo ao Ruxell. Como você diria que eles te ajudaram a talhar o seu som?

IZA: Todos eles me entendem muito. Com o Zé Ricardo foi muito legal, porque foi um pedido especial e “I Put A Spell On You” é uma música que eu amo cantar. Já o Ruxell é do trap, do afrobeat. Então eu busquei fazer coisas que gosto de cantar e também queria mostrar como a black music é rica. O disco tem coisas completamente diferentes, trap, blues, hip hop, samba – quer dizer, não o samba mais tradicional, mas tem cuíca, berimbau…

TMDQA!: Bem, tem o Thiaguinho.

IZA: Exatamente! Então eu queria mostrar que a black music é rica e colocar ali as coisas que ouvi minha vida inteira, que fazem parte da minha identidade.

TMDQA!: Aliás, realmente não tem como falar desse disco e não notar os convidados – Ivete, Thiaguinho, Carlinhos Brown, Rincon, Gloria Groove e até arranjos do Arthur Verocai. Alguns desses são nomes que a gente ouve há tempos, pessoas muito experientes. Você teve a oportunidade de aprender algo com eles nesse processo e que vai levar pra sua carreira, que está só começando?

IZA: Com certeza. Eu escolhi essas pessoas especificamente pensando no que a música precisaria, no que era melhor para a canção, mas também levando em conta quem eu admiro, quem eu quero ter por perto. Todos eles são pessoas que me inspiram e que influenciaram minha carreira de alguma forma. Isso foi muito importante na hora de escolher quem chamar para o álbum. Foi incrível ver a autenticidade do Rincon, o carisma da Ivete, o talento do Falcão, a generosidade do Carlinhos Brown, o brilhantismo da Gloria Groove, enfim… Todos eles trouxeram alguma coisa pra me ensinar.

TMDQA!: Mesmo com os convidados e os produtores, “Dona de Mim” de cara remete a um posicionamento forte, de você chegar e dizer, “Essa é a IZA”. De certa forma, é dar a cara a tapa, se expor. Como você se preparou pra esse momento – profissionalmente e até psicologicamente?

IZA: Eu acho que essa música, “Dona de Mim”, é um bom resumo do álbum. Todas as músicas falam sobre sexo, festa, liberdade. No fim, acho que ela reitera o nome do disco e tem tudo a ver com o que eu queria expressar. “Dona de Mim” reflete muito o momento que eu estou vivendo, feliz na vida pessoal e na profissional.

TMDQA!: Acho que dá pra dizer que tocar no Rock In Rio é o sonho de muito artista, e você já realizou isso. Parece que foi da noite pro dia, mas a gente sabe que você largou uma carreira pra se dedicar a essa, cantou muito em barzinho até chegar lá. Então agora que você já subiu naquele palco e ainda ao lado do CeeLo Green, o que seria um próximo patamar pra você, um marco na sua carreira que você almeja muito?

IZA: Nossa, tem tantas coisas incríveis que eu queria fazer ainda, tantos lugares a ir… Mas falando de Rock In Rio, foi uma experiência inenarrável me apresentar lá. Eu fiz uma participação no show do CeeLo, que foi um presente pra minha carreira e que se tornou meu amigo. Mas quem sabe eu não posso voltar ao festival num show meu, dessa vez convidando alguém? Seria demais!

TMDQA!: Com certeza. O disco tem uma sonoridade muito plural, e dá pra resumir esse caldeirão todo em música pop. Mas esse gênero vive a dicotomia de ser bastante popular, estar vivendo seu melhor momento dos últimos anos aqui no Brasil e ao mesmo tempo não ser levado tão a sério por certos formadores de opinião. Como você mostrou no I Put a Spell on You, você poderia ter ido por outro caminho que não esse, algo que te traria um outro “status”. O que te motiva a fazer música pop hoje?

IZA: Eu acho que na verdade… é o que eu gosto de fazer! Nesse álbum tem um pouco de blues, por exemplo, mas de uma forma que ainda é pop. E é possível fazer tudo ao mesmo tempo. Em “Você não vive sem”, toda minha voz tá mais grave – acho que não cantei tão grave assim. Em “Lado B”, minha voz tá mais alegre. Em “No Ponto”, está rouca, tem agudos também. O interessante é entender que o estilo musical não prende a voz de ninguém. E dá pra você se situar em todos os estilos sem perder a essência.

TMDQA!: Tá certo. Agora, sobre um outro aspecto do seu trabalho. Em geral, quando comentam os looks de uma artista, é uma forma de reduzi-la à aparência. Mas não é o seu caso, porque você está tornando isso uma força visual da sua identidade artística. Queria saber como aconteceu das peças irem dos seus clipes direto para a São Paulo Fashion Week! E esse cuidado visual com o trabalho vem do seu background de publicidade?

IZA: Com certeza! Eu entendo que a parte visual é tão importante quanto a minha música, para mim e para o meu público – tudo isso comunica, argumenta. A Bianca Jahara é a minha stylist e entende muito bem o que eu gosto, e sei bem o que eu quero passar com as peças. Eu nunca falei sobre isso, mas sempre amei moda e quando era mais nova, eu mesma desenhava algumas roupas, tenho até hoje alguns desenhos (risos). Sempre achei incrível, e tenho tido mais noção do que gosto de vestir. A Bia me ajudou muito a externalizar isso e acabou se tornando uma parte importante do trabalho. Talvez por isso tenham se interessado pelas peças dela e levaram para serem expostas na São Paulo Fashion Week, que é um evento importantíssimo frequentado por pessoas conceituadas dentro do mundo da moda, então é uma honra ter um pedacinho do meu trabalho fazendo parte disso.

TMDQA!: Sem dúvida, e já é um ótimo começo pra o seu trabalho. Obrigada, IZA, e sucesso pra você!

IZA: Obrigada!

 
Compartilhar

Comentários