Nos anos 90, a axé music serviu de combustível para um mercado fonográfico faminto, arrogante e ambicioso. Era o início da queda da primeira explosão comercial do sertanejo, consolidada na segunda metade daquela década, dando espaço para a fênix em forma de sertanejo universitário nos anos 2000.

Rivalizado apenas pelo pagode, o axé era a menina dos olhos das gravadoras, encantadas pelo poder de mobilização e vendagens de Ivete Sangalo e Banda Eva, Daniela Mercury, Chiclete com Banana, Asa de Águia e fenômenos como É o Tchan, Terrasamba e Companhia do Pagode. E o que surgiu como arte, inovação e resistência nos tempos de Dodô e Osmar perdeu-se nas vitrines voláteis do pop. As cordas separatistas dos trios tornaram-se símbolo do classismo e do racismo, e a expressão “música baiana” tornou-se sinônimo de batuque em produção serial – uma injustiça sem par, que aos poucos começa a ser reparada.

Hoje chega a todas as plataformas digitais Duas Cidades, o segundo álbum do BaianaSystem. Lançado exclusivamente via Deezer no último dia 29, aniversário de Salvador, o disco representa um marco na música nacional, uma mistura de sofisticação, frescor e espontaneidade que tem mexido com as pessoas de uma forma nova, quase rara nos últimos 15 anos.

BaianaSystem - Duas Cidades

Não se trata do número de cópias vendidas, tampouco a conexão com tendências mercadológicas. O que nos faz vibrar com o Baiana é a evidente dedicação à música como trator emocional e criativo que é, diretamente conectada a uma acessibilidade permitida apenas pelas mais polidas pérolas pop. É música que questiona, move, emociona e faz dançar com uma mistura de ritmos sem pares na cena nacional, hoje.

Idealizado pelo guitarrista Roberto Barreto, o Baiana também é oficialmente composto pelo produtor SekoBass, pelo vocalista Russo Passapusso e pela identidade visual marcante criada por Filipe Cartaxo. Com um amálgama único da música de infinitas frentes da música negra, o grupo vai do ijexá ao dubstep com uma facilidade virtuosa, e em Duas Cidades, produzido por Daniel Ganjaman – que deu um novo gás à carreira de Criolo – o Baiana parece ter atingido o equilíbrio perfeito entre universos normalmente distantes: o requinte artístico e a conexão direta, visceral, com a música popular.

BaianaSystem

Mas algo nisso tudo me incomoda: “Playsom” é hit no Fifa 16, mas não toca no rádio. O lyric video não passa na TV, a banda não é convidada para os programas de auditório. Nas ruas, o Baiana faz de fato o chão e as estruturas tremerem, mas a grande mídia parece cética, evita ver a repercussão do grupo com o mesmo cinismo com o qual ignora tantos artistas da cena nacional, que vive um momento excelente, em privilégio às mesmas cartas marcadas de sempre.

Pensando nisso, chamei o Yuri de Castro, cujos textos sobre música popular no Fita Bruta sempre me intrigam, para trocar uma ideia sobre o disco, o BaianaSystem e o contexto em que a banda surge. Virou uma conversa ampla, divertida, mas que me parece muito mais interessante do que uma resenha qualquer, além de abrir espaço para novas conversas e reflexões. A transcrição completa da conversa, feita pelo chat do Facebook na última segunda (04), segue logo depois do link para ouvir o disco. Bom proveito:

[21h34]

Guilherme Guedes
opa!
foi mal, tava terminando de comer.

Yuri de Castro
sem pressas.

Guilherme Guedes
Então, eu nunca tinha ouvido falar no BaianaSystem, até que o Facebook me mostrou esse vídeo aqui:

E já começou…

Posted by Marcelo Requião on Monday, 1 February 2016

 

E aí fui atrás do som, ouvi “Playsom” e achei muito foda. Aquele breakdown de dub no fim, o contexto todo.

Yuri de Castro
esse vídeo é mara.

Guilherme Guedes
Eu me achei uma anta por desconhecer algo tão sinistro, e fiquei bem ansioso pelo disco.
Aí queria saber tua impressão, porque eu sei que você acompanha a música popular com um olhar crítico, horizontal e às vezes irônico, e acho que tem a ver com os limites que o Baiana toca.

Yuri de Castro
ótimo
eu sou fã do baiana por motivos bem simples
eu acho que a música tem sempre alguns artistas chaves que fazem conexões. tem os que criam as pontas. tem os que unem as pontas
então digamos que o parangolé e bob marley sejam duas pontas de uma mesma música de ghetto
o baiana é quem faz o trabalho sujo entre os dois.
Eu não sei se é um ponto crucial, mas o baiana discute a cidade a todo o momento. A todo o momento há uma discussão de identidade. E isso tem muito a ver com estar nesse meio do caminho. São músicos que dominam a produção musical, mas estão longe de serem ricos por causa da música ou de terem a fama de um grupo famoso de trio elétrico baiano.
E conseguem, como no vídeo, em momento algum se tornarem exteriores, estrangeiros.
Eles são dali. O povo reconhece. Isso é um baita mérito musical.
Poucos conseguem.
Voce estava digitando. Prossiga.

Guilherme Guedes
E nesse processo tocam num ponto crucial – ao menos pra mim: a ressignificação da música baiana, que surge na periferia, é tomada pela indústria, transforma artistas em celebridades, e isola quem a deu espaço, que a estruturou inicialmente. Um resumo do que é a música popular no Brasil no último século.
A explosão midiática do axé nos anos 90 o transformou em algo que isola a periferia que o deu à luz inicialmente com as cordas nos blocos como símbolo-maior, cordas que o Baiana aboliu

Yuri de Castro
Sim!
Concordo.
Mas tem algo louco nesse meio
O parangolé e o Psirico (inclusive o Marcio Vitor canta em Playsom)
são bandas que surgem da periferia
que surgem da pipoca
e possuem um som MUITO agressivo, muito concreto
como o do baiana
é por isso que eles dialogam
é por isso que a glr naquele video pula doida
porque eles reconhecem que o que o baiana está fazendo não é meramente aproveitamento
é tão original quando rebolation ou xenhenhem, a diferença é
essas bandas, como você falou, são levadas a jogar o jogo do mercado
o baiana não tem esse compromisso
então é como se eles conseguissem resgatar a essência dessas próprias bandas

Guilherme Guedes
E há outro artista hoje, no Brasil, que ligue essas pontes como eles? É o que diziam que a Anitta faria com o funk, e não fez.

Yuri de Castro
Tem, tem sim
No Funk Carioca é sem dúvidas o MC Magrinho
No Funk em geral, temos o Delano, o Livinho

Guilherme Guedes
Mas que não ganham o joinha da crítica que o Baiana ganhou, né?

Yuri de Castro
Não porque a crítica no país é otária, né

Guilherme Guedes
Hahahahah. Sim. Resenha igual à Pitchfork não falta.

Yuri de Castro
só vieram enxergar o baiana porque não conseguiram enxergar o psirico
nunca enxergam o povo
eles sempre enxergam o sofisticado
no caso do baiana, deram sorte porque eles são sofisticados e ao mesmo tempo populares
não de fama, mas de raiz mesmo
então, nessa a crítica deu sorte.
e fora que o russo é um baita homem
canta pra caralho
baita musico
e fez um dos melhores albuns da música independente recente
paraiso da miragem é um disco raro.

Guilherme Guedes
Nessa equação a referência da crítica para o Márcio Victor, por exemplo, era de ex-percussionista do Caetano e da Ivete.
O Russo chega, além de tudo, com indie crer. O MV chega com lepo-Lepo.

Yuri de Castro
exat0
No Brasil, a equação é equilibrada pela burrice. Perceba:
De um lado, a industria que é uma canibal desesperada
Do outro, uma crítica que raramente consegue se desvencilhar do olhar classe média com a música. Por vezes, é condescendente com coisas muito ruins ainda que originais. Outras, é rigorosa com manifestações menos elaboradas mas cujo ápice está na perfomance, na catarse.
Não enxerga nada alem do lucro
Põe embaixo das suas asas só os costas quentes. E quando abraça alguem que nao é privilegiado, faz questão de sugar até a ultima gota.
No meio dessa equação, ficam os artistas
Os novos que dependem sempre de uma benevolência desses dois lados para poder entrar no circuito
os velhos que parecem que nunca ouvem nada de novo
não e´como o REM que sempre colocou o Radiohead pra cima
Nisso, tudo se perde. O psirico é um arraso ao vivo.
Mas quem viu?
Eu vi só porque trabalhei em rádio popular.
Cobria o show. Mas não veria se não fosse isso.
Eu não teria como acreditar que é tão bom pq isso não chega natural ao sudeste.
Chega super afetado

Guilherme Guedes
Nós – críticos, classe média pra cima – somos tão blindados que eu juraria que a esta altura a internet teria redemocratizado o acesso e a distribuição de música no Brasil, mas é impressionante o poder que as gravadoras e emissoras ainda têm.

Yuri de Castro
pois é. concordo sem tirar nem por.

Guilherme Guedes
E não devia ser impressionante, porque a gente vive em outra realidade, em outro mercado, onde não conseguimos nem debater a distribuição de royalties com decência.

Yuri de Castro
a gente não consegue nem ter uma rádio de rock
porque a gente nunca discutiu o que e rock no brasil

Guilherme Guedes
E a rádio de rock ressurge conservadora, tocando Creed e Linkin Park, com as bandas novas em volta reproduzindo esse pensamento.

Yuri de Castro
exato.
Tinha um modelo de rádio, a Oi Fm, que me agradava
porque ali eu via que o pulo do gato era pegar a Oi FM e popularizá-la
tocar Adele, Amy Winehouse, Victor e Leo, Jeneci e Kendrick Lamar
tudo isso é rock de alguma forma.
Não dá pra pensar que rock é quatro moleques tocando power chord toda hora na música pop.
E o que o baiana faz é exatamente o nosso rock
É exatamente o tipo de atração que deveria ser espelho na mídia
ISSO É A NOSSA MUSICA.
ESSA É A NOSSA REBELDIA

Guilherme Guedes
Sim, subversivo, ousado, desafiador e popular. Como o rock surgiu, décadas atrás.

Yuri de Castro
é inadimissível que o Diplo tenha que colocar o Bin Laden e o Safadão pra tocar em um lolla.
é um atestado da nossa ignorância.

Guilherme Guedes
Sim, escrevi sobre isso até, mas perdi o timing da postagem. Sobre os indies sem saber como reagir diante do Safadão no P.A. Histórico.
Agora queria saber o seguinte: não dá pra dissociar o artista do contexto político e social em que ele se insere, mas musicalmente, e apenas musicalmente: como você vê o Duas Cidades? Vai tocar no rádio?

Yuri de Castro
Deveria tocar no rádio e possivelmente vai tocar em alguma rádio de Salvador. Mas não vai passar disso. Em SP e no RJ, que é o onde o mercado radiofônico vive de trocas e permutas, não vai chegar. Só chegaria com jabá.
É um som bom pra rádio. Mas, musicalmente falando, não é um disco muito fácil, cheio de hit.
Não é um tipo de som pra fazer hit de verão. Ainda nao.
Seria essencial que eles conseguissem levar esse cd pro merccado para que o proximo fosse uma porrada popular.
Mas isso não vai acontecer.

Guilherme Guedes
E nisso, vira nicho? Perde força?
Pergunto porque acompanho com muita atenção a carreira do Saulo, por exemplo.
Saulo surge como substituto da Emanuelle Araújo na Banda Eva, vira o tabuleiro, dá uma nova cara à banda, e sai em carreira-solo. Até aí, tudo bem.
Mas sozinho ele decide aproximar o som dele do som de raiz da Bahia, dos Tincoãs, do suingue que o mercado tirou.
E perdeu força nessas bandas.
O último disco dele mal reverberou aqui. Por quê?

Yuri de Castro
Isso é um reflexo da falta de mercado
O Saulo deveria ter moral pra fazer esse trabalho dele reverberar
Mas o mercado é fraco.
O mercado só quer as coisas mais fáceis porque tá em crise.
O mercado não conseguiu sustentar nem o rock de adolescente!
QUe é a coisa mais fácil de vender!
Uma letra merda, um som chupado, alguém bonitinho ou revoltado
nem isso rolou!
A Anitta QUASE folgou. não fosse bang, tava no limbo.

Guilherme Guedes
Mas crise por crise o mercado tá em crise há pelo menos 16 anos, desde a explosão do  mp3.
E insiste nas mesmas moedas.
Nas mesmas atitudes, de quem parece não ouvir música, só enxergar números.
É o oposto do espírito que o baiana traz à tona, que o Russo canta muito bem em “Barra Avenida, Pt.2”: A gente sem dinheiro, mas a gente juntava
Enquanto a cultura move o povo que move a arte, a indústria sustenta tendências pra tapar um buraco que só aumenta.

Yuri de Castro
sim
é o som do classe média fudido
é por isso que eu acho que não é hit
pq o classe média fudido não tá ouvindo isso
o clase média fudido não tá pensando em entender a cidade
entender o fracasso
o clase média fudido ele ainda espera o arrebatamento do rock
como o legião fez
por isso, o funk é tão sofisticado em sua demanda
pq ele consegue tocar no ponto nervoso de um cidadão
seja sexualmente
seja violentamente
seja conscientemente bolado
ele não dá meia voltas. ele não está em crise existencial.
ele está vivendo o caos.
o rock era assim.
por isso que é da natureza do rock se sofisticar e se ampliar enormemente
porque depois que as demandas urgentes são sanadas
(ramones por ex)
o caboclo classe media precisa evoluir
precisa progressivar
precisa sustentar um solo
como se fosse uma evolução de vida

Guilherme Guedes
E por que os EUA, sede e mãe do capitalismo selvagem, conseguem alçar um Kendrick – sofisticado, subversivo e popular – ao estrelato e a gente não? É só o imediatismo sanguessuga da indústria daqui?

Yuri de Castro
pois justamente o hip hop tomou o lugar do rock com o apoio de uma midia que sabe jogar o jogo, sabe remar com a corrente
o hip hop tem muita força lá pra ditar tendencia, pra ser capa da NME, da Rolling Stone
o emicida aqui se reduziu a um “militante do pt” pras pessoas
não acho que é só imediatismo não
acho que é uma coisa de força economica mesmo
a musica negra nos EUA se impos mercadologicamente
se a gente pode achar Lil Wayne e Usher uma bosta
a gente pode vibrar com o Kendrick
com as loucuras do Kanye
com o Jay Z
Olha a carreira da rihanna como é meio sem graça, mas ela sempre teve altos pontos incríveis
o mercado de lá permite
a musica negra no brasil ainda é musica de ghetto

Guilherme Guedes
E quando você vê a força do sertanejo, música regional de brancos, fica claro a influência do racismo nessa coisa toda.

Yuri de Castro
pois é.

Guilherme Guedes
Até porque as maiores estrelas da música baiana, e a Bahia é o maior país negro fora da África, não há dúvidas, são brancas: Ivete, Claudia, Bell, o próprio Saulo.

Yuri de Castro
Sim.
É um sintoma bem escroto.
Inadimissível.
Até nos homens.
Netinho, Durval, Bel Marques
Os negros são sempre os bonitos.
Nunca porque são de fato originais.

Guilherme Guedes
Bom, voltando para o disco: tem alguma música que chamou tua atenção? Ou mais de uma

Yuri de Castro
tem.
a faixa de abertura é um absurdo
um começo que me remete a tropicalia do caetano
e cai num dubão louco

Guilherme Guedes
Com synth no lugar do naipe de metais.

Yuri de Castro
é a faixa que vai conduzir a narrativa do disco
tem tudo ali naquela faixa
a flauta do metá metá, o afrobeat do criolo, a bateria do curumin
é uma síntese do melhor da nossa musica urbana brasileira
peço licença obrigado de nada. baita letra

Guilherme Guedes
Gostei dela também. E sinto algo parecido em “Dia da Caça”

Yuri de Castro
Sim, também acho.
“Duas cidades” também é bem foda porque é uma cronica de salvador. uma letra que cobra uma posição. serve pra vários lados.

Guilherme Guedes
Que tem um groove que conversa com o gueto de várias formas, da explosão já-nã-tão-recente do tecnobrega no mainstrem ao dub e o canto baiano.

Yuri de Castro
sim.
vc sintetizou o baiana
não são datados
mas resgatam um ultimo frescor
ao mesmo tempo que tão sempre indo pra frent

Guilherme Guedes
Eu ouço esse disco e a todo tempo me vem o da Elza Soares na cabeça. Primeiramente porque vi o show recentemente, e saí atordoado, atônito.
E em sgundo lugar porque também é um show que sintetiza tudo isso, que devia lotar o Maracanã, mas fica restrito a encher o Circo em duas datas.

Yuri de Castro
Eu ainda acho o da Elza mais forte.
Mais iconico.

Guilherme Guedes
Sem dúvida.

Yuri de Castro
Acho que o da Elza é um disco que só não toca na rádio porque só tem cuzão nesse pais.
Qualquer faixa é radiofonica.
E se não fosse deveria ser por respeito a um album desse.

Guilherme Guedes
Mas nesta geração o Baiana é o que mais se aproxima do A Mulher do Fim do Mundo, pra mim. Em todas as frentes: artística, política e mercadológica

Yuri de Castro
Colocaria mais gente nesse bolo. Curumin, por exemplo.
B Negão.
Mas concordo.
Acho que era obrigatório que uma rádio de rock tocasse Metá Metá, Baiana, Curumim, Autoramas, B Negão
e fazer com esses caras estivesse nos palcos dos festivais.

Guilherme Guedes
Mas tem batuque, Yuri. Você tá louco de botar batuque no rock?
A gente branco não sabe quebrar, não.

Yuri de Castro
hahaahaha sim
é o nosso rock, né.
mutantes fazia isso
caetano fazia isso, gil.
a gente não sabe fazer rock que nem arctic monkeys
fica tosco
parece que é do playground do condominio

Guilherme Guedes
E reclama que evento de banda cover lota mais, muito mais.

Yuri de Castro
Tipo, inaceitável que a Nação não seja reconhecida pelo grande público fora de pernambuco como a maior banda de rock comercial desse páis
Sim, vai sempre lotar. Os cara Escalene quer o que?
Que alguem ouça aquilo e desista de ouvir Maroon 5?
Desista de ouvir the kooks?
Merda por merda deixa eu ouvir quem gastou um milhão de dólares no cd né

Guilherme Guedes
Pô, eu respeito muito o Scalene, sou amigo deles, vi a banda nascer, crescer, etc. Não vejo essas referências. Sou parcial, ok. Mas acho que é uma banda ainda em fase de maturação, que entende os privilégios e os limites que têm, e tão tentando, de um jeito que chega a ser romântico, abrir um espaço nessa mesmice do rock.

Yuri de Castro
sim.
eu digo esteticamente mesmo.
sem respeitar a historia (que eu nem conheço)
se fosse um teste surdo, aquilo não vai me fazer entender nada.
me incomoda muito neles a falta de algo ousado
é um control-c de muita coisa
não que seja proibido copiar
sempre válido
mas é como se fosse um control-c de coisas que nem importam muito
mas tirando o escalene, qualquer outra banda que faz rock no país e que venha da classe media querendo ser popular
a primeira coisa que ela faz é NAO ESTUDAR a musica popular
é um crime.
o rock sempre foi devorador de musica popular
quando não, devorava o contexto
querer fazer sucesso à força e com letra meia boca é pedir muito do brasil.

Guilherme Guedes
Eu falei pros caras do Scalene irem ao show da Elza. Falei que era obrigatório eles presenciarem aquilo. Eles amaram o show.

Yuri de Castro
nem o cicero conseguiu (e olha que o cicero tinha tudo pra dar o golpe)
é isso. vc fez e espero que dando frutos vc possa escrever isso como testemunha
pq se eles lançam algo importante e sua atitude teve impacto
vc fez parte de uma historia

Guilherme Guedes
Não foi com essa intenção, mas tomara que faça mais que uma resenha num blog faria.
Bom, o papo fluiu demais, vamo encerrar por aqui (pro post, pelo menos). Considerações finais?

Yuri de Castro
bom
eu queria mandar um beijo pra minha mae
e dizer que a gente não vai mudar porra nenhuma
mas que um dia a maré vai matar os filhos da puta

Guilherme Guedes
Hahahahah
Dito. Muito obrigado.

Yuri de Castro
um abs meu querido

[22h56]