Melim
Foto: Felipe Carzo
   

Vibrações positivas, pop, folk, reggae e tudo que há de bom. Esses talvez sejam os principais ingredientes utilizados para criar a sonoridade do trio Melim, um dos maiores fenômenos do pop brasileiro dos últimos anos. Representante e potencial carro-chefe do movimento “good vibes” da nossa música, os irmãos nos apresentaram a um som palatável, suave e solar que não tardou a se tornar grande amigo das rádios, canais de televisão e serviços de streaming nacionais.

Desde sua participação no reality show Superstar, em 2016, Diogo, Gabriela e Rodrigo Melim estão em curva ascendente e mostram uma evolução constante na qualidade de seus sons. Três anos após o lançamento do homônimo disco de estreia, é chegada a hora de o público ser apresentado ao seu novo trabalho Amores e Flores.

Capa de "Amores e Flores" (Melim)
Capa: Alma Salgada

O novo álbum pode ser entendido como a “parte 2” da experiência do grupo de gravar no exterior. Eles foram ao estúdios da Capitol Records, por onde já passaram nomes como Michael Jackson, Frank Sinatra e Paul McCartney. Dessa viagem também saiu o projeto anterior Eu Feat. Você, disco lançado em 2020 que rendeu ao grupo uma indicação ao Grammy Latino.

O TMDQA! participou de uma coletiva virtual com o trio sobre o lançamento, mediada pelo sempre ótimo Gominho. Abaixo, destacamos alguns momentos do papo:

 

Tracklist

Amores e Flores conta com sete faixas. Uma delas, a faixa-título, já havia sido divulgada no final do ano passado. Cinco inéditas ganharam vida: “Possessiva“, nova música de trabalho, veio acompanhada de videoclipe. Na sequência, “Ímpar“, “Teu Céu” (com participação do agora-BBB Projota), “Azulzinho” e “Paz e Amor” trazem a já característica mistura solar de MPB, reggae e folk.

Fechando o pacote, vem uma releitura interessantíssima de “O Bem“, originalmente gravada por Arlindo Cruz. Para o trio, não é apenas uma homenagem ao consagrado sambista, mas também é algo que conversa com a proposta do projeto. Para os desatentos, a canção poderia facilmente ser uma composição autoral dos irmãos. “Como o nome já diz, é uma música que tem tudo a ver com o nosso propósito”, refletiu Diogo.

 

Do branco ao arco-íris

Desde os tempos de “Ouvi Dizer“, “Meu Abrigo” e afins, entende-se o Melim como um grupo que pretende tornar o seu dia melhor de alguma forma. Trata-se de invadir o ouvinte com sentimentos positivos, mensagens reconfortantes e cores vibrantes. A capa do disco de estreia (2018), no entanto, fica limitada às escalas de preto-e-branco. Não mudaram muito no quesito som, mas entenderam-se como mais coloridos com o passar do tempo.

Questionados pelo TMDQA! sobre essa mudança estética, os três deram suas visões sobre essa “pintura” feita ao longo dos anos. Diogo entende que isso fez parte de um processo de autoconhecimento em termos de sonoridade e espaço na cena nacional: “No primeiro [álbum], talvez a gente não entendesse que tínhamos uma sonoridade bem mais pop do que grande parte do mercado. Agora, apesar de saber das nossas raízes da MPB, do reggae e do folk, a gente se entende muito como pop”.

Já Gabi associa essa processo ao amadurecimento e relata que, de fato, uma única cor seria incapaz de sintetizar a proposta da Melim:

Talvez tenha a ver com o fato de que tenhamos mais domínio sobre a nossa imagem hoje e sobre o que ela representa e como conversa com a nossa música. Nosso som é muito colorido. Nenhuma cor predomina. Acho que no início da banda, nós, como artistas, vamos testando alternativas até nos encontrarmos. Hoje nós nos entendemos melhor. Pintando um quadro da nossa sonoridade, desde que começamos até hoje, acho que nosso som é muito colorido e todo o conteúdo visual precisa casar bastante com isso. É uma mistura bem legal.

Mas existe mais além disso. Quando o trio surgiu, o movimento “pop good vibes” não era algo tão institucionalizado. O repentino sucesso dos singles e EPs lançados pelo trio logo em início de carreira revelou que existia um público preparado para consumir essa proposta. Rodrigo relembra:

Quando a gente construiu nosso primeiro álbum, a gente não tinha ideia de qual som representava a gente. É como se a gente tivesse uma folha em branco e fosse construindo a história a partir dela. Depois, a gente entendeu que o nosso lado positivo é muito forte e, mais do que isso, ele transforma a vida das pessoas. Então, a gente pegou o balde de tinta de ‘Ouvi Dizer’ e tacou. A cor tem esse poder de trazer alegria e combina com Los Angeles. Essa cor talvez venha para explicar um pouco dessa positividade.

 

Do Brasil para o mundo

Apesar de funcionarem separadamente, Eu Feat. Você e Amores e Flores fazem parte do mesmo projeto e foram gravadas na mesma época. Na visão dos integrantes, desprender o material em dois foi uma interessante estratégia para, em vez de fazer um único disco com 15 músicas, fazer com que cada música ganhasse mais peso em lançamentos separados.

A “good vibes” também assume valor ainda mais simbólico agora, em uma época em que os brasileiros nutrem esperanças com a vacinação em território nacional. Vale lembrar que Eu Feat. Você foi lançado durante o que podemos considerar como o ano mais difícil da história moderna. Se nessa época o lançamento foi uma forma de enxergar uma “luz no fim do túnel”, a novidade de agora nutre ainda mais nossas esperanças. Sobre isso, Diogo reflete:

Uma diferença entre os dois álbuns é que as pessoas receberam o primeiro em um período muito mais difícil. Querendo ou não, por mais que ainda não tenhamos sido vacinados, acho que a chegada da vacina fez com que as incertezas diminuíssem um pouco. Automaticamente, nosso estado de espírito se altera.

A gravação em Los Angeles, enquanto isso, potencializa o trio como um dos nomes mais importantes do pop brasileiro. Diogo, Gabi e Rodrigo possuem grande reconhecimento em Portugal e conquistaram respeito na América Latina como um todo. Parece que barreiras geográficas já não limitam as mensagens de paz e amor da banda.

De fato, a mensagem é universal. Em seus depoimentos finais na coletiva, os irmãos Melim falaram sobre como desejam impactar seus ouvintes com as novas músicas.

Que as pessoas consigam enxergar flores em todos os lugares. A gente sabe que nem tudo são flores, mas foi por isso que inventaram o amor.

 
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