Cartola
Foto via Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional
 

Em 30 de Novembro de 1980, o mundo perdia um dos maiores talentos musicais que já viu: o nosso incrível Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola.

Nascido em 1908 no Rio de Janeiro, o cantor e compositor se viu iniciado no Samba logo aos 11 anos de idade quando teve que se mudar para o Morro da Mangueira. Por lá, um amigo chamado Carlos Cachaça foi o responsável por lhe iniciar na vida boêmia — que, claro, envolvia a música.

Apesar disso, Angenor (que nasceu Agenor) trabalhou desde muito jovem em empregos que foram de ajudante de pedreiro a aprendiz de tipógrafo, sendo nos tempos dessa primeira função que surgiu o apelido Cartola; para evitar que caísse pó de cimento em sua cabeça, usava um chapéu coco que carinhosamente chamava de cartola.

Ele acabou expulso de casa aos 15 anos quando perdeu a mãe, já que o pai desaprovava sua vida — ainda que tenha lhe ensinado a tocar. Eventualmente, os dois fizeram as pazes em um reencontro emocionante quase 40 anos depois mas, naquele momento, o jovem foi acolhido por Deolinda, uma senhora da Mangueira, e logo se envolveu de vez com a música.

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O resultado foi uma carreira espetacular, que teve início nas rodas de samba e passou pela fundação da Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira bem antes de chegar aos discos. Até hoje, aliás, as cores verde e rosa usadas pela escola de samba são escolhas do saudoso músico.

Cartola

Vale lembrar que tudo isso que estamos falando aconteceu nos anos 1920-1930, e o primeiro contato com o meio artístico de fato foi através das composições “Não Faz Amor” e “Qual Foi o Mal que Eu Te Fiz?”, ambas parcerias com Noel Rosa gravadas por Francisco Alves em 1932.

Suas músicas ainda passariam por muitas vozes famosas, inclusive Carmen Miranda, antes do carioca finalmente lançar seu primeiro disco em 1974, já aos 65 anos de idade. Por lá estavam alguns sucessos como “Tive Sim” e “Alvorada”, mas foi nos anos seguintes que Cartola de fato se consolidou como cantor.

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Com algumas das mais belas canções da música brasileira dos anos 70 — e quiçá de toda a história do nosso país — como “O Mundo É Um Moinho” e “Preciso Me Encontrar”, o garoto boêmio se transformou em um ícone e sua influência se estendeu para diversos outros gêneros, sendo regravado e homenageado por nomes como Cazuza, Ney Matogrosso, Marisa Monte Chico Buarque.

Em tempo, Cartola se tornou um personagem da cultura brasileira antes mesmo do primeiro LP e pôde ser visto em filmes como o incrível Orfeu Negro (1959), de Marcel Camus, e Ganga Zumba (1963), de Cacá Diégues.

Já em 2006, ganhou um documentário musical intitulado Cartola, Música Para os Olhoso qual está disponível abaixo pelo YouTube e é uma excelente pedida para relembrar sua trajetória incrível neste fatídico dia. Saudades, Cartola!

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