Logo do filme
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O Dia das Bruxas (ou “Halloween”, como é melhor conhecido mundialmente) chegou e, com ele, as comemorações típicas. Comer doces, usar abóboras como decorações, se fantasiar e, é claro, maratonar filmes assustadores fazem parte da aura dessa data comemorativa. É uma grande festa, certo? Mas e se você, caro leitor, perceber algo estranho em sua vizinhança? E se você começar a ver coisas estranhas? Para quem você irá ligar?

Para os Ghostbusters, é óbvio! O filme, disponibilizado ao público em 1984, se tornou rapidamente um grande fenômeno cultural (e isso porque foi lançado em Junho). Tudo nessa comédia sobrenatural ganhou espaço significativo no mundo pop, conquistando até hoje crianças e adultos no mundo inteiro.

Mas, além das atuações memoráveis, dos visuais grotescos e da maneira como fez para adaptar o bizarro mundo dos fantasmas para a nossa realidade, um outro elemento contribuiu muito para que o título “viralizasse”. Estamos falando da música tema do filme, homônima e composta por Ray Parker Jr.. Pegajosa, cativante e, ao mesmo tempo, misteriosa, a canção ajudou a fazer dos Caça-Fantasmas heróis atemporais.

Para celebrar o legado dessa música icônica, separamos alguns detalhes interessantes. Abordamos aqui alguns “doces”, envolvendo o legado da canção, mas também vamos falar de algumas “travessuras”, incluindo acusações de plágio e um background confuso.

O cartaz

Em depoimento ao documentário “Hired Gun“, Ray Parker Jr. falou sobre como surgiu a proposta para assumir a composição e a letra de um dos temas mais icônicos da história do cinema.

O primeiro contato do músico com o filme foi através de um peculiar painel publicitário que chamou a sua atenção próximo a um restaurante na Califórnia. O outdoor, inicialmente todo preto, estava ganhando elementos aos poucos, a exemplo do círculo vermelho presente no logo.

Pouco depois, um representante da Columbia Pictures (distribuidora do filme) entrou em contato com Parker para a criação da música-tema. Ele deu liberdade criativa para o músico, mas destacou um ponto ressaltado pelo diretor Ivan Reitman: a canção precisaria conter a palavra “ghostbusters”.

Vale destacar que, na época, Parker estava prestes a se aposentar. Em dois ou três dias, ele escreveu a música e mandou para os responsáveis. Em retorno, recebeu uma ligação de Reitman no meio da madrugada, mas teve sua música em destaque no longa.

Clipão

O próprio Ivan Reitman dirigiu o clipe oficial para a música, que também ganhou o status de atemporal. Com uma estética bem, digamos, anos 80, cores vibrantes dialogam com um cenário “dark”.

Mas melhor do que isso é o time de estrelas que participa do clipe. Basicamente a cada “ghostbusters” falado, uma pessoa famosa aparece na tela e também pronuncia a palavra. As participações vão desde músicos como Carly Simon e Irene Cara até comediantes como Danny DeVito e Chevy Chase. Isso tudo sem falar, é claro, nos takes de dança estrelando Parker e as estrelas do filme pelas ruas de Nova Iorque.

No vídeo, a personagem da atriz Cindy Harrell é perseguida por um fantasma (o próprio Ray Parker Jr.) após a brilhante ideia de entrar em uma casa aparentemente suspeita e localizada no meio do nada. Pois bem, adivinhe para quem ela liga.

Sem processinho, não teria graça, né?

Na época de lançamento do famoso tema, o músico Huey Lewis, mais conhecido por seu trabalho no grupo Huey Lewis and the News, entrou com um processo contra a Columbia Pictures e Ray Parker Jr. Segundo Lewis, o tema apresentava muitas semelhanças com sua canção “I Want a New Drug“, lançada em 1984.

A situação se torna ainda mais estranha quando se toma conhecimento de que Lewis havia sido contatado pela Columbia, antes da contratação de Parker, para compor o tema para o filme ao lado de sua banda. O grupo, no entanto, recusou. Em um artigo publicado em 2004 na Premiere Magazine, pessoas envolvidas na produção do filme admitiram ter usado “I Want a New Drug” temporariamente no fundo de algumas cenas.

Com a oferta recusada, os cineastas deram a filmagem, com a música de Lewis ao fundo, para dar um norte a Parker na composição do famoso tema. Compare abaixo:

Quebra de confidencialidade

Os detalhes sobre esse assentamento eram confidenciais até 2001. Em uma ocasião na época, Lewis comentou sobre o pagamento em um episódio do programa Behind the Music, da VH1.

No entanto, isso deu origem a outro processo, dessa vez partindo de Parker, acusando Lewis de quebrar o acordo de confidencialidade. O processo, inclusive, cita um trecho registrado no programa.

A parte ofensiva não foi necessariamente o fato de que Ray Parker Jr. roubou a música. Foi meio simbólico de uma indústria que quer algo. Eles queriam a nossa onda, e queriam comprá-la… Não está à venda! No final, acho que eles estavam certos. Suponho que estava à venda, porque, basicamente, eles compraram.

Quase ganhou um Oscar

Os anos 80 foram uma década difícil para se ganhar destaque quando o assunto é música de filme. Isso porque a competição estava fortíssima, e o histórico da categoria Melhor Canção Original, do Oscar, é uma documentação disso.

Na época, filmes como Dirty Dancing, De Volta Para o Futuro e Rocky III deram ao mundo algumas das trilhas sonoras mais famosas da história. Mas, no ano específico de 1984, a disputa foi ainda mais acirrada. Apesar de ser um forte candidato, o tema de Ray Parker Jr. acabou perdendo para Stevie Wonder e sua magnífica “I Just Called to Say I Love You“, que marcou a comédia romântica A Mulher de Vermelho.

Ainda estavam concorrendo “Against All Odds“, composição de Phil Collins para o filme de mesmo nome, e duas faixas da trilha emblemática do filme Footloose. Um verdadeiro duelo de gigantes!

Topo das paradas

O Oscar que lute, porque “Ghostbusters” garantiu sua consagração no topo da Billboard Hot 100, a parada musical mais respeitada no mundo. Em agosto de 1984, a canção destronou Prince com seu megahit “When Doves Cry“.

Lá, o hit de Parker permaneceu por mais duas semanas, caindo logo depois para abrir espaço para Tina Turner e a canção “What’s Love Got To Do With It“. Época boa, hein!

Covers

Apesar da temática não muito palatável (não estamos falando de uma canção genérica sobre amor, por exemplo), “Ghostbusters” recebeu um volume muito expressivo de regravações e homenagens ao longo dos anos. Seu legado cultural prova que é uma música daquelas que “não tem erro” de se tocar, porque todos vão cantar e dançar juntos.

Muitas delas, por sinal, vieram nos filmes seguintes da série. Cientes de que não alcançariam de novo o sucesso do primeiro tema, a canção foi reaproveitada das mais diversas maneiras, incluindo uma versão remixada nas vozes dos membros do RUN-DMC e uma versão (flopada) interpretada pela banda Fall Out Boy com a participação de Missy Elliott.

Outras versões notáveis, e mais fiéis à original, são as covers das bandas WALK THE MOON e The Rasmus. Essas releituras foram lançadas respectivamente em 2016 (para o remake que também contou com a versão do FOB) e em 2011.