Public Enemy
Foto por Eitan Miskevich

Poucos grupos na história são mais influentes do que o Public Enemy, especialmente quando se trata de abordar as questões raciais, educacionais e socioeconômicas que perpassam todos os aspectos de uma sociedade.

É claro que o grupo não poderia ficar de fora dos debates atuais acerca do movimento Vidas Negras Importam e das eleições que acontecem em 2020 nos EUA. Em Março, por exemplo, eles tocaram em um comício do então candidato Bernie Sanders e, em entrevista exclusiva ao TMDQA!, o lendário Chuck D afirma:

Eu não acredito que qualquer oficial do governo ou presidente deveria exercer a profissão depois dos 65 anos de idade. No entanto, eu gostava de seus padrões e princípios. Ele é a pessoa perfeita para construir um futuro baseado na energia de um grupo de pessoas mais jovens, mas essa é só a minha opinião.

Conforme as eleições por lá se aproximam, no entanto, os caras têm se tornado cada vez mais vocais e agora em Junho divulgaram a inédita “State of the Union (STFU)”, que detona o atual mandatário Donald Trump — algo que também é feito quase diariamente no Instagram do grupo.

A canção é a primeira parceria do Public Enemy com o lendário DJ Premier, que Chuck descreve como alguém com “muito respeito mútuo”. Ele ainda explica que ela surgiu depois de uma turnê conjunta e por serem “espíritos semelhantes”, definitivamente em referência à trajetória semelhante e incrível de ambos.

Novo álbum do Public Enemy

Em “State of the Union (STFU)”, as críticas a Trump são claras. Mas, caso restasse alguma dúvida, Chuck nos dá mais alguns detalhes sobre os motivos de seu descontentamento com o atual líder dos EUA e sugere a direção que o país deve tomar:

As pessoas que gostam dele [Trump] são pessoas com privilégios e elas querem que as coisas fiquem iguais ou voltem à forma que eram antigamente. Nós temos que ouvir os jovens, e deixá-los liderar.

A nova faixa, segundo ele, faz parte de um novo álbum do PE — Chuck nos diz que o trabalho é intitulado Nothing is Quick in the Desert 2020, e o descreve apenas como “ótimas músicas”. O título, aliás, é uma referência ao último disco lançado oficialmente pelo grupo em 2017, Nothing is Quick in the Desert.

É certo que o trabalho irá abordar alguns temas absolutamente contemporâneos. Tentamos adiantar algumas informações, mas Chuck é duro na queda — quando perguntado sobre o que tem a dizer sobre as mudanças que tentamos implementar no mundo após o assassinato covarde de George Floyd, ele explica:

O que mudou é a tecnologia. Ela nos permite mostrar fatos sobre o que estava acontecendo o tempo todo e agora a gente tem pessoas que respondem ao fato em si, não a uma afirmação.

Ainda em 2020, no entanto, Chuck lançou o trabalho Loud Is Not Enough sob o nome de Enemy Radio, que ele explica ser o “componente soundsystem de DJ e MC do Public Enemy”, enquanto “a base do Public Enemy é rimas e batidas”. Ele ainda nos revela que o fato de trabalhar com o DJ Lord desde 1999 e com Jahi desde 2007 significaram, para ele, que esse projeto “era questão de tempo”.

Fim do Prophets of Rage

Aproveitando a conversa, resolvemos também perguntar a Chuck sobre o Prophets of Rage. O supergrupo, que contava com todos os instrumentistas do Rage Against the Machine (Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk), além de Chuck, DJ Lord e B-Real (Cypress Hill), chegou ao fim após a reunião do RATM.

Falando sobre os anos em que o projeto esteve ativo, o rapper diz:

Eu tenho ótimas memórias do Prophets of Rage. Por quatro anos, foi uma experiência inacreditável de aprendizado e irmandade e provavelmente alguns dos melhores quatro anos da minha carreira em performances ao vivo.

Continua após o vídeo

A proximidade com o Rock, aliás, veio desde muito antes e fez com que o Public Enemy fosse induzido ao Hall da Fama do gênero em 2013. Chuck reconhece isso, e não tem medo de admitir que o PE foi “parte de um movimento revolucionário no Rock”, mas credita alguns outros artistas pelos papéis que cumpriram para que essa influência fosse exercida: AnthraxIce-T, e o próprio Rage Against the Machine.

Para fechar, não podíamos deixar de questionar sua opinião sobre os fãs conservadores de grupos como o RATM e o próprio Public Enemy, que têm descoberto só agora que eles passam uma mensagem “esquerdista” e como isso pode influenciar a decisão de se posicionar politicamente ou não. A resposta foi simples: “não ligo, não dá pra fazer todo mundo feliz”.

Fique atento para mais informações sobre Nothing is Quick in the Desert 2020 por aqui!

 
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