DAY
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A astrologia é o estudo sobre como as posições dos corpos celestes podem prover informação sobre assuntos relacionados à vida do ser humano. Essa ciência, de fato, tem ajudado muitas pessoas a se conectarem e a entenderem mais profundamente suas personalidades e o modo pelo qual se relacionam com o mundo.

A cantora DAY, que completou 25 anos de idade no início do mês, é do signo de Gêmeos. Ter Sol em Gêmeos se aplica, dentre outras características, a ter uma personalidade versátil e a ter desejo por liberdade. Mas ela não é apenas isso. De acordo com a astrologia, a posição dos outros astros também interfere na singularidade comportamental de um indivíduo. Essas informações são detalhadas com mais precisão no mapa astral de uma pessoa, que, para os leigos, é onde as coisas começam a ficar mais complexas.

Mas calma, não vai ser necessário fazer o mapa astral dela. Aliás, em seu novo EP, intitulado A Culpa É do Meu Signo, DAY faz basicamente um autorretrato em forma de músicas. O eu-lírico versa, ao longo de cinco canções, sobre aspectos pessoais da cantora, traçando um perfil de suas características.

O lançamento sucede o EP homônimo de 2018, que conta com participações de Vitão e Carol Biazin. Com exclusividade, ouvimos as novas músicas e tivemos a oportunidade de colher a visão da própria DAY sobre cada uma das novidades e mais algumas perguntas.

 

Faixa a Faixa

DAY nos contou um pouco sobre cada uma das novas faixas que, somadas à já divulgada “Geminiana“, completam a tracklist. Confira abaixo, enquanto aguardamos ansiosamente pelo lançamento oficial:

“Paradoxal”

“Essa é uma das músicas mais pessoais do EP. Falo de como as coisas não aconteceram como me disseram que ia acontecer no passado. Essa partiu do meu medo de envelhecer e não fazer tudo que eu achava que devia fazer.”

“Metamorfose”

“Uma música que descreve bem a minha personalidade, que oscila de minuto em minuto. Ao mesmo tempo é uma recusa a ser o que as pessoas querem que eu seja, ou de ser como outras pessoas são. Meio que bater no peito e dizer que sou assim mesmo, essa eterna contradição, e tá tudo bem.”

“O Que Você Contradiz”

“Acho que essa é a minha favorita do EP. Fala de um relacionamento que teve muita entrega de uma das partes, mas o que a outra parte doou na relação não foi o suficiente pra se manterem juntos. Mas, no fim, a culpa não é de ninguém, e só não era pra ser.”

“Jurei Que Não Ia Falar de Amor”

“É, pra mim, a música mais forte do EP. De longe a mais interessante. Quem escuta jamais imaginaria que eu escrevi pra Deus. Fala da minha relação com ele, que desenvolvi desde a infância e de como isso é parte de mim. Fala de como eu o vejo em todos os lugares e eu encaro isso ou como uma perseguição da parte dele ou uma obsessão da minha parte. E por ter saído da igreja e decido cantar fora dela, e viver a vida como eu vivo hoje, me disseram que eu o abandonei, que virei as costas pra ele e por muito tempo acreditei nessa narrativa. Hoje não mais. Acredito que o que estou vivendo é sim parte dos planos dele pra mim.”

 

“Isso aqui sou eu, sem tirar nem pôr”

O novo EP é um trabalho bem pessoal que, ao mesmo tempo, tem um interessante apelo pop. Você ouve as músicas e se identifica com a verdade de DAY. Enquanto isso, em termos estéticos, a cantora pescou suas influências na cena pop punk dos anos 2000, mas sem abandonar o pop que a consagrou ao longo de sua já notável trajetória.

Sobre a novidade, que estará disponível a partir de amanhã (19) nas plataformas digitais, perguntamos sobre influências, estética e letras. Confira abaixo:

TMDQA!: Eu queria que você falasse um pouco sobre o nome do EP. A Culpa É do Meu Signo soa como uma brincadeira, do tipo “A culpa não é minha por ser assim, mas não vou mudar”. Ao mesmo tempo, é basicamente um autorretrato seu, em que você não se mostra (e nem tem por que se mostrar) arrependida com sua personalidade ou com os rumos que tomou. De onde surgiu essa ideia?

DAY: Eu acho que quando comecei a me interessar por astrologia, eu me identifiquei demais com o meu signo. Eu li o meu mapa astral e pensei “isso aqui sou eu, sem tirar nem pôr”. Eu fiquei muito impressionada, porque eu cresci sem acreditar nessas coisas. Cresci acreditando em Deus e ponto final. Eu comecei a ter essa atitude, de que para tudo que acontece, desde mudar de opinião rapidamente até ter lapsos de delicadeza, eu passei a culpar meu signo. “Ah, gente. É porque sou geminiana”. Eu passei a ter realmente esses hábitos, o que é louco.

E aí eu escrevi uma música, há um tempo, chamada justamente “A Culpa É do Meu Signo”, que não está no EP. Eu meio que esqueci dessa música. Enquanto pensávamos o novo trabalho, eu queria incluir “Geminiana”. Eu já percebi que todas as minhas músicas, ou pelo menos a maioria delas, têm essa contradição já inserida. Mostram que a pessoa que está cantando é um pouco indecisa. Nesse momento, achei que seria legal usar o nome daquela música. Achei que tem tudo a ver. Eu pensei o nome do EP antes mesmo das músicas. Isso me deu um norte ainda maior na hora de compor.

TMDQA: Me impressionou muito o que você falou sobre a “Jurei que Não Ia Falar de Amor”. À primeira ouvida, parece que você fala sobre um relacionamento humano cheio de reviravoltas. Na verdade, você está falando sobre sua fé e sua relação com Deus. Como foi redescobrir e recultivar essa religiosidade, mesmo depois de falarem para você que você O abandonou quando seguiu com sua carreira artística?

DAY: Eu amo demais essa música, justamente por ter conseguido falar de uma coisa tão pessoal de forma generalizada, para que as outras pessoas pudessem se identificar. Sobre recultivar essa religiosidade mesmo depois de me falarem que eu abandonei Deus, eu criei um lema na minha cabeça. Se Deus é amor e ele deixar de me amar por eu ser quem eu sou ou por fazer o que eu faço, Ele vai deixar de ser Deus. Então, não faz sentido o que as pessoas falam, sabe? Elas falam que eu abandonei Deus porque não estou cantando na Igreja. Honestamente, redescobrir isso, para mim, foi deixar essas pessoas falando sozinhas. Preciso me afastar de pessoas que me lembravam que meu relacionamento com Deus tinha que ser na base da culpa. Eu nunca concordei com isso e isso não me fazia feliz.

TMDQA!: Você conquistou uma legião de seguidores não apenas por causa da sua participação no The Voice, mas também por causa da sua atividade nas redes sociais. Como você acha que elas ajudaram você a atingir seu público?

DAY: Eu acho que essas atividades nas redes sociais são o que a gente tem para poder se aproximar dessa galera que gosta da gente e da nossa música. Especialmente nesse momento de pandemia, em que estamos sem fazer show, eu acho que é um dos únicos jeitos de fazer com que essa galera se sinta perto de você. Quanto mais perto o pessoal esteja, talvez mais eles se identifiquem e se fidelizem, de alguma forma. As atividades nas redes ajudam demais!

DAY
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“Foi um trabalho muito delicado”

TMDQA!: Você fez uma playlist de aquecimento para o lançamento do EP em que apresentou algumas das influências para as novas músicas. A lista é, na verdade, um “suco de anos 2000”. Tem Avril Lavigne, blink-182, Simple Plan, Paramore, P.O.D., The Used… Mais especificamente, me chamou atenção por ter muito dessa majestosa cena pop punk. Como foi conciliar esses instrumentos na sonoridade fluida do “A Culpa É do Meu Signo”?

DAY: Eu confesso que, no começo, fiquei com um pouco de medo quando vi que essas eram as minhas referências e que esse era o caminho que eu queria seguir. O meu primeiro trabalho não tinha absolutamente nada disso. A única cosia em comum com o primeiro EP é que sou eu [risos]. Eu estava com muito medo de chegar com um novo trabalho e “assustar” as pessoas que já me seguiam. Foi um trabalho muito delicado e muito natural, sabe?

Acho que se deu muito também por causa dos meus produtores, que são maravilhosos e executaram tudo com muita maestria. Eles são produtores do pop mainstream que toca na rádio. Ao mesmo tempo, há dez anos, eles estavam tocando na banda Cine, que tinha como referência bandas como blink-182. Se você junta essas referências em um corpo só, surge esse EP. Dá para perceber que além das referências claras no pop punk, principalmente nas melodias, dá para perceber que as baterias estão mais limpas, eletrônicas e com o ritmo um pouco diferenciado. Acho que, nesses detalhes, a gente conseguiu construir uma coisa única.

TMDQA!: Como você avalia a sua evolução não apenas profissional, mas também pessoal, nesse seu tempo relativamente curto de carreira?

DAY: Eu consigo perceber evoluções mais técnicas, como presença de palco, comunicação e no jeito que eu canto. No âmbito pessoal, eu digo que cada dia que passa é um novo dia para trabalhar a minha insegurança e minha autoconfiança. Com sorte, até os meus 30, eu vou ter vencido tudo que eu tenho pra vencer e vou estar num lugar ainda melhor do que o lugar em que estou hoje.