CCXP 2019 Chorão João Gordo
Foto por Stephanie Hahne/TMDQA!
 

Começou nesta quinta-feira (5) a CCXP 2019, e o primeiro dia já contou com um painel sobre ninguém menos que Chorão.

No ano que vem, o saudoso vocalista do Charlie Brown Jr. ganha um documentário sobre sua vida e obra, chamado Marginal Alado. A direção fica por conta de Felipe Novaes, que esteve presente no painel ao lado dos ex-apresentadores da MTV Brasil Sarah Oliveira, Edgard, João Gordo e o roteirista Hugo Prata.

Durante os 45 minutos de conversa, foi Gordo quem contou mais histórias sobre o músico – e também as mais engraçadas. O vocalista do Ratos de Porão revelou que sua amizade com Chorão começou no extinto VMB, premiação da MTV Brasil, e com uma briga. Após se esbarrarem nos backstage, Gordo resolveu “se defender” do músico briguento com uma peixeira — sim, aquelas facas enormes. Apesar do desentendimento, o vocalista do Charlie Brown Jr. o abordou para parar com a briga, e ainda revelou toda sua admiração por João.

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CCXP 2019 Chorão Documentário
Foto por Stephanie Hahne/TMDQA!

Depois desse episódio, os dois mantiveram uma ótima relação e até passaram por momentos hilários juntos. Em um aniversário de Chorão, João Gordo o ensinou a “cheirar buzina” — ou seja, cheirar a substância dentro de uma lata de buzina para ficar doidão.

Quem também incluiu sua experiência engraçada com o músico foi a ex-VJ Sarah Oliveira. Ela, que era amiga de Marcelo Camelo (Los Hermanos), acabou ficando no meio da briga dos dois, que teve até agressão. Chorão fez questão de se retratar ao vivo no Disk MTV, programa que Sarah comandava na emissora, e ainda convidá-la para ver suas composições.

Abuso de drogas

De acordo com o diretor Felipe Novaes e o roteirista Hugo Prata, o documentário está longe de ser “chapa branca”. O trabalho não esconde o vício do vocalista com drogas, principalmente em relação à cocaína, e foi sobre esse assunto que João Gordo também discorreu.

O apresentador afirma que a “cocaína potencializava todo o mal que o Chorão tinha”, deixando claro que, no fundo, ele era uma pessoa boa. Edgard, que mediou a conversa, também contou sobre como conhecia “dois Chorões”, e como o artista ficava agressivo quando estava sob influência de drogas.

Quando perguntamos a Felipe e Hugo sobre como a relação com as drogas é abordada em Marginal Alado, eles responderam:

Nós tivemos esse norte em cada decisão, na montagem também, e de ser responsável com a juventude, principalmente. Por isso a gente não podia fugir da raia, e tá tudo lá: as histórias terríveis, com droga, com violência, com tudo. Mas a gente também sabia da responsabilidade e não foi difícil garimpar, como as histórias do Gordo. A gente teve um cuidado bem grande em mostrar os problemas que ele teve por causa disso, para que as pessoas não achem legal, não glamorizem isso. Tentamos ser bastante responsáveis com esse assunto sem omitir, mas construir dizendo: ‘olha a confusão que deu’. Nada justifica ele não estar com a gente hoje.

Ainda no assunto das drogas, João Gordo se mostrou arrependido de ter estado também neste “meio”. O apresentador revelou o seguinte:

Chorei muito quando ele morreu. E no dia resolvi fazer um baseado desse tamanho, um tabaco de baseado, e saí de carro para passar em frente ao prédio dele. Isso cheio de polícia, TV e fã, e eu fumando um pra homenagear o cara.

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Champignon

O baixista do Charlie Brown Jr., morto vítima de um suicídio em 2013, gravou uma entrevista para o documentário apenas 7 dias antes de partir. No teaser exibido no painel, é possível ver as cenas com o músico.

Ao abordarem o caso de Champignon, os participantes afirmaram pensar que sua morte foi uma consequência direta da partida de Chorão.

Marginal Alado estreia em 2020, ainda sem uma data definida.