GRITO-CHA-DE-GIM
 

Fotos por Gustavo Xavier

Passando por cima de imprevistos climáticos e técnicos, a 9ª Edição da etapa Goiana do Grito Rock 2015 foi sucesso de público e qualidade! O temporal que aconteceu na cidade no domingo (15/02) e causou diversos estragos por onde passou prejudicou o segundo dia da programação, mas a organização conseguiu dar a volta por cima e agradou grande parte do público realizando um remanejamento de bandas na programação e trabalhou da melhor forma através da mídia e redes sociais para avisar a todos sobre o imprevisto.

Algumas novidades bem interessantes apareceram no line-up do evento e surpreenderam quem ainda não conhecia o trabalho de novos nomes da cena independente brasileira.

Com a intenção de não deixar ninguém parado (ou à mercê do tradicionalismo do carnaval), a organização do evento planejou uma pré festa do festival já na quinta feira (12/02), com shows das bandas Overfuzz e Mad Matters (o primeiro nome divulgado para a apresentação na festa havia sido a banda Dry, que devido a alguns imprevistos não pôde comparecer no local e a Overfuzz tomou conta da festa) e no fim da programação também realizou uma festa de encerramento no Bloco do Evoé (com a participação de Diego Mascate e Simplista, além de discotecagem e um sarau de rua).

Confira nas próximas páginas um pouco do que rolou em cada dia do evento!

 

Sábado – 14/02 (Centro Cultural Martim Cererê)

Alfaiate Club no Grito Rock 2015

No primeiro dia de evento a programação começou mais tranquila e quem não chegou mais cedo perdeu destaques importantes da nova cena musical goiana. A primeira banda a subir nos palcos do Martim Cererê foi a novata Meio Termo, que com sua psicodelia tropical lembrou vagamente o som de outra bandas já maduras no cenário goiano, Boogarins e Luziluzia, o que indica que se depender das águas psicoativas da cidade, é uma banda que tem um bom espaço aberto nos festivais de agora para frente.

Em seguida veio a Alfaiate Club com um trabalho autoral com vocais múltiplos e peso equilibrado com tranquilidade, tirando o fôlego da plateia e surpreendendo quem ainda não conhecia a banda. Quase que simultaneamente, acontecia o show do Projeto Supernova que apresentou um trabalho em várias camadas de som repletas de efeitos de guitarra e com uma vaga semelhança à algumas músicas da banda The Strokes, sempre interagindo bastante com o público e chamando a atenção para o que tem de supernovo (rá!) em Goiânia.

Two Wolves no Grito Rock 2015

Em seguida veio a não tão novata assim Two Wolves, com seu som dançante e melodias tranquilas com letras mais pesadas. Destaque pra a voz impressionante do vocalista Lineker Lancellote e a presença de palco do baixista extremamente empolgado. Com sonoridade que lembra um pouco Kings Of Leon, o quarteto surpreende mais gente a cada apresentação que realiza.

Gutto Sansaloni foi o próximo a se apresentar e mais uma vez emocionou com sua sensibilidade ao cantar, executando suas composições com emoção e se voltando um pouco para o ritmo tradicional do feriado (o samba).

Logo depois veio a banda Anapolina Feed My Kraken, com seu grunge de riffs marcantes e baixo bem pesado, uma sonoridade ousada e interessante. Com samba rock nos pés (descalços do baixista, inclusive) e ritmos e riffs contagiantes nas mãos, a Chá de Gim se apresentou para um público já bem grande e agradou com o teor poético de suas letras, tratando de temas pertinentes da sociedade, com a inserção de instrumentos mais tradicionais como o pandeiro e chocalho durante algumas músicas e uma performance para lá de teatral do vocalista Diego Wander.

Chá de Gim no Grito Rock 2015

Os que eram novatos há pouco tempo, agora já estão virando figurinha carimbada nos palcos dos principais eventos alternativos da cidade: Components foi a próxima banda a se apresentar. Os jovens que compartilham estilo e identidade musical marcantes têm talento, músicas de qualidade e presença de palco.

A banda seguinte foi a Versário, que já é bem conhecida na cidade pelo cover de qualidade dos Beatles que fazem e surpreendem com seu trabalho autoral. Com bateria bem trabalhada, bastante peso e alta qualidade de composições, é possível considerar a banda um dos grandes destaques do cenário goiano que deveria ser mais valorizada ainda.

Lisabi no Grito Rock 2015

A Caffeine Lullabies é outra que há pouco tempo estava entre os iniciantes no cenário musical e agora já se destaca com um som pesado e solos de guitarra muito bem trabalhados em suas apresentações.

Bruna Mendez e sua voz delicada mais uma vez contagiaram o evento e o público goiano, enquanto o grupo paulista Lisabi surpreendeu com seu punk progressivo e destaque para as viradas de bateria, os detalhes do sintetizador usado pela banda e a inserção de instrumentos de sopro, que fazem com que uma música em princípio tranquila estoure de repente e assuste os mais desavisados.

Bruna Mendez no Grito Rock 2015

No campo do instrumental, Dom Casamata e a Comunidade supriram totalmente a ausência de vocal na formação da banda, com diversos efeitos de guitarra que levavam o próprio guitarrista a dançar para conseguir ativar todos os pedais que precisava, mantendo um ritmo dançante e até mesmo pesado com toques de improviso e psicodelia.

O quinteto pernambucano Tagore era aguardado pelo público do evento, muitos na porta chegaram a comentar que se trataria de um dos melhores shows da noite. Com um suporte repleto de instrumentos mais rústicos (como triângulo, chocalho e até apitos de brinquedo) e também diversos elementos eletrônicos, a banda se apresentou de forma muito natural se sentindo bem à vontade no evento, contagiando o público com o ritmo voltado para influências nordestinas e uma multiplicidade de elementos sonoros que surpreendem nas músicas.

Tagore no Grito Rock 2015

Com um público já cativo, Carne Doce se apresentou na reta final do line-up da noite. Apresentando algumas inovações em efeitos e “instrumentos extras” nas músicas do último EP, a banda fez com que o público lotasse o teatro do Martim Cererê, mantendo o ritmo durante toda a apresentação e segurando muito bem o título de destaque no cenário atual. É a psicodelia dos novos goianos se espalhando pelo país e pelo próprio estado de Goiás, já servindo como influência para outras bandas e amadurecendo cada vez mais em suas apresentações.

Em seguida veio o quarteto que acompanha Rafael Castro, com um som bem animado e em sintonia com o público com destaque para um cover inusitado dos Raimundos.

Shotgun Wives realizou mais um show semelhante às suas ultimas apresentações, com público presente em massa, uma grande variedade de instrumentos no palco e o ritmo folk já bem conhecido.

Carne Doce no Grito Rock 2015

O folk ainda era executado quando a psicodelia tomou conta do teatro ao lado. Boogarins subiu aos palcos com o espaço já lotado, chamando a atenção desde sua entrada com a execução de músicas novas mescladas a outras já bem conhecidas do público (“Lucifernandis”, por exemplo, cantada em coro pela plateia) e mostrando uma maior maturidade a cada apresentação. As novas composições inclusive apresentam um pouco mais de peso que o habitual, inovando mas ainda mantendo a psicodelia de sempre. A participação especial de Salma, do Carne Doce, na música “Benzim” ressaltou um detalhe importante (que tanto o público goiano quanto algumas pessoas nacionalmente já perceberam): Goiânia pode já ter sido a capital do “novo stoner rock”, mas a psicoatividade domina o cenário agora e modifica um pouco a visão sobre a variedade de produção musical por aqui.

A apresentação ainda contou com uma continuação não planejada, quando o público pediu mais uma música depois do fim da apresentação e acabou recebendo mais duas: “Fim” e “6000 dias”, além de uma “marchinha” improvisada baseada na música “Erre”, faixas que geralmente ficam de fora do repertório de shows mais curtos.

Boogarins no Grito Rock 2015