Pietá aborda a busca da tranquilidade em meio ao caos no novo disco
Foto: Elisa Mendes / Divulgação
 
Ouça o novo single da Majur!

Formado pela potiguar Juliana Linhares (voz) e pelos cariocas Frederico Demarca (violões) e Rafael Lorga (bateria), o Pietá alterna entre a sonoridade urbana e a busca pela tranquilidade em S A N T O S O S S E G O, segundo álbum de sua carreira.

Neste álbum, o trio trocou a atmosfera acústica de antes por uma poética e sonoridade contundentes, plugadas em guitarras e sintetizadores. Essa abordagem surge em contraponto à desejada tranquilidade para viver em meio ao caos da vida na cidade grande nos tempos modernos.

Falando sobre o trabalho, Letrux escreveu um “Um Chamado”, um belo texto no qual destrincha a obra e analisa cada faixa presente ali.

Há chamados na vida. Às vezes parece que estamos dormindo ou vivendo a vida banal e de repente irrompe um chamado, um cutucão, um sacode. Assim começa S A N T O  S O S S E G O: num abraço de onda feroz, Juliana avisa que ‘morrer é uma passagem, ter o amor por fim e muita coragem’, na primeira música intitulada ‘Pietá’. Estamos em 2019, quem não morreu está tendo que vivenciar absurdos atrozes. Pietá é poderoso, santíssima trindade cênica e musical. Com a força descomunal dos sobreviventes que ainda possuem faísca para lutar, o trio atravessa uma jornada heróica munidos de violão, guitarra, pandeiro, conga, percussões, sintetizadores e vozes. ‘Ah, aqueles homens de manhã soltam os cães / de noite comem nossas vísceras’. Pietá está com as vísceras expostas, mas prontíssimos para qualquer embate como atesta a segunda música do disco, ‘Suçuarana’. O chamado confirma a presença: ‘Eu viro fera, só me provoque pra ver’. A capa do disco é evocada nessa canção, com o doce olhar de uma fera capaz de estraçalhar qualquer um. O coro espalha que o chamado é coletivo, são inúmeras mulheres arredias na grande lua cheia.

‘Esse mundo ainda vai me indoidecê’, a terceira faixa ‘Doidecê’ dá o tom atual do país. Embarcamos com Pietá, enlouquecemos com synths e risadas. ‘Mas esse mundo não vai me indoidecê’, Juliana repensa. Volta-se. Emburaca-se, mas há voltas. Há o tal chamado. E Pietá obedece a ele, numa ‘Oração para Luzia’. O canto enfeitiça e procura disfarçar lágrimas mais profundas que qualquer mistério. Na sequência, com ‘As Coisas’, o choro se instaura como condição atual humana. Estar vivo é mudar a sombra de lugar e esperar a revelação das coisas menos óbvias. Pietá nos segreda: vai ao fundo do mar e coloca no nosso ouvido esse crustáceo com pérola escondida, a ser desvendada. Desvendamos, enfeitiçados por cantos e coros, tanto de sereias quanto de marinheiros.

A artista fala sobre as emoções inspiradas pelo trabalho do trio:

‘Virará’ é quando o chamado se instaura sem volta: Pietá não está mais só nos dando um sacode, está nos erguendo do chão, da rua, da cama, do sofá: ‘é preciso cantar pra fugir dessa hipocrisia’. Fugimos, de mãos dadas numa roda punk, mas fugimos. E esbarramos em ‘Jabaculê’, uma canção manifesto que, de maneira majestosa, resume os últimos anos brasileiros. Enquanto os hipócritas criticam os artistas com suas mamatas que nunca existiram, Pietá gargalha na cara dos caretas e brinca de roda, de funk, e cita trecho do ‘Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu’, da escritora Jo Clifford. A teta a ser mamada é a do desejo, sem conchavos – e dedo na cara só de quem merece.’Oração pro Rio’ assombra os ouvidos em meio à cidade desmoronada do Rio de Janeiro. Desmoronamentos geológicos, mas também políticos e por que não psíquicos? Estar no Rio é saber o que é o amor e o ódio, diariamente. Sendo local ou imigrante, conhece-se essa sensação bipolar. O chamado vai dando sinais que a caverna está próxima. Ou a saída da própria caverna? ‘Mar de Sonhos’ anuncia o rasgo de luz que perfura a escuridão. Essa música chega como um sonho, soluciona questões e dúvidas: “quero dormir nos braços do meu bem e enfim sonhar”. ‘Iara ira’ finaliza o belíssimo S A N T O S O S S E G O com o encontro da sereia e a pomba-gira. É onírico, mas pega fogo. O sossego que catapulta, o chamado que desperta: a voz alucinante de Juliana, as composições sensacionais de Frederico Demarca e Rafael Lorga, entre outros. Seus violões, pandeiros, congas, percussões, tudo tão divinamente produzido por JR. Tostoi. O sossego é santo, mas o coração está em chamas.

Shows de Lançamento da Pietá

A turnê de divulgação do registro começa em 1 de Agosto em São Paulo, no Mundo Pensante. Os ingressos custam a partir de R$15 e podem ser adquiridos aqui. Em seguida, no dia 9 de Agosto, a banda vai para Belo Horizonte. O show acontece no DO AR e os ingressos já estão disponíveis. Já em 22 de Agosto, a banda toca em Porto Alegre no Agulha, e você pode encontrar ingressos por aqui.

     
 
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