Jimmy & Rats
 

Você com certeza já ouviu falar bastante por aqui a respeito desses dois nomes: Jimmy London e Rats.

Enquanto o primeiro é o vocalista do Matanza, que está encerrando as suas atividades, o segundo batiza uma banda carioca que mistura Punk, Folk e música irlandesa dentro de um pacotão normalmente categorizado como irish punk.

Pois bem, agora que sua banda está dando um tempo, Jimmy resolveu se juntar aos ratos e o projeto Jimmy & Rats nasceu para combinar o seu vocal característico com as potentes canções da banda, em um encontro que faz mais do que sentido.

Hoje nós estamos estreando por aqui o vídeo de “Tempo Ruim” em uma live session, e além disso apresentamos uma conversa que tivemos com os caras a respeito dessa nova fase.

Divirta-se com tudo isso logo abaixo.

TMDQA!: RATS já é um nome conhecido na cena underground brasileira e agora chega a essa nova fase com a presença de Jimmy London. Como tudo aconteceu e como será a efetiva participação de Jimmy em todo processo de estúdio e shows?

Jimmy: Na verdade, estamos vivendo um dia de cada vez. Eu não entrei pra banda
exatamente, mas neste momento estamos juntos e tá sendo legal pra cacete. Tipo um
projeto novo que junta duas coisas que já existem pra chegar numa terceira ainda maior
que a soma das duas partes, espero. Gravamos essa live e eu já tenho uma porrada de
ideia pra um disco inteiro. Os caras também já estavam quase entrando em estúdio para gravar algo, mas rolou um breque pra gente rever o que funciona melhor pra todo mundo.

Honestamente, eu to amarradão pra gravar logo um CD com esses caras, as músicas
novas estão ficando iradas pra cacete. Uma puta honra me misturar com esses caras e um
puta prazer ser recebido com todo esse carinho.

Fernando Oliveira: O Jimmy já era o sexto Rat, sempre participou indiretamente dando
palpites desde que comecei a planejar a banda. Tem música do Rats que compusemos
juntos, e ele produziu nosso CD. Então foi uma união bem natural. O jeito de pensar já
estava meio afinado. Só estamos levando isso pra um outro nível. Um nível de trabalho claro, não é só por diversão, sabemos da fama workaholic dele, mas isso é bom que tira um pouco essa função de mim (risos).

Onde isso vai dar? Não sei, até agora ninguém morreu, pode ser que dure 6 meses,
pode ser que dure 1 ano, pode ser que dure pra sempre, na real não tô preocupado com
isso. Agora tá maneiro e vamos seguir assim até onde o vento soprar.

Kito: Engraçado, no início a gente ia fazer uns shows juntos tipo o que fizemos no Saloon 79 no início do ano, mas era segredo, daí o Jimmy anunciou o projeto e as coisas foram crescendo. Começamos a ensaiar e surgiram as versões de bandas que gostamos, entraram composições novas que estariam no próximo disco do RATS, rearranjamos umas músicas antigas e antes mesmo da gente ter um set de show ou essa Live (que
seria um material mais pra mostrar nossa cara), nós fomos convidados abrir dois shows internacionais grandes.

Tudo está acontecendo rápido e meio fora de controle. Fiquei sabendo que o Jimmy pensa
em um disco com a gente quando estava gravando o making of, então no momento eu
estou vivendo essa maravilha aleatória e vou me surpreendendo tanto quanto vocês
com toda a novidade que chega.

Sobre a participação do Jimmy, não tem segredo. Ele é um cara com mais de 22 anos de
experiência nesse negócio de ter banda no Brasil, sabe como funciona tudo desde a
produção de shows, filmagens, timbres de instrumentos, gravação em estúdio, etc. Quanto mais ele se meter, melhor pra gente, isso é inegável.

TMDQA!: É normal que quando uma banda passe por transformações sua sonoridade receba influências das mais diversas. O que vocês entendem que será agregado ao som do RATS a partir de agora?

Fernando Oliveira: Uma característica de mudança é que temos trabalhado mais nos vocais, pois agora com o Jimmy assumindo o microfone na maioria das músicas ficamos eu, o Gajo e Kito pra fazer os coros e harmonizar os backings.

Kito: O Rats começou seguindo uma linha bem irish punk, porém hoje em dia nos transformamos em algo abrangente que bebe de várias fontes. Flertamos com a música cigana, música clássica, com o country e várias vertentes do rock. Isso porque cada músico tem uma bagagem diferente e na hora em que estamos arranjando as novas canções tudo fica bem evidente. Agora que somos seis, vamos ter mais conteúdo para somar e mais assuntos para discutir. O Jimmy é um grande conhecedor do blues, do country e do folk americano. Ele dá aula de John Lee hooker, Charlie Musselwhite, Johnny Cash, Hank Williams, Willie Nelson, Bob Dylan, etc. De uma forma ou de outra isso vai acabar entrando nas composições, seja por sugestão ou meramente por convivência.

O mais importante ao meu ver é que com a “entrada” dele nós tivemos que sair da zona de conforto e começar a estudar mais, ensaiar mais, praticar mais… Hoje somos músicos melhores, seja para fazer um show, uma live ou entrar em um estúdio.

TMDQA!: Outro fator importante é que Jimmy sempre foi figura marcante do Matanza,
principalmente por conta da sua voz rouca e presença de palco. Como tem sido
incorporar isso tudo ao RATS?

Kito: Hoje somos uma gangue de seis, com certeza o show vai ficar mais imponente. Agora podemos também fazer arranjos vocais mais elaborados pois eu e o Jimmy temos timbres e uma rouquidão que são bem complementares. E como virei um espécie de “CJ Ramone”, posso ficar mais livre pra tocar melhor minha guitarra e dar um reforço de peso nos coros de galerão!

Fernando Oliveira: Em algumas músicas do Rats o timbre rouco do Jimmy se encaixou
bem, em outras ele acabou aliviando o drive pra que soasse melhor; ele canta super bem com sua voz mais natural e achamos que devesse explorar mais isso tb. Assim como a parte instrumental de músicas do Matanza, que foi preciso rearranjarmos pra encaixar à nossa realidade, porque se por um lado não podemos oferecer aquele peso todo, por outro contribuímos com sonoridades que as músicas antes não tinham.

TMDQA!: Vocês irão abrir o show de uma das bandas mais lendárias do planeta no Irish Punk, estilo que tão bem representam em suas canções. Como vocês imaginam essa noite com o Flogging Molly no Circo Voador, ao lado de Jimmy e doses cavalares de Whiskey por todos os cantos?

Fernando Oliveira: Sem Flogging Molly não existiria Rats. Em 2001 acabei assistindo por
acaso ao show deles em Los Angeles abrindo pro Mighty Mighty Bostones. A primeira sensação foi de curiosidade ainda antes do show. Quando vi os caras se arrumando no palco, além de guitarra, baixo e batera, vi violino e bandolim, Isso chamou minha atenção e fiquei pra assistir, e quando aquele tiozinho entrou com o violão e começou a tocar (a música era “Salty Dog”) foi como um choque, e lembro que pensei, “Porra! Então rock também pode ser assim?” Pirei, eles estavam lançando o primeiro disco, Swagger, eu o comprei e só ouvi isso até voltar pro Brasil. Sempre sonhei em brincar daquilo também mas demorou alguns anos até que eles ficassem conhecidos por aqui, tanto pra arrumar gente pra montar a banda quanto gente pra assistir aos shows da banda. Em 2012 aquele sonho de 10 anos atrás foi realizado. E hoje dividir o palco com eles é tipo um encontro de um filho com a mãe 17 anos depois.

Kito: Particularmente eu não tenho pensando muito no assunto, a vida anda uma loucura com várias reviravoltas dignas de uma novela mexicana. Acho que mais pra frente a ficha vai começar a cair. Afinal de contas vai ser a terceira vez que eu vou pisar no palco do Circo Voador, só que agora do meu lado direito do palco, vai ter o frontman de uma das maiores bandas de rock do Brasil nos últimos 20 anos… e além disso, eu vou fazer o show de abertura para a banda que é a razão do RATS existir… Caralho a ficha tá começando a cair! Acho que essa noite tem tudo pra ser um dos highlights da minha vida como músico. Tá vendo aí a novela mexicana!

TMDQA!: Vocês podem nos contar um pouco sobre a ideia por trás e as gravações dessa sessão em vídeo?

Jimmy: Estamos fazendo uma sessão ao vivo. São seis músicas gravadas e filmadas sem edições ou roubos digitais, simplesmente seis caras tocando. Uma música que escrevi pro Matanza, uma que escrevi com o Fernando que acabou indo pro Matanza e pro Rats, uma outra com ele que só o Rats tocava, uma inédita de nós três e uma versão de Bob Marley, além de uma música bônus do Gajo. Ou seja, tentamos fazer um retrato abrangente de tudo que queremos mostrar no palco, um vasto apanhado de todos os lugares que queremos ir com o nosso repertório, só que sempre dando essa cor “Jimmy & Rats” a tudo.

Muito country, folk, irish and punk rock, óbvio, porque sempre tem que dar uma sujada ou não tem graça…

Fernando Oliveira: Tudo tem rolado meio que de repente, começamos com plano de
fazer um som, que virou um show, e pensamos que seria legal ter um material pra soltar
e fazer a galera conhecer um pouco do q tem rolado nos ensaios e prever o que estará nos
shows. Pensamos em uma, depois duas, no final filmamos seis músicas. Tem Matanza, tem Rats, tem cover e tem até uma inédita.

Começamos pensando em algo simples com câmera parada num estúdio pequeno, virou
uma equipe de 20 pessoas num trampo de 2 dias inteiros num casarão no Alto da Boa
Vista.

Só não foi perfeito porque não teve a galera que vai completar o motim nos shows e fazer
esse projeto ser tão foda como achamos que será.

Kito: Um grupo de marmanjos mancomunados com o tempo, no Alto Estúdio (um lugar foda no Alto da Boa Vista), atravessando por todas as intempéries da vida para continuar fazendo rock da melhor forma possível. O resultado que desse projeto é o esforço de muitas pessoas que acreditaram na gente, mesmo quando nós mesmo estávamos cheios de dúvidas. Deixo aqui um salve geral para toda essa galera. Vocês sabem quem são vocês!

Flogging Molly no Rio de Janeiro

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