Kali Uchis - Isolation
 
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Resenha por Lucas Lima Oliveira

Como se tivesse acabado de acordar, Kali Uchis, com sua voz meiga e preguiçosa, introduz Isolation, seu álbum de estreia. A canção que abre o registro é “Body Language”, faixa calcada na bossa nova e na suavidade. A suavidade, aliás, reina por todo o disco, embora as canções apresentem influências diversas (vamos falar sobre isto mais adiante). O mergulho começa, justamente, com a bossa. A colombiana, em trecho da canção inicial, solta a pergunta: “Can you feel me now” (você pode me sentir agora?). Pois bem, ainda que a introdução seja mais suave do que o disco como um todo, é possível sentir a atmosfera tropical de Isolation logo na primeira faixa.

Kali Uchis é uma mulher inteiramente imersa no cenário musical. Não é de agora que a cantora faz participações em diversos lançamentos de outros artistas. Um dos parceiros de maior destaque é o rapper Tyler, The Creator, presente também no dito disco de estreia da cantora. Transitar tão bem entre tantos lançamentos talvez justifique que Isolation venha com um número de participações considerável. BIA, Steve Lacy, Jorja Smith e Reykon emprestam suas vozes em “Miami”, “Just a Stranger”, “Tyrant” e “Nuestro Planeta”, respectivamente. O álbum ainda teve interferência de Thundercat, Damon Albarn, Sam Smith, Jessie Ware e Two Inch Punch, que trabalharam na produção de algumas faixas.

Como apontado inicialmente, o disco, visto de cima, é singular. Mas se colocarmos a lupa em cada faixa, o passeio de Kali Uchis por diversas influências é grande, embora o registro tenha como base o jazz e o R&B. Durante as 15 músicas, a colombiana usa traços do rap em “Miami”; mergulha no soul, cheio de groove, em “Just a Stranger”; se baseia no blues em “Flight 22”, canção onde a cantora ecoa com mais dureza a sua voz; usa de ritmos latinos na hiper pop “Nuestro Planeta” e bebe da fonte do indie pop em “In My Dreams”.

Diante de tremenda tempestade de ritmos, não é difícil descobrir os pontos de conexão entre as faixas. Praticamente em todas as canções, Kali Uchis deixa em evidência um refrão marcante, o chamado refrão chiclete, e, assim, dá uma roupagem comercial para as canções. E ela faz muito bem isto.

“What do I do it for/I’ve been working so hard just to give you more
/Gotta get right/What do you do it for/When the rest of the world is falling through the floor/You gotta get right” (O que preciso fazer?/Tenho trabalhado duro só para te dar mais/Tenho que acertar/O que você precisa fazer?/Quando o resto do mundo está caindo pelo chão/Você tem que acertar), diz trecho de destaque da funkeada “Your Teeth In My Neck”.

Outro ponto de destaque é que as músicas ou apresentam sonoridade dançante ou delicada, no caso das baladas. A voz de Kali Uchis, embora entoada com mais força nos refrães, com o apoio de backing vocals, aparece sempre com uma sonolência característica, que além de deixar uma marca, soa extremamente agradável e deliciosa aos ouvidos. A quebra desta suavidade vem justamente nas canções com parcerias, como, por exemplo, em “After The Storm”, em que Tyler, The Creator marca presença.

A narrativa também garante o disco como um pacote. As letras tratam, basicamente, sobre paixões, desilusões e sentimentos que Kali Uchis colocam à flor da pele para que possamos sentir. E, diante deste doce furacão, é possível sentir.

Isolation, ao mesmo tempo que consegue ser profundo por sua imensidade de ritmos, garante ao catálogo de Kali Uchis uma lista grande de hits. Praticamente todas as canções têm potencial para o sucesso em massa.

Após passos pequenos em participações e o lançamento do EP Por Vida, em 2015, a cantora colombiana, enfim, se colocou com um trabalho contundente para o cenário da música mundial.

   
 
REVIEW GERAL
Nota
8.5
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