Green Day no Brasil
Foto: Bruno Pereira
 

Fotos por Bruno Pereira

Demorou, mas valeu a pena a espera.

Sete anos depois de se apresentar no Rio de Janeiro, o Green Day voltou à Cidade Maravilhosa para abrir a turnê Revolution Radio no Brasil. E no show, realizado na Jeunesse Arena, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, não faltaram clássicos, novos hits, brincadeiras e muita roda punk (com respeito e consciência).

A noite começou cedo, por volta de 20h30, com a abertura do grupo de Los Angeles The Interrupters, que está no país pela primeira vez. A banda, formada por Aimee Interrupter (voz), Kevin Bivona (guitarra e backing vocals), Justin Bivona (baixo e backing vocals) e Jesse Bivona (bateria e backing vocals), animou o público, que chegava aos poucos, com seu som meio Rancid, meio Sublime e vocal que lembra Courtney Love, em faixas como “A Friend Like Me”, “She’s Got Arrested”, “This is the New Sound” e “Family”.

Marcado para começar 21h30, logo depois do horário as caixas de som do local tocaram “Bohemian Rhapsody”, do Queen, indicando que o Green Day surgiria em breve. Na sequência, entrou no palco o mascote do show: um coelho rosa que anima a plateia enquanto rola “Blitzkrieg Bop”, dos Ramones, de fundo.

Às 21h49, Billie Joe Armstrong (voz e guitarra), Mike Dirnt (baixo e backing vocals) e Tré Cool (bateria) finalmente apareceram, causando furor no público. Para abrir a apresentação, com mais três músicos de apoio, o Green Day escolheu “Know Your Enemy”, do álbum 21st Century Breakdown, de 2009.

No meio da execução da potente faixa, Billie Joe chamou ao palco um fã que estava próximo da grade. O rapaz cantou um trecho da canção junto com seu ídolo e depois se lançou por cima da plateia. Ao final, chamas de fogo foram lançadas, deixando o clima do show literalmente quente. A apresentação continuou com “Bang Bang” e “Revolution Radio”, ambas do mais recente trabalho dos californianos.

Mais tarde, o vocalista conversou com os fãs pela primeira vez. “Demorou tanto, sete anos!”, disse Billie Joe. “Estamos de volta e vamos nos divertir e enlouquecer. Chega de negatividade, de Facebook ou Instagram. Esta noite estamos juntos, todos os punks, todos os bizarros. Formamos uma família”, completou o cantor de 45 anos, mas que nunca perde sua vitalidade adolescente.

Em meio aos elementos pirotécnicos, que sempre fazem enorme sucesso, o show seguiu com “Holiday”, “Letterbomb” e “Boulevard of Broken Dreams”, todas presentes no aclamado disco American Idiot (2004). Antes da primeira, Billie Joe fez um discurso entusiasmado contra o racismo, fascismo, sexismo e seu Presidente da República, Donald Trump, o que, claro, também resultou no coro uníssono de “Fora, Temer”, vindo da plateia.

Durante “Longview”, do CD Dookie, de 1994, Billie Joe novamente convidou um fã ao palco e deixou que ele cantasse parte da música. O jovem também deu mosh na hora de voltar para o meio da multidão. Depois de “Young Blood”, Billie Joe perguntou quantos fãs de Green Day antigo estavam no show.

Ao testemunhar a reação efusiva do público, o vocalista anunciou animadamente que a próxima canção do repertório remontava ao ano de 1991. Era “2000 Light Years Away”. No meio da execução da faixa, Billie Joe acionou uma mangueira para jogar água na direção do público e também lançou camisetas para a plateia através de uma espécie de bazuca.

Depois de fazer os fãs surtarem com “When I Come Around” e “Welcome to Paradise”, o Green Day animou a plateia com “Minority”, do disco Warning (2000), apresentando também a banda e os músicos de apoio. Fanfarrão e showman como poucos, Billie Joe brincou com a nacionalidade do tecladista, dizendo que ele era brasileiro. O cantor desmentiu em seguida.

Na hora de “Are We the Waiting”, o vocalista se enrolou na bandeira que simboliza o movimento LGBTQ, sendo ovacionado pela plateia. Após “St. Jimmy”, o Green Day promoveu uma jam que levantou a galera, dando sequência ao setlist com o cover de Operation Ivy, “Knowledge”, quando uma fã foi chamada ao palco e arranhou nas notas com a guitarra de Billie Joe.

A temperatura do show subiu mais uma vez com a dobradinha de “Basket Case” e “She”. Em “King for a Day”, todos no palco apareceram fantasiados e o saxofonista, vestindo um turbante de faraó na cabeça, puxou um solo de “Garota de Ipanema”, de Vinicius de Moraes.

Depois veio um pot-pourri de “Shout” (The Isley Brothers) com “Always Look on the Bright Side of Life” (Monty Python), “(I Can’t Get No) Satisfaction” (The Rolling Stones) e “Hey, Jude” (The Beatles), seguido de “Still Breathing” e “Forever Now”, para fechar a apresentação, às 23h46.

Após alguns minutos no aguardo, o público aplaudiu o retorno de Billie Joe, que, sozinho, voltou para cantar em formato acústico as duas últimas músicas do repertório. A primeira canção foi a ótima “21 Guns” e a derradeira foi “Good Ridance (Time of Your Life)”, que, sob chuva de papel picado, deu real significado ao sentimento dos fãs. Depois de duas horas e meia de uma apresentação eletrizante, com a performance de uma banda que parece estar no melhor de sua forma, o público, definitivamente, presenciou um dos grandes momentos de suas vidas.

Setlist:

1. “Know Your Enemy”
2. “Bang Bang”
3. “Revolution Radio”
4. “Holiday”
5. “Letterbomb”
6. “Boulevard of Broken Dreams”
7. “Longview”
8. “Youngblood”
9. “2000 Light Years Away”
10. “Hitchin’ a Ride”
11. “When I Come Around”
12. “Welcome to Paradise”
13. “Minority”
14. “Are We the Waiting”
15. “St. Jimmy”
16. “Knowledge” (cover de Operation Ivy)
17. “Basket Case”
18. “She”
19. “King for a Day”
20. “Shout”/ “Always Look on the Bright Side of Life”/ “(I Can’t Get No) Satisfaction”/ “Hey Jude” (covers de The Isley Brothers, Monty Python, The Rolling Stones, The Beatles)
21. “Still Breathing”
22. “Forever Now”

Bis:

23. “American Idiot”
24. “Jesus of Suburbia”

Bis 2:

25. “21 Guns”
26. “Good Riddance (Time of Your Life)”