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Recentemente, Chino Moreno, frontman do Deftones, deu uma entrevista à Spin e falou sobre a discografia do Deftones, da estreia com o Adrenaline, até os dias de hoje. Outros assuntos também foram abordados, como a morte do baixista Chi Cheng e como isso afetou o processo de gravação do Eros, que nunca foi lançado.

Confira trechos sobre cada assunto abaixo.

• Sobre o Adrenaline, disco de estreia da banda lançado em 1995 e os objetivos com o álbum:

Honestamente, ainda penso que não tínhamos uma grande visão do que estávamos tentando fazer naquela época. Acho legal, porque éramos muito inocentes gravando aquele disco, e por causa disso, não nos colocamos dentro de uma caixa tipo, “É isso o que somos.”

As pessoas sempre dizem que é o nosso disco mais pesado. De alguma forma, é muito mais agressivo ou raivoso. Mas se você ouve ele, há muito do que ainda existe na música do Deftones atualmente, que é muito mais dinâmica e um tipo de lado mais libidinoso, ou o oposto da total agressividade. Todas essas influências de alguma forma encontraram seu caminho, mas de um jeito orgânico. Não foi muito tipo nós sentarmos e pensarmos sobre o que estávamos tentando fazer.

Dito isso, fiquei um pouco chateado [com o álbum] porque acho que não ficou tão bom quanto poderia. Nossos ensaios eram ótimos, como se estivéssemos tocando para ninguém, nós sentávamos e tocávamos e um espaço minúsculo. Lembro que a gente tocava aquelas músicas olhando uns para os outros e pensando, “Nossa, essa parada é muito pesada e infecciosa.” E então gravamos, e não transferiu realmente o que era para ser. Então, por mais que eu estivesse feliz que tínhamos conseguido gravar um disco, eu sempre pensei que coisas melhores estariam por vir.

• Sobre o Around the Fur, de 1997 e como ele representou melhor o som do Deftones ao vivo:

Definitivamente conseguimos com o Around the Fur. Até hoje, sinto que é um de nossos melhores trabalhos porque tivemos uma segunda chance de gravar um disco em uma época quando conseguimos um contrato bom. Bandas como a nossa não eram nada no mainstream, eles não iriam tocar nossas músicas na rádio. E mesmo em rádio de faculdades, era tudo editado e tiravam até os gritos, porque naquele tempo não tinha ninguém gritando nas rádios. Então o fato de que a gente conseguiu gravar um segundo disco é tipo, “Vamos nos jogar de cabeça”. Sinto que realmente capturamos aquela época em nossa juventude.

• Sobre o White Pony de 2000 e a surpresa de um disco mais experimental ser o maior sucesso comercial do Deftones:

Bsicamente foi o início dos discos ficarem difíceis de gravar para nós. No Around the Fur, entre o início das gravações até a mixagem, levamos quatro meses. E quando começamos o White Pony, houve muita… Não quero dizer briga, mas houve muita discussão sobre como deveria ser feito, houve muita tensão. E levou um ano para ficar pronto. Custou perto de um milhão de dólares para ser feito. Naquela época, os orçamentos obviamente eram muito maiores, mas foi um disco difícil de ser feito.

Mas no final funcionou porque toda a tensão que envolvia a todos levou o projeto a um lugar onde não esperávamos. Foi difícil chegar lá, mas quando chegamos, foi tipo, “Nossa, acho que valeu a pena.”

• Sobre competir na rádio com as bandas da época:

Sempre tive problemas de tentar ir na direção contrária. Ainda faço isso. É meio que um instinto natural que não consigo evitar.

Tive sentimentos divididos em relação a isso. Algumas coisas são difíceis de engolir. Quando uma banda como o Limp Bizkit – que definitivamente é uma boa banda, escreveu vários hits… Eu olhava e pensava, “Ok, se não fosse pela gente, se não fosse por algo que começamos a fazer, não haveria Limp Bizkit.” Não que eu ligasse, mas o que me machucou foi que, tá, somos uma banda de sucesso, mas o sucesso com uma banda dessa é em outro nível. Com o White Pony, que é o nosso disco mais conhecido, nós mal vendemos um milhão de cópias. O Limp Bizkit vendeu cerca de sete milhões.

Então é um outro nível de sucesso, onde aqueles caras não precisam trabalhar pelo resto de suas vidas e fizeram tudo aquilo de dinheiro. Enquanto a gente ainda corre para fazer isso. É totalmente diferente. Então uma parte de mim queria ficar brava, mas no final das contas, as coisas são como ela são.

• Sobre ser uma banda novamente após o falecimento do baixista Chi Cheng e o disco Eros, que não foi lançado:

Após o Saturday Night Wrist, começamos a gravar outro álbum, que se chamava Eros. A banda começou a reconectar-se na parte de amizade. Estávamos nos divertindo novamente – íamos ao local dos ensaios, e ninguém aparecia até às 20h, e assim que chegávamos lá, jogávamos dominó ou War. Jogávamos jogos de War que durariam semanas. Então passávamos horas só jogando, falando besteira, se divertindo mesmo. Mas quanto à ética de trabalho, a música estava saindo muito lentamente, e não era tão boa assim – muita coisa sinuosa e improvisada.

Quando o Chi sofreu o acidente, estávamos a seis meses de finalizá-lo. Mas naquela altura, tudo foi interrompido. Todos nós meio que demos uma parada nas gravações, todos os pensamentos estavam com o Chi e seu bem-estar e o que iria acontecer a ele. Demorou uns seis meses para toda a banda voltar para Sacramento, onde ensaiamos. Sentamos e falamos durante algumas horas sobre ele e todo o resto. E antes de até termos uma chance de realmente começar a falar sobre o futuro da banda, todos foram até seus equipamentos e começaram a tocar. Começamos a tocar naquele dia e é basicamente o que virou o Diamond Eyes, de 2010.

E naquele ponto, estávamos tipo, “Bem, ok, se formos fazer isso, obviamente não vamos procurar por um baixista, mas talvez algum de nós toque baixo no álbum. Se não, vamos chamar o Sergio [Vega].” Ele substituiu o Chi quando ele quebrou o pé anos atrás em turnê com o Black Sabbath e não queríamos deixar a turnê. Então chamamos o Vega para tocar conosco, ele aceitou e foi ótimo.

Em dois meses, tínhamos todo o Diamond Eyes escrito e havia toda essa reconexão que havia sido perdida nos últimos dez anos, mais ou menos. E tínhamos entrado nesse groove e acho que pegamos toda nossa tristeza, tudo que estávamos passando e despejamos em nosso trabalho. Alguns meses depois, lançamos o Diamond Eyes e estávamos tipo,
“Nossa.” Tinha esse sentimento de criar um disco juntos, todos em uma sala, redescobrindo essa animação de escrever músicas, tudo acumulado de uma vez. E acho que este disco é um grande testemunho disto.

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Hoje, 8 de Abril, sai oficialmente o novo álbum da banda, intitulado Gore. É o primeiro registro em quatro anos, após o Koi No Yokan, de 2012.