image

O ano está acabando e como de costume, o Lollapalooza Brasil revelou seu vasto Line Up para 2015, um tanto repetitivo, mas este é o reflexo do mercado atual e dos artistas que garantem venda de ingressos.

Como este espaço é dedicado a dance music e cultura eletrônica, vou focar nas atrações que vão fritar, ou não, o público do festival.

Do lado nacional, a paulista DJ Anna e Fatnotronic representam as pistas brasileiras, enquanto, do lado internacional temos novamente os farofeiros Steve Aoki e Skrillex. Mas nem tudo está perdido caro leitor, as presenças de SBTRKT (foto) , Alt J, Major Lazer, os “pops” Dillon Francis e DJ Snake dão esperança de nos surpreendermos em meio a tantas atrações repetidas.

música/TUMBALONG Bon Chat, Bon Rat (AUS), Electric Wire Hustle (NZ), Ghostpoet (UK), LUNICE (CAN), Mitzi (AUS), SBTRKT (UK), Simon Caldwell (AUS), Tiger & Woods (ITA)

Claro, tem o Foster The People, um dos artistas mais remixados dos últimos anos. Particularmente eu gosto deles, apesar de boa parte de suas músicas parecerem parte integrante de peças publicitárias. Sem esquecer da histérica Marina & The Diamonds que flertou muito com a disco music e vale ser citada aqui. Enfim, bom festival para os que vão e boa sorte com a maratona.

Quem sabe eu cubro a parte eletrônica do evento.

 

E já que o Skrillex está a caminho, vamos aproveitar a oportunidade e assistir ao novo vídeo de seu projeto Jack U, que conta com uma parceria fixa do galã Diplo (atual namorado da chatinha Katy Perry) e participação da diva retro house Kiesza. Interessante…

Dica e bate papo da semana

DJ Thaysa Azevedo

A convidada da semana é a DJ e agitadora cultural Thaysa Azevedo. Ela fala de seus projetos nos decks e como curadora musical. Aproveitando, fala quais são seus dois remixes (ao vivo) favoritos.

 

 

Quando você começou sua carreira?

Comecei há 3 anos. Entrei na cena como produtora cultural, sendo responsável por realizar o primeiro Encontro Mundial do Soundcloud no Brasil. Logo após o evento, dei início a um curso de DJ na DJ Ban e entrei de cabeça na discotecagem e produção cultural.

Quem te influenciou?

Sempre gostei de música. Quando criança e adolescente, fiz cursos de piano, violão e bateria. Praticava inglês traduzindo letras de músicas. Posso dizer que meu pai me influenciou. Ele sempre curtia me apresentar artistas de seu gosto. Seja de samba, mpb, bossa nova, música folk, rock… Minha relação com a música foi potencializada por conta destes estímulos.

Minhas pesquisas musicais, no âmbito profissional, começaram com o indie rock, mas logo me apaixonei pela música eletrônica e desde então, tenho me aprofundado em suas vertentes cada vez mais.

A cena eletrônica mudou muito de uns tempos pra cá. O que melhorou e o que piorou?

Sim, mudou. Mesmo que eu não tenha vivido pessoalmente os gloriosos momentos da cena clubber e underground de São Paulo, estudei muito a respeito e consigo perceber mudanças nas relações e movimentos da cena. A evolução da tecnologia foi um convite para a massificação do ato de discotecar. Para mim, não existe certo e nem errado. Existe a evolução dos movimentos. A vida é assim. As mudanças vão acontecendo com base em movimentos maiores do que nós e o que nos cabe é entender como nos colocamos e nos reinventamos à medida em que eles acontecem. Desde o começo, faço questão de gravar e tocar com meus CDs. Quero me aprofundar mais na discotecagem com o vinil. Mas, não deixo de me especializar nas mixagens via Ableton, que me dão um outro nível de manipulação da música. São diferentes objetivos e cabe a cada um saber o que está buscando para si e para seu desenvolvimento como artista na cena.

A música está cada vez mais em alta, independente dos estilos. No caso da música eletrônica, isto é uma verdade absoluta. O mercado tem crescido vertiginosamente no mundo inteiro e o Brasil tem uma representação cada vez maior, com grandes festivais desembarcando por aqui e o desenvolvimento de projetos como o Rio Music Conference, que estimulam a produção de conteúdo sobre a cena. Vejo um futuro promissor para quem atua com música. Com foco, comprometimento e clareza do que se busca, podemos alcançar nossos objetivos.

 

Quais mulheres têm feito diferença na cena de e-music nacional?

Logo que decidi me aprofundar na música eletrônica, um dos lugares que mais batia cartão era o D-Edge, pelo fato de ter como foco as vertentes da House Music e do Techno, além de festas como a CIO, que tem a veterana Glaucia ++ como uma das responsáveis e que admiro pela quantidade de projetos já realizados em prol da cena. Por conta do D-Edge, conheci a DJ Ingrid, que foi uma das DJs que mais me inspirou. Além de passar uma imagem de respeito e estilo, possui um bom gosto musical único. Hoje tenho a felicidade de poder conhecê-la um pouco melhor e ter aumentado ainda mais a minha admiração. Outra DJ que representa muito bem o Brasil internacionalmente e que vejo crescendo cada vez mais é a Paula Chalup. Admiro muito o som dela e vejo a seriedade de seu trabalho.

 

Me fale um pouco sobre seus projetos e residências.

Depois do Encontro Mundial do Soundcloud, lancei o projeto Colors’n’Beats que tinha como objetivo unir DJs e VJs na cena eletrônica, pois logo que entrei percebi que essa união não acontecia com naturalidade. O projeto tinha uma proposta muito interessante e foi muito elogiado, porém por falta de espaços apropriados e pouco investimento por parte dos nightclubs em São Paulo, não tive forças para continuar. Até hoje o Spetto me cobra para retomarmos (risos), mas acho que o Colors’n’Beats plantou uma semente do que vem se tornando hoje o projeto TrendBeats.

TrendBeats é um projeto multi-plataforma de criação e disseminação de conteúdo na música eletrônica. Temos nossa fan page, um podcast, festas próprias, apoio a festas relevantes sob o ponto de vista de nossa curadoria e um programa de TV na Web em parceria com a BAN TV. Além de idealizadora, diretora geral e residente do projeto, também apresento nossa revista eletrônica. O TrendBeats é formado por integrantes fixos e colabores. Estamos em fase de planejamento para 2015 e posso dizer que vem muita novidade por aí.

Como DJ, me especializei nas vertentes do House e Techno underground. Já me apresentei em clubes como Lions, Squat, Bar 8, Mono Club, Lab Club, D4, Apartamento Byob, Trackers, A Lôca e diferentes festas da cena, como Insomnia, Fluido, Overflor, entre outras. Atualmente, estou lançando um projeto que passeia pelas vertentes do Downtempo e Ethnotronica, ao qual divulgarei novidades em breve.

Este ano, também tive o prazer de dar início a uma coluna semanal para a revista Mixmag Brasil, onde eu realizo a curadoria das principais festas ao redor do Brasil, além de ter sido convidada a me tornar embaixadora do Rio Music Conference, ao lado de grandes profissionais da cena.

 

O que é ser DJ pra você?

Para mim música é energia. Ser DJ significa ser um canal de troca de energia com o público. Tudo tem de estar em total conexão. O equipamento utilizado deve ser apenas uma extensão de mim, uma ferramenta de transmissão do que busco passar com o coração. À medida que há a resposta do público e a troca acontece, posso dizer que meu dever está cumprido, pois este é o passo inicial para a transformação de todos os envolvidos. Em cada apresentação em que sinto isto, saio renovada!

T-Shirt Kill The DJ

10478162_461794007291995_1064517931243866146_n
E não deixem de encomendar a T-Shirt Kill The DJ que leva a foto deste que vos escreve na estampa. Compre diretamente na página da Untamed. Clique aqui.

E para me bookar para sua festa/evento, mande um e-mail para djbezzi@gmail.com e visite minha página. Abs/bjs.