Bagum, Livia Nery e Vandal levam música soteropolitana para São Paulo em novo show conjunto
Foto por Gabriela Palha

A banda instrumental BAGUM, a cantora Livia Nery e o rapper Vandal estão provando ao longo de 2022 que, pelo menos para eles, somar forças no mundo da música tem suas vantagens.

Além de Vandal e Livia terem participado do EP mais recente do quarteto, 16, este ano todos eles realizaram dois shows conjuntos na capital baiana e não só a resposta positiva do público como as possibilidades que essa parceria tem gerado os motivaram a dar continuidade ao projeto.

Sendo assim, o trio vai desembarcar em São Paulo no dia 22 de Setembro para apresentar o show “BAGUM & Livia Nery & Vandal” no Cineclube Cortina. O evento marcará a estreia do grupo instrumental na capital paulista e você pode conferir mais detalhes do serviço ao final da matéria.

Em conversa com o TMDQA!, Gabriel Burgos, baterista da Bagum, que também é formada por Pedro Tourinho (baixo), Pedro Oliveira (teclas e programações) e Pedro Leonelli (Guitarra), refletiu sobre a trajetória da banda e contou um pouco mais sobre a parceria e o projeto que está ganhando vida ao lado dos outros artistas soteropolitanos.

Livia Nery e Vandal também comentaram com o site sobre a participação neste show conjunto e avaliariam a importância da união para fortalecer a cena musical de Salvador.

Confira o papo na íntegra logo abaixo!

TMDQA! Entrevista Bagum, Livia Nery e Vandal

TMDQA!: A BAGUM está na estrada desde 2016 e, além do lançamento de diversos singles e três EPs, vocês já tocaram em alguns festivais e fizeram shows de destaque ao longo desses anos. Queria saber como vocês avaliam a trajetória da banda até aqui.

Gabriel Burgos: Desde a criação da BAGUM em 2016, a gente já passou por algumas formações. Já fomos trio, quarteto, já tivemos saxofone. Acho que através desses EPs que a gente conseguiu lançar, a Bagum conseguiu se mostrar como um projeto muito nosso, pessoal, com todos que estão ali no momento. Porque apesar da gente tocar com outros artistas, é uma coisa muito nossa de som, do som que a gente gosta, da nossa escuta, da nossa vivência aqui em Salvador e acho que isso, misturado ao contato que a gente teve com todos os produtores que colaboraram com esses EPs, somaram muito para construir o que a gente quer. E também com nossas parcerias de audiovisual, galera que tá movimentando eventos, acho que tudo isso construiu muito e moldou quem a gente é hoje. Então acho que, dentro desse critério, é um processo muito especial estar fazendo parte disso até hoje.

E acho que esse lance de festivais e shows é interessante mesmo, porque aqui em Salvador acho que do nosso primeiro show até hoje sempre foi uma crescente, por mais que não seja uma crescente de ter um show sempre mais cheio do que o outro, sempre tinham pessoas novas, curiosas para saber o que estava acontecendo. Porque é isso né, BAGUM é um grupo de música instrumental alternativa, então é uma coisa ousada. E essa presença em festivais sempre é interessante por ter a possibilidade de testar nosso som em uma estrutura melhor, ter contato com outras bandas. É algo bem interessante mesmo, já que banda instrumental ocupa muito pouco espaço nos festivais de música independente do Brasil, de pequeno, médio e grande porte. O espaço ainda é pouco ocupado por bandas instrumentais apesar delas existirem. Mas estamos aí, na pista.

TMDQA!: Eu achei super interessante vocês terem experimentado esse show conjunto com Livia Nery e Vandal aqui em Salvador e agora estarem divulgando o projeto em outra cidade. Me conta um pouco de como foi a repercussão do público com esses shows e o que motivou vocês a darem continuidade a ele?

Gabriel Burgos: A gente fez um show com Livia Nery e Vandal, o primeiro em Maio na Sala do Coro do Teatro Castro Alves e o segundo no Sesc Pelourinho. O primeiro esgotou e o segundo dobrou o número de participantes porque também era um evento que cabia mais gente, então eu acho que esses números já falam, né, algo que está tendo um olhar, uma escuta, uma galera querendo construir um momento com a gente nas apresentações, e também esse lance de produtores de eventos de festivais se aproximando e querendo ver o que está acontecendo, querendo criar possibilidades. Acho que a repercussão a gente consegue tirar bem dessas etapas desses processos. E também tem a questão do virtual, do feedback das pessoas que a gente gosta, que ficam à vontade para gerar elogios e críticas construtivas, ou às vezes nem tanto… acho que a gente consegue tirar por aí.

E o que motiva para a gente eu acho que é toda a relação com Livia e com Vandal, que são artistas que a gente admira desde antes da gente tocar juntos. É uma galera que tem uma carga histórica criativa significativa para Salvador e para o Brasil. Livinha com sua vivência, sua caminhada musical, e Vandal com sua vivência e sobrevivência como um cara genuíno mesmo de Salvador, das ruas. Então, eu acho que além do som, todo o contato com essa galera motiva a gente mesmo a buscar o nosso e viver o nosso. E também a questão das possibilidades que essa parceria entre a gente vem gerando, tanto possibilidades criativas quanto nas formas de comunicar isso ao público, através de shows, lançamentos e produções de faixas.

TMDQA!: Agora queria que vocês me falassem um pouco sobre a importância dessa união entre vocês três, que são artistas de diferentes estilos musicais, e como isso influencia no fortalecimento da cena local?

Gabriel Burgos: É isso, né? BAGUM, Livia Nery e Vandal é um grande encontro aí da música contemporânea, né? Soteropolitana. É um show onde a gente vai beirando ali propostas diferentes de ritmos, de gêneros, porque também são três grupos diferentes mas tem sua intercessão. Ao mesmo tempo que a gente tem o lance da MPB, do R&B, tem a coisa da BAGUM, de um pouco do novo jazz. Tem essa questão também do funk, tem a música eletrônica, que também Livia já pegava no som dela, e Vandal também. Então eu acho que por mais que tenha suas distinções, existe sempre uma intercessão que faz com que o projeto tenha uma unidade e eu acho que a graça toda é essa, a gente conseguir interpretar de acordo com cada momento.

[No show] a gente começa com a parte da BAGUM, depois a parte de Livia, e depois a parte de Vandal. Tem toda uma narrativa criada em cima disso e é isso, satisfação demais, o máximo respeito que a gente tem a quem veio antes, a quem criou, quem influenciou a gente, porque a gente se bota como música contemporânea, mas tem muita gente que veio aí já construindo propostas de antes, principalmente aqui em Salvador.

E, rapaz, acho que o fortalecimento na cena local diretamente assim é complicado dizer né? É uma ação pontual que tenha mexido com um grupo ali, mas eu creio que seja o lance de que possa parecer que é possível ousar mais. Que é possível a gente tentar fazer o diferente, trazer uma proposta que não esteja rolando e isso diz muito sobre você se aproximar de pessoas que estão ali por perto de você. Às vezes a gente vislumbra o que está longe mas tem muita gente que está por perto sempre colaborando com coisas em comum e acho que é pra gente se agregar mesmo.

Continua após o vídeo

TMDQA!: Para encerrar, queria saber como estão as expectativas para fazer o primeiro show de vocês em São Paulo?

Gabriel Burgos: Estamos animados para São Paulo. É a primeira vez da BAGUM em São Paulo para tocar. Livia Neri e Vandal já tiveram seus períodos na cidade e pra gente vai ser massa estar chegando junto a eles lá no Cineclube Cortina. É um espaço que também abraçou aí, vai estar recebendo a gente no máximo respeito e, porra, a expectativa está lá em cima, né? Porque também é isso, todos os encontros que tivemos aqui em Salvador foram muito especiais, o público daqui abraçou a gente demais, desde os amigos a pessoas que curtem o som que a gente ainda não conhece, até pessoas de produção, que foram ajudando a gente dando suporte. E, como eu disse também anteriormente, todo o processo com Livia, com Vandal e com os meninos da BAGUM é bem especial. Muito rico. E fico feliz de construir mais um capítulo lá em São Paulo, esperamos todo mundo lá.

TMDQA!: Livia, Vandal, como está sendo para vocês participar desse show conjunto com a BAGUM e o quão importante é essa união para fortalecer a cena local?

Livia Nery: Bom, pra mim, fazer esse show com Vandal e BAGUM é uma chance de somar forças mesmo. De juntar três artistas que já têm uma afinidade e uma amizade e somar mesmo. A gente aprendeu com tudo que vivemos na pandemia, quem faz música, que a gente não vai se levantar só e precisamos disso. Esse show me deu muita força pessoalmente para continuar fazendo música, para continuar circulando. A gente consegue unir nossos públicos, então é uma coisa que soma muito pra gente e principalmente aqui em Salvador, onde a gente está voltando bem aos poucos com o mercado de shows, e estar tocando nós três aqui significa muito pra gente.

Estamos conseguindo sempre casa muito cheia e sempre uma resposta muito boa de público. Esteticamente essa junção me agrada muito, porque todo mundo conversa de alguma forma entre si, a BAGUM traz um elemento do Rock, Vandal conversa do Hardcore, eu sempre quis estar nesse contexto musical, porque o meu disco talvez seja o mais MPB de todos eles, meu trabalho, mas eu sempre gostei de um peso, de uma certa densidade sonora que a BAGUM traz e Vandal também. Para mim é um prazer estar com eles, aprendo muito com eles e sinto que a gente tem trocas muito verdadeiras.

Vandal: Então, o grande lance dentro de tudo isso eu acho que não é nem só pela importância individual, nem pela importância do trio em si, do trio BAGUM, Livia e Vandal. A importância é o que o impacto disso pode causar dentro da consciência dos novos artistas e também dos artistas consolidados dentro desse circuito de música nacional que a gente vive. Mostrar que é possível uma união sincera, honesta, onde todos os pontos são levados em consideração, onde o respeito é levado em consideração, onde estéticas musicais diferentes conseguem dialogar de uma forma sincera, honesta e eficaz, impactando no público, impactando, como eu falei anteriormente, nos novos e antigos artistas para fazer com que eles entendam que existe a necessidade de unir, para com o pensamento do si para o todo, de uma forma objetiva e não dessa forma utópica, fantasiosa que gente acaba vivenciando.

Dentro disso, é importante para a cidade de Salvador, é importante pros estilos musicais que cada um representa, até porque falar de Salvador é falar dessa miscelânea musical dentro disso tudo, né? Falar como um artista oriundo de periferia com esse discurso contundente, forte, consegue se unir a uma banda que luta dentro dessa estética instrumental, que é a estética mais difícil dentro da música nacional. Falar de uma mulher que domina os equipamentos, de uma mulher que domina os arranjos, de uma mulher com a voz belíssima, de uma mulher super compositora, que desenvolve um trabalho ímpar dentro desse cenário. Mostrar para todos esse trânsito de união e a eficácia disso.

SERVIÇO

BAGUM & Livia Nery & Vandal + DJ Miria Alves
Data:
Quinta-feira, 22 de Setembro
Horários: 21h: DJ Miria Alves
22h30: Show Bagum, Livia Nery e VANDAL
00h às 2h: DJ Miria Alves
Local: Cineclube Cortina, Rua Araújo, 62, República
Ingressos no Sympla
Meia Entrada Solidária*
Lote 1 R$ 35,00
Lote 2 R$ 45,00
Lote 3 R$ 55,00

Inteira
Lote 1 Promocional: R$ 60,00
Lote 2 R$ 90,00
Lote 3 R$ 110,00

Ingressos sujeitos à virada de lote sem aviso prévio

Meia entrada Solidária*
Ingressos que possibilitam o acesso a pessoas que não possuem documento comprobatório de estudante ou profissão, qualquer pessoa pode comprar o ingresso solidário.
A compra deste ingresso exige a entrega de 1kg de alimento não perecível no dia do evento.

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