Bring Me the Horizon
Divulgação

Há algum tempo com uma das sonoridades mais únicas do mundo, o Bring Me the Horizon segue mostrando suas cartas de maneiras novas a cada lançamento.

O mais recente, claro, é o single “sTraNgeRs”, que logo de cara entrega a sua influência da estética Emo pelo título que mistura letras maiúsculas e minúsculas. A escolha é absolutamente intencional, uma vez que o som da música em si referencia diversos grupos da “era de ouro” do gênero, como The Used, Thirty Seconds to Mars e até um pouco de My Chemical Romance.

Mas, se tem tantas referências e influências assim, o que é que torna o BMTH tão especial?

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A resposta é mais simples do que parece: o próprio histórico da banda. Com raízes em algumas das vertentes mais pesadas do Metal, os britânicos vêm inovando nos últimos anos justamente por não terem medo de cair em nenhum estigma. Ao mesmo tempo em que abraçam a estética Emo, por exemplo, não abandonam as guitarras pesadas e os gritos que os consagraram.

De forma semelhante ao Linkin Park — com o perdão da comparação que é feita tantas vezes atualmente —, o BMTH é hoje basicamente a única banda a ter uma circulação comercial forte e, ao mesmo tempo, incluir os vocais agressivos de Oli Sykes. Aliás, o vocalista em si é um assunto à parte…

Oli Sykes e a evolução do Bring Me the Horizon

Desde técnicas vocais até estado de espírito, a evolução de Sykes anda de mãos dadas com o crescimento do Bring Me the Horizon. Se no início o vocalista mal sabia dar seus característicos berros sem estragar a voz, hoje ele não apenas é capaz de fazer isso com maior cuidado como também entrega performances cada vez mais interessantes com sua voz limpa.

Essa melhoria técnica permitiu aos instrumentistas, em grande parte por influência do talentosíssimo tecladista Jordan Fish, explorar melodias mais voltadas ao Pop. Em “sTraNgeRs”, por exemplo, é notável o quanto o refrão gruda na cabeça e remete aos grandes coros de hinos do Emo, mesmo que toda a parte instrumental por trás esteja bem mais próxima do Metal.

Outro grande exemplo disso é em “DiE4u”, último lançamento solo dos caras antes do mais recente. Não à toa, as duas faixas estarão no novo volume da série de EPs POST HUMAN, que começou com SURVIVAL HORROR em 2020 e deve contar com quatro edições que exploram sonoridades totalmente diferentes.

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A semelhança entre “DiE4u” e “sTraNgeRs” está justamente no uso de recursos ligados ao Pop para fisgar o ouvinte. Mas o segredo para o sucesso de ambas é a forma como esses recursos são utilizados: ao invés de repetir uma fórmula e buscar sempre seguir uma “receita de sucesso”, o BMTH não tem medo de ousar, trazer melodias inusitadas, clipes bizarros e, principalmente, a sua notável agressividade.

Mais presente em SURVIVAL HORROR do que vinha sendo em muitos anos, o Metal é parte integral da sonoridade do Bring Me e é o grande diferencial do grupo em meio a essa onda de revival do Pop Punk e do Emo. Enquanto alguns parecem tentar recriar os hits do passado, os britânicos abraçam as influências mas não deixam em nenhum momento a sua identidade para trás — a experimentação muito menos.

Tomando novamente “DiE4u” como exemplo, temos diversos pequenos detalhes que fazem o grupo se colocar um degrau acima de muitos outros. O épico solo de guitarra é algo que precisa ser mencionado, bem como o uso de sintetizadores completamente incomuns a músicas do tipo, além dos vocais mais agressivos do que o normal de Oli, que navegam junto das melodias Pop e aparecem até mesmo na versão conjunta dos caras com Ed Sheeran para “Bad Habits”.

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Bring Me the Horizon e o futuro do Rock

Dizer que o Bring Me the Horizon é o futuro do Rock é algo que não cabe muito bem por aqui. A realidade é que a banda é o presente do gênero e está abrindo caminho para diversos outros grupos, que vêm aprendendo com eles a explorar seus sons de maneira única, sem receio de uma resposta negativa por parte do público, que vem se tornando cada vez mais aberto para novidades.

Surgindo de uma cena que parecia regurgitar bandas iguais a todo ano, o BMTH é, há tempos, uma das bandas mais especiais do planeta. Mesmo quando estava em seus primeiros anos e ainda buscava encontrar sua sonoridade — como em Suicide Season (2008) e There Is a Hell, Believe Me I’ve Seen It. There Is a Heaven, Let’s Keep It a Secret (2010) — o grupo já trazia elementos únicos e ditava a moda.

Com o tempo, em especial com a chegada de Sempiternal em 2013, essas individualidades foram ficando cada vez mais claras. A maturidade, tanto emocional quanto musical do grupo, vem ditando essa evolução natural e o último disco cheio (na classificação dos caras, pelo menos), amo (2019), foi um grande dedo do meio a qualquer tentativa de rotulação por parte da indústria musical.

E este, sim, podemos dizer que é o futuro do Rock: sem rótulos e para todos.

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