Keith Buckley, do Every Time I Die
Foto: Wikimedia Commons

Como te falamos por aqui ontem (18), o Every Time I Die encerrou suas atividades após uma trajetória marcante de 24 anos.

A decisão surgiu depois que começaram a surgir notícias de que haveria uma divisão interna no grupo, com o vocalista Keith Buckley isolado dos outros membros — incluindo seu irmão, o guitarrista Jordan Buckley, e os instrumentistas Andy Williams, Stephen Micciche e Clayton “Goose” Holyoak.

As confusões tiveram início quando Keith abandonou uma turnê em Dezembro de 2021, explicando que estaria cuidando de sua saúde mental e alegando falta de apoio dos outros membros. Segundo ele, os integrantes não estariam satisfeitos com as condições que ele impôs em nome de controlar seu vício em substâncias.

Fim do Every Time I Die

Na matéria publicada ontem, falamos sobre a nota emitida pelos instrumentistas da banda. Agora, quem se pronunciou foi o próprio Keith, dando a sua versão da história. Citando a carta judicial que recebeu dos integrantes, Buckley diz:

Não há absolutamente nenhum ódio no meu coração quando eu digo que o que quer que esteja acontecendo com os caras agora é entre eles e o Deus deles. Qualquer conexão emocional/mental que eu tinha com eles foi completamente cortada quando eu recebi aquela carta em 20 de Dezembro. Ali foi onde os nossos caminhos finalmente se divergiram por completo.

[…]

Minha Verdade é que a pandemia me mudou, completamente. Eu olhei para a minha vida e percebi que não apenas eu estava infeliz, eu estava exausto de fingir que eu não estava.[…] Depois que eu fiquei sóbrio, eu admiti à banda a dor que eu havia causado no passado e implorei o perdão deles. Eu prometi em retorno que eu deixaria que a dor que eles causaram em mim se curasse completamente e todo esse assunto estaria enterrado para sempre. Para aqueles que compreensivelmente não estavam dispostos a me perdoar imediatamente, eu prometi minha vigilância para encontrar o equilíbrio perfeito de felicidade e sacrifício.

A longa carta do vocalista, que você confere abaixo, ainda aborda todas as polêmicas recentes, como a sua suposta demissão do grupo, uma discordância política e o seu afastamento para cuidar de “saúde mental”. Veja a seguir, com a nossa tradução logo após o Tweet original.

Comunicado de Keith Buckley na íntegra

Não há absolutamente nenhum ódio no meu coração quando eu digo que o que quer que esteja acontecendo com os caras agora é entre eles e o Deus deles. Qualquer conexão emocional/mental que eu tinha com eles foi completamente cortada quando eu recebi aquela carta em 20 de Dezembro. Ali foi onde os nossos caminhos finalmente se divergiram por completo.

Eu preciso deixar bastante claro que depois do comunicado deles no Twitter (que foi deletado e depois retirado) no dia 3 de Dezembro, a carta que eu recebi no dia 20 de Dezembro foi a única correspondência que eu recebi em resposta a um pedido para uma conversa com eles feito em 7 de Dezembro.

Eles não vieram atrás de mim para resolver a questão antes do ‘Tid the Season [últimos shows da banda]. Depois do TTS não houve nenhuma tentativa de contato de qualquer pessoa da banda (nem dos empresários) até o dia 17 de Dezembro, quando o nosso empresário inesperadamente se demitiu. Ainda assim, nenhuma conversa de grupo aconteceu. No dia 20 de Dezembro eu recebi um documento legal dizendo que eu não era mais um membro do Every Time I Die, mas os outros 4 membros eram. Isso é uma ordem factual dos eventos da forma que eu os observei e eu preciso estabelecer isso antes de seguir em frente. Essa é a MINHA verdade.

Depois que eu sem querer ouvi que eles tinham planos de me substituir enquanto estávamos no camarim em Asheville no dia 3 de Dezembro, eu fiz o show (com raiva) e imediatamente deixei a turnê. Vocês todos sabem disso. O que vocês não sabem é que assim que eu cheguei em casa, eu realizei diversas tentativas de comunicação com eles sobre os problemas que tinham comigo, uma vez que até o dia do show em Asheville eu genuinamente achei que as coisas estavam melhores do que elas haviam estado em muito tempo. Se você me viu cantar você saberia que o que eu sentia era que isso era verdade.

Depois daquele show de Asheville eu twittei que estava tirando um intervalo para proteger minha saúde mental porque, honestamente, eu estava devastado para caralho. No dia seguinte eles anunciaram — sem me informar — que eles continuariam a turnê e permitiriam que os fãs continuassem ‘ao estilo karaokê’. Mais ainda, eles me citaram como se eu aprovasse ou sequer soubesse de antemão de que isso seria algo que eles iam fazer. Eu descobri no Twitter, da mesma forma que vocês. Eles então retiraram essa afirmação e postaram uma mensagem de apoio, afirmando que eu era um ‘membro crucial’.

Apesar de tudo isso, por conta do anúncio público de apoio deles a mim, eu pensei que eles queriam fazer da nossa resolução uma prioridade. No entanto, dias depois de ser deixado de lado ou simplesmente ignorado, minha esperança passou a ser então de fazer com que o TTS fosse pelo menos civilizado.

 

No dia 20 de Dezembro de 2021, eu recebi uma carta me dizendo que eu estava sendo separado dos ‘membros do Every Time I Die’, o que incluía todos os membros que não se chamavam Keith Buckley. Eu também recebi uma ordem de desistência, me proibindo de usar o nome ou a logo. Eu imediatamente contratei um advogado. Eu então removi o nome da banda de todos os panfletos promocionais da turnê do meu livro. Eu redesenhei minhas redes sociais de acordo com esse pedido. Eu fiz uma stream na Twitch e não mencionei nada. Olhem o meu trabalho, eu joguei pelas regras deles mesmo que a ‘ordem de desistência’ deles não tenha sido feita legalmente. Eu estava honestamente fazendo um favor a eles. Para qualquer um que esteja preocupado com questões legais, eu ainda estou jogando de acordo com as regras e estou agindo de acordo com o conselho do meu advogado.

‘Os Membros do Every Time I Die’ voltaram em 5 de Janeiro com uma oferta para me devolver a banda e — ao invés de se separarem de mim — me pediram para pegar de volta o nome ETID e continuar sem eles, com a condição de que eles recebessem pagamentos pelo uso do nome e tudo relacionado enquanto eu fizesse turnês. A questão é, receber de volta a banda e/ou substitui-los não era algo que eu estava interessado em fazer nesse momento da minha vida. Mais ainda, eu não vejo o ETID como nada que não seja esses membros específicos. Eu recusei a oferta em 6 de Janeiro. Se estivesse acabado, estava acabado, mas eu ainda estava aberto a entender o que era melhor para todos nós.

Depois disso eu esperei por uma resposta, mas rapidamente fiquei desconfortável com o fato de que os ingressos para as próximas turnês ainda estavam sendo vendidos. A minha compreensão é de que eles tinham, nesse momento, nenhum empresário atuando e portanto ninguém que poderia ter responsabilidade pela decisão deles. De acordo com o meu advogado, ninguém respondeu aos pedidos para conversar também.

No dia 17 de Janeiro, com pressão dos produtores aumentando, o meu advogado mandou a eles uma proposta de comunicado para que pudéssemos discutir entre nós. (Aqui está para referência… ‘Na intenção de transparência, eu gostaria de informá-los de que eu recebi uma carta do advogado da banda me despedindo do Every Time I Die no dia 20 de Dezembro. Não houve discussão com a banda antes ou depois disso. Enquanto os detalhes estão sendo trabalhados legalmente, saibam que estou em um bom lugar e empolgado para o que quer que venha a seguir. Eu desejo o bem a todos e não tenho nenhum ódio em meu coração’.)

Eu disse que eu iria divulgá-lo em 24 horas APENAS se eles não respondessem com uma alternativa de comunicado ou com o interesse de colaborar em um novo. Da forma que eu enxergo, algo tinha de ser dito. Eu não iria mentir para as pessoas para proteger os “Membros do Every Time I Die”. Nenhuma resposta. Mais tarde naquela noite eu recebi uma mensagem de um amigo me pedindo para olhar o Twitter.

Ali, eu descobri que eles anunciaram por conta própria de que nós oficialmente terminamos a banda depois do segundo show de Natal.

 

Foi assim que eu descobri que a banda que eu comecei quando tinha 19 anos de idade estava publicamente acabada. Ao postar isso sem qualquer conversa prévia, sem consultoria legal, sem qualquer senso pessoal de honra à banda que nós construímos, esses homens tiraram minha habilidade de dizer adeus a 20 anos de sacrifício. Isso é uma das coisas mais difíceis de aguentar. Depois de metade da minha vida em uma van, eu nem tenho acesso a uma página do Instagram com memórias. Isso, junto às histórias incongruentes que estão sendo contadas para manipular e embaçar a narrativa para alguém que possa algum dia olhar para trás e ver isso, são na minha visão um escarcéu completo.

Minha Verdade é que a pandemia me mudou, completamente. Eu olhei para a minha vida e percebi que não apenas eu estava infeliz, eu estava exausto de fingir que eu não estava. Então eu tirei tudo de lado até eu encontrar o que eu Amava. E aí eu trabalhei para nutrir esse Amor e criar limites ao redor dele. Qualquer crescimento que tenha transpirado depois disso foi, para mim, miraculoso.

Depois que eu fiquei sóbrio, eu reconheci à banda a dor que eu havia causado no passado e implorei o perdão deles. Eu prometi em troca que eu deixaria que a dor que eles causaram em mim se curasse completamente e todo esse assunto estaria enterrado para sempre. Para aqueles que compreensivelmente não estavam dispostos a me perdoar imediatamente, eu prometi minha vigilância para encontrar o equilíbrio perfeito de felicidade e sacrifício.

Em troca, minha saúde mental foi questionada quando foi conveniente para eles. Ou ao invés disso, foi usada como uma arma contra mim quando meus limites ofenderam as consciências daqueles que repetidamente tentavam cruzá-los.

Há vários motivos para esse término ter acontecido, mas não poderia ter resultado em nenhuma outra conclusão. Isso era inevitável. Deixando de lado toda a confusão feia e a negatividade e os rumores, a nossa própria disfunção familiar profunda ‘manicurou’ isso perfeitamente. Nossos problemas uns com os outros são de décadas atrás. Nós deveríamos ter nos separado em 2014, pra ser sincero. Mas nós não o fizemos, por nossos próprios motivos. Eu não posso falar por mais ninguém, mas eu continuei para além desse ponto pelo único motivo de me conectar com as pessoas através das minhas letras e da performance ao vivo. Olhando para trás, eu sou muito grato por ter aguentado isso. ‘From Parts Unknown’, ‘Low Teens’ e especialmente ‘Radical’ são discos importantes que eu sinto que precisavam ser feitos. Eu ainda sinto o ‘Radical’ ganhando importância, mas o posicionamento firme espiritual e político que eu tomei nesse disco se tornou um ponto de discórdia insuperável entre eu e o Jordan. Eu, no entanto, não pedirei desculpas por uma palavra sequer.

 

Se somos amigos, se nos conhecemos brevemente ou se tivemos uma conversa inteira, se você leu qualquer coisa que eu escrevi ou realmente ouviu algo que eu disse e se sentiu visto, então por favor saiba o quão grato eu estou por todo o amor que vocês me deram e por toda a beleza que vocês me mostraram por esse caminho. Esse é o começo de um novo, eu prometo.

Para qualquer um que esteja só um pouco preocupado à distância, confie em mim, eu estou bem, de verdade. Eu tive um mês para processar tudo isso. Eu estou feliz. Você não precisa acreditar em mim. Não vai mudar o que eu sei que é Verdade em cada momento da minha vida abençoada. Se você questiona meu caráter, você pode ler qualquer uma das minhas letras e ver que eu sempre fui bastante transparente sobre a minha vida e as minhas batalhas.

E se você não me enxerga por agora então eu só não sirvo pra você. Não significa que não podemos reconhecer isso mutuamente e seguir nossos caminhos em paz. Pare de me seguir. Não apoie nada que tenha o meu nome de agora em diante, tá tudo bem. Seremos ambos melhores assim.

Mais ainda, por favor não mandem nenhum ódio para ninguém com relação a isso. Eu sinceramente desejo a eles tudo que eles merecem. Eu não tenho absolutamente nenhum plano de comentar mais nada.

Amor Perfeito, Confiança Perfeita.
Keith

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