Soulfly
 

Nos últimos dias, o brasileiro Max Cavalera tem estado envolvido em uma polêmica após a saída do guitarrista de longa data Marc Rizzo do Souflly.

Rizzo, que passou 18 anos com a banda comandada pelo ex-Sepultura e chegou até a tocar também com o Cavalera Conspiracy, foi quem levantou questionamentos após anunciar que estava deixando o grupo porque “não [teve] apoio nenhum do Soulfly” durante a pandemia. Ele explicou em fala ao Rock Talks:

Não houve nenhum tipo de empréstimo que foi tirado para os membros da banda ou da equipe. […] Eu tive que voltar e arrumar um emprego ‘normal’. […] Houve anos bons financeiramente, mas esse ano — novamente, não houve nenhum empréstimo, não houve um, ‘Ei, vamos fazer um vídeo ao vivo para juntar uma grana para os membros da banda ou talvez vamos fazer uma promoção especial de merch.’ Vários dos meus amigos estavam fazendo promoções especiais. Digo, se você procurar na internet, o Soulfly não fez nada pelos membros da banda ou pela equipe. Não é certo fazer isso com as pessoas nesse momento.

Naturalmente, a declaração não pegou bem com a família Cavalera e Max logo deixou claro que Marc não saiu da banda — ele foi demitido por “motivos pessoais”. O brasileiro, então, chamou o ex-guitarrista do grupo de “maluco”.

Max Cavalera, Zyon e a demissão de Marc Rizzo

As falas de Max também não sanaram as dúvidas dos fãs, que ficaram perdidos sem saber em que lado acreditar. Foi aí que entrou em cena Zyon Cavalera, filho de Max e baterista da banda de Metal, usando as redes sociais para escrever (via Metal Sucks):

Essa é pra quem não entende como a indústria da música funciona. Durante a pandemia, os contratantes independentes [a maioria dos músicos] receberam concessões e coisas do tipo através do governo. O guitarrista da minha banda não entregou essa papelada por algum motivo, e agora está tentando arrastar o nome da minha família na lama e se fazer de vítima. Há muita gente comprando esse papo.

Agora que a poeira abaixou, se alguém tiver qualquer pergunta pode me mandar pela mensagem direta [risos]. O cara ficou bolado porque ele não preencheu a papelada e nos culpou por isso. E nós pagamos a ele uma boa quantia de dinheiro em Fevereiro de 2021 para gravar um novo disco. Então como que a gente não o ajudou durante a pandemia?

De fato, o Metal Sucks fez essa checagem e descobriu, através de sistemas públicos do governo dos EUA, que tanto Zyon quanto Max receberam concessões — as quais provavelmente não precisaram ser devolvidas, como ocorreu na maioria dos casos durante a pandemia.

O site mostra (no link clicável logo acima) recibos de US$20.583 e US$20.833 para Max Cavalera, respectivamente nos meses de Abril de 2020 e Março de 2021, além de US$2.978 e US$3.800 para Zyon Cavalera nos meses de Junho de 2020 e Março de 2021.

Confusão no Soulfly

Como era de se esperar, o nome de Marc Rizzo não mostra nenhuma concessão feita — o que verifica a fala de Zyon de que o guitarrista não preencheu a papelada necessária, por qualquer motivo que seja.

A reportagem ressalta que não é possível verificar se o Soulfly, como banda/empresa, retirou algum empréstimo em seu nome. Isso porque o nome fantasia do grupo pode ser literalmente qualquer coisa, mas é importante notar que, caso a família Cavalera tenha feito isso, eles estariam cometendo fraude pelas leis dos EUA (já que retiraram empréstimos em seus nomes como pessoas físicas).

Se o Sepultura serve de exemplo, provavelmente nunca saberemos 100% dos detalhes de toda essa confusão. De toda forma, parece cada vez mais improvável que os Cavalera tenham conscientemente deixado de ajudar Rizzo — até pelo fato de que, segundo Zyon, foi paga uma “boa quantia” de dinheiro para a gravação de um disco em 2021.

Por enquanto, o fato é que Dino Cazares (Fear Factory) vai assumir o lugar do guitarrista de longa data nas próximas datas de turnê do Soulfly, que voltou aos palcos nesta sexta-feira (20) em Albuquerque, no Novo México. Rizzo, enquanto isso, anunciou a formação de uma nova banda chamada Hail the Horns.