Badauí e Chorão
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Quem acompanhou a música brasileira nos anos 90 e 2000 sabe que algumas bandas despontavam muito acima das outras, e duas delas eram o CPM 22 de Badauí e o Charlie Brown Jr. de Chorão.

Acontece que os dois líderes acabaram nunca cultivando uma relação de amizade muito forte, o que impediu que houvesse uma colaboração entre esses dois gigantes da música brasileira.

Em uma nova entrevista com o podcast de Felipe Solari, no entanto, o vocalista do CPM 22 falou sobre o tema sem papas na língua e emocionou muitos dos fãs das duas bandas porque finalmente esclareceu algumas dúvidas que ainda restavam sobre toda essa história:

No começo, a gente se aproximou, até levou o nosso disco independente pra ele. Fomos lá fazer uma sessão, queimando fumo pra caralho. [risos] Pô, gente fina, mas ele é um cara também muito problemático, muito… a 200 por hora, fio desencapado total. Aí a banda aconteceu e, em uma entrevista de 2002, uma jornalista me perguntou um negócio ’em off’ e eu fiz uma brincadeira completamente inocente, de moleque mas de um cara que admira, sabe. Falei de aparência física, uma coisa nada a ver, e a ‘mina’ colocou isso em resposta e ele se doeu pra caralho, ficou puto.

Porque é um cara que vinha falando bem da banda e de repente achou que eu estava tirando ele. Só que ele era muito explosivo, não deu nem tempo de eu me explicar, e virou uma bola de neve. Aí começou a me xingar nos palcos e tal, e eu comecei a evitar. Mas a gente tinha muito amigo em comum, a gente até trombava nos festivais e tal, passava reto, não falava nada, cada um no seu canto, mas nunca rolou treta de sair na porrada, essas coisas.

Ele tinha um respeito por nós, também, por mim. Mas foi uma coisa do acaso, assim. Talvez uma jornalista um pouco mal intencionada naquela época, não sei. Mas aí depois a gente nunca voltou a ser amigo, mas a treta mesmo de ficar se xingando, ficar falando umas merdas em entrevista, durou pouco tempo; foi coisa de um ano e meio, dois anos. Depois a gente meio que se cumprimentava. [Ficou aquela coisa de] interlocutores, os amigos que eram muito próximos dele falavam, ‘Mano, nada a ver isso aí, foi a maior cagada, a ‘mina’ que escreveu um bagulho lá’… Tenho o maior carinho pelo cara, maior respeito pelo cara.

E ele era meio paranóico, né. Se você não gostasse da banda dele ele já ficava puto, então, enfim, a gente cresceu também. […] [Um dia] ele estava com um amigo meu, e esse meu amigo me ligou e quando eu atendi era [o Chorão]. Aí a gente trocou ideia, cara, eu me expliquei, falei, ‘Isso aqui foi aquilo aqui, aquela ‘mina’ e tal…’. Depois ele acabou até processando ela. Eu falei, ‘Mano, essa ‘mina’ foi mal intencionada, jamais falaria mal de você. Você tava falando bem da banda, cara. Levei o disco lá pra você…’.

Mas, mano, imagina o que a gente perdeu de oportunidade junto. De fazer show junto, as duas bandas estavam muito grandes na época. E eu falei, ‘Cara, vira a página aí’, ele já tinha se separado, estava morando em São Paulo, eu falei, ‘Pô, cola no bar aqui, vem conhecer, a gente dá um rolê, troca uma ideia, bota [o papo] em dia e passa por cima dessa merda aí, cada um se explica aí’. Ele também pediu desculpa. […] O problema é que o cara morreu, né. Porque agora a gente ia estar usufruindo de fazer parte da mesma profissão, da mesma geração.

É realmente uma pena… Já pensou se tivesse rolado uma parceria entre CPM 22 e Charlie Brown Jr.?

Você pode conferir esse papo no vídeo logo abaixo, no qual a dupla também relembra outro saudoso integrante do CBJR., o baixista Champignon.

Badauí fala sobre tretas com Chorão