Supercombo no Rio de Janeiro
 

Fotos por Fabrício Mainenti

Quase um ano depois de sua última visita ao Rio de Janeiro, o Supercombo retornou à Cidade Maravilhosa na sexta-feira passada (14) para dar o pontapé inicial na turnê “Rogério”, em divulgação do seu mais recente trabalho, lançado em julho. Por conta de problemas técnicos, todos os shows no Democráticos Social Club, na Lapa, sofreram considerável atraso. O público então aguardou pacientemente, afinal, a casa estava cheia e os fãs ávidos para escutar ao vivo as novas canções.

Após as apresentações das bandas Alaska e RADIOATIVA, o Supercombo subiu ao palco, que se destacava pela presença de dois telões em alta definição, quando o relógio estava prestes a marcar 00h30. Diante de Léo Ramos (voz e guitarra), Pedro “Toledo” Ramos (guitarra e backing vocals), Carol Navarro (baixo e backing vocals), Paulo Vaz (teclado e efeitos) e Maick Sousa (bateria), a plateia explodiu em gritos e aplausos. Enquanto a banda executava “Jovem”, o público deixou a temperatura do local, que já era de muito calor, ainda mais quente. A partir daí foi uma loucura só.

Entre as outras músicas do novo álbum que fizeram os fãs pularem descompensadamente e cantarem a plenos pulmões estão “Bonsai”, “Morar”, “A Piscina e o Karma”, “Eutanásia”, “Magaiver” e “Embrulho”. Também não faltaram hits mais antigos, como “Saco Cheio”, “Fundo do Mar”, “Amianto”, “Menino” e “O Peso da Cruz”. Depois que a plateia pediu “Soldadinho”, Toledo tratou logo de tranquilizá-los: “Calma, galera. Já vai rolar!”. E rolou, em versão acústica, quando a banda deixou o palco.

Logo após a execução cheia de energia de “Campo de Força”, Léo aproveitou para falar da estreia da turnê “Rogério” e o quanto o grupo capixaba estava empolgado com o show no Rio. Isso ficou claro depois da manifestação de Carol ao comentar a resposta do público carioca em “Hoje é Dia de Comemorar”. “Dá até vontade de chorar,” disse a baixista, visivelmente feliz. Em seguida foi a vez de Léo interagir com os fãs mais uma vez: “Vocês estão curtindo?”, perguntou. “Nós também!”, completou o cantor.

Ao final de “Sol da Manhã”, Léo disse que queria passar uma mensagem para os presentes. “Não vou falar de política”, começou, incitando os populares coros de “Fora, Temer”. “No Brasil existem muitas bandas boas e nós vamos tocar um pouco de uma delas”, disse. O Supercombo na sequência fez um cover de “Surreal”, do Scalene, grupo que participou da mesma edição do “Superstar”, em 2015. Os fãs aprovaram o cover com louvor.

Depois da execução de “Rogério”, o Supercombo revelou que estava muito surpreso. “A expectativa era grande com relação ao primeiro show da turnê. Está f*** pra c******”, definiu Léo. Em “Grão de Areia”, um cara passou por cima da plateia bem em frente aos integrantes e a animação do pessoal na direção do centro do palco foi elogiada por Toledo.

Antes do show se encaminhar para o final, Léo anunciou: “Vamos fazer desse o momento mais bonito da noite”. Veio na sequência “Piloto Automático”, provocando uma catarse no público, que já não se importava mais com o calor, o suor, a hora, o cansaço etc. A apresentação do Supercombo no Democráticos terminou exatamente às 1h47 e os fãs ainda continuaram por lá para tentarem um contato com seus ídolos. Tem prova maior do sucesso?

Veja a seguir a entrevista que o Tenho Mais Discos que Amigos fez com o Supercombo após o show:

TMDQA!: Quais foram os critérios para vocês terem escolhido o Rio de Janeiro para abrir a turnê de “Rogério”, se houve algum?
Supercombo: A gente ama tocar no Rio. Todas as vezes que tocamos aqui foram incríveis. Então a gente quis repetir a dose trazendo o primeiro show para cá. Nós somos todos de lugares diferentes do Brasil, mas o Rio é a nossa cara também. Fora que é muito quente (risos).

TMDQA: O Supercombo é conhecido pela sonoridade mais alternativa e letras bem irreverentes. Quais foram as diferenças em termos de composição entre este novo disco e o anterior, Amianto (2014)?
Supercombo: No Rogério a gente estava muito mais focado no que a gente queria. No Amianto a gente havia trabalhado bastante as letras e os arranjos, mas nesse último trabalho a gente quis evoluir. Focamos então em um disco conceitual em que tudo se amarra junto com a personificação da figura do Rogério, que representa o lado ruim de todos nós. A gente brincou muito com isso e somou também com a arte do disco, feita pelo Juarez, que tem o lance do 3D, um atrativo para o público comprar o CD. A diferença maior foi mesmo com relação ao conceito. A gente chegou em um ponto de maturidade musical e de vida, enxergando um pouco além do que a gente conseguia antes. Então o “Rogério” veio para falar sobre o antagonismo, o lado mais negro das pessoas. Todo mundo tem que olhar para si e perceber que nem sempre o que a gente faz é legal ou correto para quem está do outro lado. Pense em uma auto análise.

TMDQA: Vocês têm experimentado cada vez mais o sucesso, como fica a questão do foco para a banda?
Supercombo: Foco nós temos de sobra (risos). A gente luta muito para conseguir tudo o que a gente busca conquistar. Desde sempre trabalhamos muito e damos o sangue a cada nova etapa. E graças a Deus tudo tem acontecido. A gente já tocou pelo Brasil inteiro e é legal demais ver que o nosso trabalho atinge muitas pessoas.

TMDQA: Como foi a ideia para levar para o palco os dois telões em alta definição?
Supercombo: Quem idealizou a parte visual do show foi o Toledo. A gente deixou de lado o conceito de usar o telão no fundo para utilizar dois deles separadamente. A gente tinha a parte musical muito bem trabalhada, mas sentia que faltava cuidar do visual, que ficava em segundo plano. Agora nós decidimos que ambos ficariam em primeiro plano. Isso faz muita diferença para o público e para a gente também. As pessoas conseguem enxergar o que a gente canta e por isso é interessante trazer para o show a imagem baseada no que estamos falando. É um lance imagético.

TMDQA: Qual é a importância de programas como o “Superstar” para a carreira de vocês e também para revelar novas bandas, já que o mercado da música no Brasil é tão difícil?
Supercombo: Nós já tínhamos uma base de fãs antes do ‘Superstar’, mas o programa ajudou a levar nossa música a todo o país. Com ele a gente conseguiu alcançar a um número maior de pessoas. Foi divertido demais. A gente queria fazer de novo. No ‘Superstar’ nós conhecemos muitas bandas e ficamos amigos de todo mundo. A gente pôde mostrar para a galera que aquilo não era uma competição na verdade, a gente esta ali lutando por um ideal. A cena do rock naquela altura já vinha se reformulando e as pessoas sentiram que os grupos eram parceiros. A edição que a gente participou deixou claro que estava acontecendo algo novo no cenário.