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Foto por I Hate Flash

Foi com as imagens no telão do filme brasileiro “Orfeu Negro” (1959), de Marcel Camus, que o Arcade Fire subiu no Palco Skol para o show de encerramento do Lollapalooza Brasil 2014, realizado na noite do domingo, 6, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. A banda que vem revolucionando o indie rock mundial deu um banho de vitalidade, inteligência e transformou sua festa em um carnaval cheio de misturas, com ritmos africanos e o nosso samba de fundo. Os canadenses trouxeram a turnê de seu último e cultuado disco Reflektor, lançado no ano passado.

De cara, o grupo tocou o single homônimo ao disco, que despertou a galera a dançar, pular e cantar junto com o refrão “I thought I found a Way to enter / It’s just a Reflektor…” (Eu pensei ter encontrado uma maneira de entrar / É apenas um refletor). O disco marca uma fase mais dançante da banda, que já carrega quatro álbuns de estúdio na bagagem, sendo que com o primeiro deles, Funeral (2004), a banda passou pelo Brasil para um show bem intimista.

Na sequência, eles tocaram mais uma do novo disco, “Flashbulb Eyes”, que foi emendada numa trinca de canções de álbuns anteriores: “Neighborhood #3 (Power Out)”, e as mais calmas e não menos empolgantes e intensas “Rebellion (Lies)” e “The Suburbs”, que foram cantadas em alto e bom tom por todo o público ali presente, marcando um dos momentos catárticos da apresentação. Depois vieram “Ready To Start”, seguida por “Neighborhood #1 (Tunnels)” e “No Cars Go”, uma das canções da banda que mais tocam nas pistas underground e uma das “preferidinhas” dos fãs de longa data.

No meio do espetáculo, um homem com uma roupa toda espelhada refletia no final do corredor que divide o público. A banda tocou a recente “Afterlife” com um trecho de “My body is a Cage” e o final dançante de “Temptation”, do New Order, banda que se apresentava no mesmo momento no Palco Interlagos. O homem espelhado reluzente deu espaço para Régine Chassagne cantar “It’s Never Out (Oh Orpheus)” e citar um trecho de “O Morro Não Tem Vez”, em homenagem a Tom Jobim e Vinícius de Moraes. O Brasil também foi celebrado com um trecho de “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, tocada em clima engraçado pela banda com as máscaras com cabeças enormes já famosas por conta do videoclipe de “Reflektor”.

Outra homenagem ao Brasil foi com “Here Comes The Night Time“, que também teve citação a um ídolo nacional, desta vez Caetano Veloso. E para encerrar a programação do Palco Skol em grande estilo, o Arcade Fire tocou “Wake Up”, música do primeiro álbum da banda, Funeral. Com os líderes da banda Win Butler e sua companheira Régine em ótima forma, o show do Arcade Fire ficou registrado na história do Lollapalooza Brasil como um dos mais conceituais. O palco repleto de músicos, além dos já habituais da formação do grupo, com direito a chuva de papel picado e muita empolgação, fizeram uma das apresentações mais empolgantes do festival, que deixou um gostinho de quero mais após cerca de uma hora e meia de show.

Setlist:

  1. Reflektor
  2. Flshbuld Eyes
  3. Neighborhood #3 (Power Out)
  4. Rebellion (Lies)
  5. The Suburbs
  6. The Suburbs (Continued)
  7. Read To Start
  8. Neighborhoor #1 (Tunnels)
  9. No Cars Go
  10. Haiti
  11. Neighborhood #2 (Laika)
  12. Afterlife (com mistura de “Temptation”, do New Order e final de “My Body is a Cage”)
  13. It´s Never Over (Oh Orpheus) (com citação de “O Morro Não Tem Vez”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
  14. Entrada dos bonecos breve fundo de “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso.
  15. Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)
  16. Normal Person
  17. Here Comes the Night Time (citação a “Nine Out of Ten” de Caetano Veloso)
  18. Wake Up