Pixies - 2016
L-R: Paz Lenchantin, Black Francis, Joey Santiago, David Lovering
 

O rock das últimas décadas não seria o mesmo sem o Pixies. O grunge foi influenciado, o alternativo inglês anos 90 foi influenciado, o indie do começo dos 2000 foi influenciado. Quando uma banda chega nesse nível de poder com sua obra, muitas bandas acabam caindo em uma mesmice, se repetindo ou fazendo turnês atrás de turnês comemorativas. Mas o Pixies continua se desafiando.

E isso é uma marca de Beneath The Eyrie, novo álbum da banda que sairá no dia 13 de setembro e já tivemos a oportunidade de ouvir. O disco é particularmente estranho e sombrio para uma banda conhecida por essas características. Se ainda se sente um pouco a falta de Kim Deal, que deixou a banda em 2013, o disco leva as loucuras de Black Francis. às últimas consequências e é facilmente o melhor desde o retorno da banda e parece uma continuação natural da era do Bossanova e Trompe le Monde. E principalmente, não parece uma banda que passou por um hiato de 11 anos.

Foi sobre esse novo momento da banda e essa jornada plenamente incomum que conversamos com um simpático David Lovering, baterista da banda.

TMDQA!: Antes de tudo, parabéns pelo disco! Estava ouvindo e me surpreendi que vocês estão buscando coisas novas de verdade e não só recriar aquele clima do começo da banda…

David Lovering: Nossa, obrigado!

TMDQA!: Isso é algo bem incomum com bandas que se reúnem após um tempo. Como vocês mantiveram esse pique para criar?

David Lovering: Curtindo muito o que fazemos. E pra ser sincero, me sinto honrado de poder fazer isso de novo. Nós realmente não tentamos recriar uma fórmula pois sentimos que realmente demos um ‘pause’ lá atrás e seguimos de onde paramos. Engraçado que acho que nunca tinha pensado nisso! (Risos)

TMDQA!: E agora vocês viraram podcasters!

David Lovering: Viramos!

TMDQA: Isso foi algo só pro disco ou é algo que vocês planejam fazer por mais tempo?

David Lovering: Por agora, somente pro álbum. Mas foi interessante pois quando sugeriram a ideia, a gente meio que não gostou, achou que ninguém ia ouvir um bando de caras de meia-idade conversando, mas virou parte da rotina. É engraçado que uma das minhas bandas favoritas é o Rush e eles têm um DVD onde eles ficam literalmente comendo e falando e acho que é o meu registro favorito deles. Me faz sentir perto da banda. E algumas pessoas têm tido a mesma resposta com os nossos episódios e isso por si só já é algo muito legal.

TMDQA!: Você começou a se apresentar como mágico durante o período que o Pixies esteve separado e até desenvolveu uma nova persona artística para o palco. Isso mudou a sua percepção de como estar no palco, de como tocar?

David Lovering: Interessante você perguntar isso porque com o Pixies eu nunca tive nervoso, sempre foi tranquilo subir no palco e tocar na frente de um monte de gente. Eu não sei se é coisa de sempre estar atrás da bateria, de ter mais três pessoas tocando na minha frente, mas nunca estive nervoso. Agora, no meu primeiro show como mágico… Primeiro, deviam ter umas 10 pessoas… (Risos)

TMDQA!: Sério? (Risos)

David Lovering: Sim! E eu comecei a passar mal, o estômago embrulhando, sentindo o suor vindo… Foi horrível! (Risos) Essa minha persona como mágico me ensinou a ter confiança em mim mesmo e como falar em público. Não sei se isso afetou o meu modo de tocar, mas me mudou como pessoa. Nem que seja para falar “Boa noite, nós somos o Pixies”. (Risos)

TMDQA!: Esse ano marca o 30° aniversário do Doolittle. É definitivamente um queridinho dos fãs e um álbum muito influente…

David Lovering: Oh, obrigado!

TMDQA!: Quando vocês acabaram de gravar o disco, já tinham ideia que seria um divisor de águas?

David Lovering: De jeito nenhum! Esse foi nosso segundo álbum e estávamos antes de tudo felizes que aquilo estava acontecendo e que estávamos fazendo o disco que queríamos. Éramos jovens e tínhamos muitas expectativas sobre o mundo, mas pro disco a principal era curtir o momento enquanto desse para curtir, sabe? Desde o começo eu tenho não ter expectativas para os discos…

TMDQA!: Esse é um bom conselho. O Dave de hoje teria algum outro conselho para o de 1989?

David Lovering: Oh, Deus do Céu… (Pensativo) Com certeza devo ter algum bom conselho! (Risos). Acho que é curtir envelhecer, curtir o processo de atingir a maturidade e evoluir. A gente não sabia nada da vida e hoje noto como poderia aproveitar tanto mais a jornada se tivesse uma segunda chance.

TMDQA!: Não sei se você têm noção, mas vocês fizeram shows lendários aqui no Brasil. Tem um em Curitiba, em 2004, que a quantidade de gente que jura de pé junto que estava lá daria pra encher uns 5 shows. Vocês têm memórias boas daqui?

David Lovering: (Risos) Temos sim! E curiosamente desse show aí que você citou. A gente tinha pouco tempo desde a reunião e quando chegamos aí e notamos o público cantando cada sílaba, cada virada de bateria, cada solo… Cara, foi quando notei de verdade o amor dos fãs. Foi o Brasil que solidificou de vez a gente. Sei que esse tratamento é meio que padrão de vocês com artistas… (Risos) Mas foi muito importante para gente.

TMDQA!: Você tem mais discos que amigos?

David Lovering: Sim, demais! E a gente faz sempre questão de ter tudo nosso em vinil, que é um formato que amamos.

TMDQA!: Tem algum disco que é especial para você, tipo um amigo?

David Lovering: Definitivamente o primeiro do Led Zeppelin. Eu tenho uma cópia que ouço e uma original que guardo num cofre! (Risos) Não é o meu disco favorito deles, mas é algo especial. Foi o disco que me ligou com a banda.

     
 
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