TMDQA! convida Maglore
Foto: Stephanie Hahne
 

O ano de 2019 vai ferver na música e a Natura Musical tem dedo nisso! O programa anunciou os coletivos escolhidos para serem patrocinados pela plataforma neste ano, e a lista é incrível.

Os nomes foram selecionados entre 2.617 inscrições de todo o Brasil e, neste ano, o edital contemplou artistas e bandas que estão em fase de desenvolvimento ou renovação de carreira e abriu espaço para os coletivos culturais. Entre as iniciativas patrocinadas, estão a gravação de discos, turnês nacionais, além da movimentação e documentação de cenas locais.

Hoje (12), a marca divulga um vídeo, com lançamento exclusivo aqui no TMDQA!, sobre os coletivos escolhidos para fazerem parte do programa. São eles: Mostra Imune (MG), Samba de Dandara (SP), Projeto Concha (RS), Afrocidade (BA), Bloco da Laje (RS), Sonâncias Lab (MG), O Corre (MG), Rock de Mulher Circuito (RN), Batekoo (BA), Sons que vem da Serra (RS), Intercenas Musicais (BA), Ritmo Novos Sons da Bahia (BA), Mostra Maré de Música (RJ) e Midsummer Madness (RJ).

Conversamos também com Fernanda Paiva, gerente de Marketing Institucional da Natura, para saber um pouco mais sobre o projeto e a movimentação deste ano.

Leia a entrevista após o player e fique ligado, pois em breve divulgaremos os artistas e bandas que vão participar do programa.

Por Tony Aiex

TMDQA: O edital da Natura Musical tem história, credibilidade e grande importância para a música nacional desde que passou a patrocinar projetos. Hoje vocês estão dando um novo passo no curso das coisas já que a ideia é diluir recursos e patrocinar outras iniciativas como os coletivos. Como você enxerga a ajuda da Natura na música brasileira hoje em dia, seus próximos passos e por que sentiu que a necessidade era de ampliar os horizontes?

Fernanda Paiva: Acredito que a principal contribuição de Natura Musical é apoiar projetos capazes de fortalecer o legado da música brasileira e injetar energia à cena, renová-la. Sempre buscamos dialogar com o mercado da música e acompanhar suas mudanças na forma de se organizar. Depois de dez anos investindo prioritariamente em artistas (discos e turnês), entendemos que há outros elos essenciais para o desenvolvimento do mercado. Isso fez com que o Natura Musical expandisse a sua atuação, inaugurando a Casa Natura Musical aqui em São Paulo e apoiando festivais em todo o Brasil. De uns tempos para cá, passamos também a observar uma crescente importância dos coletivos no fomento as cenas locais. Eles foram ganhando espaço e se tornarem elementos fundamentais para renovação da música. Quando bem estruturados, esses coletivos promovem impacto cultural, social e econômico que multiplica o alcance de um patrocínio. A gente investe no coletivo e toda uma rede de pessoas conectada a ele (seja de dentro ou fora do meio musical) também são impactadas de forma positiva. Ao patrocinar esses projetos musicais, nós também contribuímos para que artistas e público estejam mais próximos.

TMDQA: Qual você entende que é o papel dos coletivos culturais hoje em dia no Brasil? Ao incluí-los no projeto parece que a ideia é impulsionar quem já tem grande presença local para que as ações deles sejam ainda mais difundidas entre comunidades e cenas. Vocês pensaram assim ao abraçarem suas causas?

Fernanda Paiva: Exatamente isso! Apostamos nos coletivos porque eles carregam um potencial imenso de movimentar o mercado da música, além de contribuir para que as cenas ao redor deles se desenvolva. Vemos também nos coletivos uma força muito genuína para lidar com os desafios de articulação do mercado que estão aí há anos. O projeto Concha, por exemplo, vai capacitar mulheres para que elas possam ocupar posições de trabalho que até então eram ocupados majoritariamente por homens. No mesmo caminho, O Corre vai oferecer cursos e consultorias para que os artistas possam se profissionalizar. Além disso, os coletivos também ampliam a voz de movimentos sociais e culturais de resistência e que buscam maior representatividade. Um exemplo fundamental? A Batekoo celebra a diversidade, a cultura negra e periférica. É uma festa que reúne pessoas que acreditam na coexistência, no respeito. É emocionante ver como esses grupos estão lidando, de forma criativa e consistente, com o mundo ao redor. Os exemplos não param por aqui, Tony. A gente espera que, com o apoio do programa, eles ganhem mais força e reúnam mais e mais gente com os mesmos propósitos.

TMDQA: Todo processo de curadoria dos projetos escolhidos passa por diversos ouvidos e mãos. A gente teve a chance de ver um pouco disso em um vídeo de bastidores que foi divulgado pela Natura Musical, e ao mesmo tempo em que ficou mais claro, também mostrou como há material abundante de todos os cantos do país. Quais são os direcionamentos e os “nortes” para que as inscrições sejam avaliadas por cada membro da banca?

Fernanda Paiva: Os projetos foram avaliados por quatro critérios essencialmente. Pedimos para que os curadores avaliassem o potencial criativo das propostas para inovar, seja nas carreiras, no conteúdo ou no formato, e o poder de mobilização da iniciativa. Além disso, os artistas, bandas e coletivos, deveriam ter uma trajetória consistente e uma capacidade de articulação e mobilização. Acima de tudo, deixamos claro que gostaríamos de ir ao encontro de artistas, bandas e coletivos conectados com o momento de profunda transformação no qual vivemos. Como uma forma de fortalecer a diversidade de opiniões e a representatividade dentro do processo de seleção, ampliamos a rede de curadores (de 18 para 27 integrantes). No último edital, recebemos cerca de 2.600 propostas de todo o Brasil e cada uma delas foi avaliada por pelo menos três dos 27 integrantes da nossa rede. Depois, as propostas foram discutidas coletivamente pelo grupo. Cada profissional que atuou na escolha dos projetos trouxe formação, experiência, ponto de vista e bagagem diferentes. A soma de todos eles funcionou muito bem na discussão das propostas e na definição da lista final.

TMDQA: Junto com o vídeo vieram também questionamentos, principalmente de quem não é contemplado pelo edital. O que você diria para quem envia seu material e não o vê na lista com os selecionados?

Fernanda Paiva: Eu diria: tente de novo! Nos últimos anos, nós simplificamos o processo de inscrição do edital justamente para que as pessoas não entendessem essa etapa como um obstáculo. Você citou o vídeo que produzimos para deixar mais aberto como funciona o processo de seleção dos projetos. Acho que uma coisa ficou bem clara com ele: não é fácil, não é nada fácil! A gente sofre porque muita gente boa fica de fora. Nós, do Natura Musical, e os curadores também. No processo de seleção, cada projeto concorre, em primeiro lugar, com ele mesmo. Os curadores avaliam se aquele artista ou coletivo está no seu melhor momento, apresentando a proposta mais relevante para o edital, a partir dos critérios do regulamento. Depois, o projeto é colocado na perspectiva da cena e seu potencial é confrontado com outros da mesma natureza. Por fim, ele é avaliado na composição da cesta final – se contribui para a diversidade de formatos, gêneros, cenas e regiões. Faz parte do processo que pessoas incríveis fiquem de fora. Mas a boa é que todo ano abrimos um novo edital. E, se serve como estímulo, alguns dos artistas selecionados neste último edital já haviam se inscrito outras vezes, mas só agora emplacaram. Então, há sempre uma chance! E eu espero de verdade que possamos reencontrar vários dos artistas e coletivos incríveis nos próximos anos.

TMDQA: Estamos vivendo tempos muito difíceis onde a Cultura no Brasil, mesmo movimentando milhões e fazendo a economia girar, é vista como vilã. O trabalho diário de quem vive disso e propagando isso, como todos nós, parece cada vez mais árduo, mas, ao mesmo tempo, necessário. Como você enxerga essa questão e como vê o posicionamento da Natura nesse sentido?

Fernanda Paiva: Coloco aqui meu lado mais otimista para responder à sua pergunta: em tempos de incertezas, eu acredito que a música tem uma força transformadora ainda mais pulsante e potente. Neste contexto, o Natura Musical vem para somar forças, para apoiar o trabalho de artistas, bandas e coletivos que são porta-vozes do nosso tempo. Nós acreditamos que a música ajuda a construir a história cultural do Brasil. A música é capaz de provocar, de instigar e de mobilizar para as transformações que desejamos ver no mundo. E esse futuro pode e deve ser repleto de diversidade e representatividade.

TMDQA: Quais são os próximos passos da marca e do edital para o pessoal já ficar ligado?

Fernanda Paiva: Esse ano será muito animado. Começamos com o lançamento do Jards Macalé, após 20 anos sem lançar nada inédito; logo mais, saem os discos da Francisco, El Hombre, Liniker e os Caramelows, Mariana Aydar e Drik Barbosa. Ao longo do ano, estão previstos também uma média 60 de novos produtos culturais (entre discos, DVDs, livros e documentários), cerca de 150 shows em todo Brasil. A programação da Casa Natura Musical contará com mais de 100 shows ao longo do ano. Em breve, anunciaremos os festivais parceiros do Natura Musical em 2019. Ainda no primeiro semestre, abriremos um novo edital. Muita coisa boa vem por aí!