Cazuza
Foto: Divulgação
 

Ricardo Vélez Rodríguez, atual Ministro da Educação do Brasil, deu uma entrevista à Veja e por lá causou confusão.

Entre outras coisas, enquanto conversava com o jornalista sobre o que seria o conceito de “liberdade”, acabou atribuindo uma frase do programa humorístico Casseta & Planeta ao cantor Cazuza, dizendo que ele pregava que “liberdade é passar a mão no guarda”:

Liberdade não é fazer o que você deseja. Liberdade é agir, fazer escolhas dentro dos limites da lei e da moralidade. Fazer o que dá vontade não é ser livre. Isso é libertinagem. No Brasil, por força de ciclos autoritários, temos uma visão enviesada da liberdade. Liberdade não é o que pregava Cazuza, que dizia que liberdade é passar a mão no guarda. Não! Isso é desrespeito à autoridade, vai para o xilindró. Nossas crianças e adolescentes devem ser formados na educação para a cidadania, que ensina como agir de acordo com a lei e com a moral.

Segundo o Whiplash, a frase foi dita pelo Casseta & Planeta ainda nos Anos 80 e a atribuição falsa de uma frase ao cantor fez com que sua mãe Lucinha Araújo rapidamente se manifestasse e publicasse uma longa carta direcionada ao ministro:

Caro Sr. Ricardo Vélez Rodriguez, Ministro da Educação, se meu filho estivesse vivo tenho a certeza de que pediria piedade, mas como não sou ele e minha idade suprimiu os panos quentes, considero inadmissível uma pessoa ocupando o cargo que ocupa não ter a preocupação de citar uma pessoa pública sem compromisso com a verdade.

Não venho a público para discussão política, nesse momento, por mais que os discursos retrógrados, que agridem a liberdade individual dos cidadãos brasileiros em suas escolhas pessoais vão contra a todos os princípios pelos quais trabalho à frente da Viva Cazuza há 28 anos.

Cazuza foi um artista que deixou um legado através de sua obra, e isso não é a mãe do artista quem está dizendo, mas sim pela importância de sua obra, do número de novos artistas que a regravam, do quanto é tocado nos rádios, do quanto é baixado nos streamings, mesmo depois de 28 anos longe de nós. Se achar que é pouco, gostaria de lembrar que Cazuza foi a primeira pessoa pública no Brasil a assumir sua condição de HIV positivo, o que possibilitou a luta pelo acesso universal do tratamento, o que fez do Brasil um país reconhecido mundialmente pelo programa de Aids e posteriormente imitado por outros tantos.

Posso vislumbrar que não seja prioridade do atual governo programas sociais que visem a igualdade de direitos, respeito as minorias, educação e saneamento básico como prioridades, mas respeito a democracia que elegeu o atual presidente e que lhe nomeou. Mas, não posso deixar que declarações levianas coloquem na boca de Cazuza o que ele nunca disse. Gostaria de deixar aberta a possibilidade de se retratar publicamente para que não seja necessário ter que tomar providencias jurídicas.

Atenciosamente,
Lucinha Araújo

Pedido de Desculpas

Em post publicado pela própria Veja ontem (05) à noite, a revista diz que Ricardo pediu desculpas a Lucinha Araújo:

Liguei para Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, para desfazer o equívoco de uma resposta que dei atribuindo a ele frase de um programa humorístico. A conversa foi tocante e combinamos uma visita a ela quando eu for ao Rio. O amor do coração de uma mãe por seu filho é algo valoroso.

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Ricardo Vélez Rodríguez, teólogo, filósofo e Ministro da Educação do Brasil nascido na Colômbia, tem dado o que falar por diversas outras declarações tanto nessa entrevista quanto em outras conversas com a imprensa.

Entre outras coisas, disse que os brasileiros são “canibais” quando viajam:

Rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que tem de ser revertido na escola.

Além disso, afirmou que a Universidade “não deve ser para todos” já que ela representaria uma “elite intelectual”, comentando que nem todo mundo está preparado ou tem disposição e capacidade para tal.

Ricardo é a favor da cobrança de mensalidade nas escolas públicas e também diz que “o sistema de cotas irá acabar em poucos anos”.

     
 
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