Dono do melhor disco nacional de 2017, Rincon Sapiência foi um dos principais nomes brasileiros no primeiro dia de Lollapalooza Brasil. Ele e Mano Brown são os maiores representantes do rap nacional nessa edição do festival, que conta com bom nomes de fora nesse gênero, como Chance, The Rapper e Wiz Khalifa.

Depois de fazer um show enérgico (confira a nossa resenha por aqui), muito simpático, Rincon parou para falar ao TMDQA! sobre o mercado do rap nacional, suas principais referências no estilo, política, preconceito e Marielle Franco. Confira abaixo a conversa na íntegra.

TMDQA!: Parabéns pelo show! Quando você monta o setlist pra se apresentar em um festival, você pensa em que público? Seus fãs que estão aqui ou a galera que pode passar a te conhecer?

Rincon: Eu acho que dá pra fazer de tudo. Aqui a gente tem menos tempo de show, então pensamos “vamos ser práticos e objetivos”. Conseguimos mostrar esse nosso “skill” de diversidade musical, passar nossa mensagem e também nos divertimos, então deu tudo certo.

TMDQA!: Que bom! A gente fala bastante no site de como o rap nacional está num bom momento há anos. E isso se deve a artistas como você, não só pela sua letra e sua música, mas pela sua figura diante da mídia. Vendo de dentro, você também tem essa impressão, ou ainda tem o que melhorar na indústria do rap brasileiro?

Rincon: Acho que a gente avançou muito. Eu não sou nem da velha escola e nem da nova escola, mas já consegui acompanhar muita coisa que aconteceu no rap e eu vejo que mudou muito. Principalmente falando de mercado, negócios, grana, trabalho e grandes festivais como esse aqui. Mas eu acho que a gente pode caminhar pra ter um mercado de rap ainda mais sólido e mais rentável. Talvez daqui uns anos teremos não só eu e o Brown de rappers brasileiros por aqui. Estamos caminhando pra isso.

TMDQA!: Tem bastante rapper internacional no Lollapalooza desse ano também, como o Chance, Wiz Khalifa… quem você tá afim de ver?

Rincon: A rapaziada toda do rap tem trabalhos interessantes, mas eu destacaria o Chance e o Anderson .Paak, que são extremamente talentosos. Os dois cantam, rimam, dançam, tocam instrumentos, se vestem bem… eu admiro artistas que entregam um trabalho bem elaborado.

TMDQA!: Legal! E vai dar pra você curtir um pouco do festival?

Rincon: Vai sim!

TMDQA!: Pra encerrar… você é um cara que precisa estar ligado em política pra fazer a sua música. Recentemente tivemos mais um caso absurdo envolvendo polícia brasileira, que foi o assassinato da vereadora Marielle Franco. Como essas coisas te afetam pra fazer a sua arte?

Rincon: Eu procuro estar sempre antenado no entretenimento no geral. Tanto séries, filmes, games, como também acompanho as notícias. Infelizmente, estamos passando por um processo desse em pleno 2018. O Brasil tem uma taxa altíssima de afrogenocídio, e esse caso é mais um indicador disso. Mas, em contrapartida, eu vejo uma gama de artistas com trabalho bem politizado e engajamento bem legal. Então acredito que temos estrutura pra reverter essa situação e fazer com que o país seja mais justo. Não somos políticos, somos meros artistas, mas conseguimos contribuir pra reflexão das pessoas e pra mudança dessa situação.