(foto: Divulgação)
  

O primeiro dia do Lollapalooza Brasil, festival que acontece em São Paulo entre os dias 23 e 25 de março, será um prato cheio pra quem gosta de rock alternativo. Entre as atrações desse gênero estão os britânicos do Royal Blood e os americanos do LCD Soundsystem e do Spoon.

Esses últimos, liderados pelo cantor e compositor Britt Daniel, já estão no Brasil, onde farão um show extra no Rio de Janeiro. Nessa jornada, o grupo parou para conversar com o TMDQA! sobre a turnê do disco mais recente, Hot Thoughts, do ano passado.

O baterista Jim Eno, o tecladista Alex Fischel e o guitarrista Gerardo Larios nos falaram sobre a sólida carreira de 25 anos do grupo, sempre experimentando, mas sem deixar de agradar público e crítica. Em 2009, o site de resenhas Metacritic elegeu o Spoon como a banda mais consistente da década.

Eles também explicaram o processo de rearranjar as músicas, todas cheias de sintetizadores e elementos eletrônicos, para que elas funcionem ao vivo. Confira abaixo a entrevista completa.

A entrevista

TMDQA!: Olá! Vocês chegaram cedo (20/3) ao Brasil. Vai dar tempo de curtir um pouco o Rio de Janeiro, onde vocês também tocam, e São Paulo?

Spoon: Essa já é nossa terceira vez no Brasil. Chegamos ontem à noite a São Paulo e vamos amanhã pro Rio, depois voltamos pro festival. Teremos um ou dois dias pra andar pelas cidades.

TMDQA!: Como é pra vocês estar em um festival grande como o Lollapalooza Brasil?

Spoon: É divertido. É uma oportunidade legal porque a gente não vem pra América do Sul com frequência. Então podemos tocar pra pessoas que não necessariamente conhecem a banda. Também ajuda a gente a conseguir publico pra um show fechado numa próxima vez.

TMDQA!: Vocês tocam logo no primeiro dia de festival e junto com outras bandas que também são enquadradas no rock alternativo, como LCD Soundsystem e Royal Blood. Vocês curtem o que está sendo feito no gênero hoje em dia?

Spoon: Eu gosto de LCD Soundsystem. O último disco deles (American Dream, de 2017) é ótimo. Não conheço o Royal Blood. Mas acho que tem muita música boa sendo feita agora, sim.

TMDQA!: O Spoon é conhecido por ter uma carreira muito consistente. Nos seus discos, vocês sempre se desafiam, mas também são capazes de agradar a base de fãs. Alguns dizem que vocês não conseguem fazer um disco ruim. Como vocês recebem esses comentários?

Spoon: É um ótimo elogio! Eu aposto que a gente conseguiria fazer um disco ruim, a gente só se esforça muito pra que isso não aconteça (risos). Nós temos um ótimo compositor e vocalista e a gente trabalha bastante. Nós não divulgamos nada que a gente não acredite que seja ótimo.

TMDQA!: O maior tempo que vocês viveram entre discos foi de 2010 (do disco Transference) pra 2014 (disco They Want My Soul), e isso incluiu um hiato de um ano e meio. Vocês diriam que dois anos é o tempo ideal pra vocês se reunirem, começarem a compor, gravar e divulgar?

Spoon: Não sei se é ideal, mas é o nosso padrão, porque aconteceu também de 2014 pra 2017 (disco Hot Thoughts). Leva tempo mesmo, porque você tem que mudar sua mentalidade de excursionar pra gravar. São duas coisas totalmente diferentes e que demandam muito foco. E quando chega a hora da turnê, precisamos pensar em como as músicas vão funcionar ao vivo. E a gente não costuma compor enquanto estamos na estrada.

TMDQA!: Também deve afetar vocês fisicamente. Devem ser estilos de vida diferentes em cada parte desse processo.

Spoon: Todos nós precisamos beber menos (risos).

(foto: Divulgação)

TMDQA!: Sobre o Hot Thoughts, vocês sempre experimentaram com sons e instrumentos eletrônicos, mas eu li em uma entrevista que nesse disco vocês quiseram soar mais futurísticos, certo?

Spoon: Sim.

TMDQA!: E como é levar esse futurismo para o palco?

Spoon: Nunca vai ser exatamente como no disco, porque entra uma variável muito importante, que é a plateia. O que vai acontecer é sempre algo desconhecido, então as músicas vão mudando aos poucos. Eu diria que nos primeiros quatro ou cinco meses de turnê de um disco, milhares de coisas novas acontecem com as músicas. E algumas das nossas canções têm cem faixas em estúdio, então não tem como mesmo. Passamos um bom tempo analisando quais partes a gente deve e pode tocar ao vivo. E é comum que algumas músicas sejam rearranjadas também.

TMDQA!: Vocês trouxeram mais músicos para o Brasil ou só os cinco integrantes oficiais?

Spoon: Só nós cinco.

TMDQA!: Vocês já estão em turnê com esse disco há mais de um ano…

Spoon: Nem me fale (risos)!

TMDQA!: Pois é! E as plateias por aí têm recebido bem o show?

Spoon: Ótimo! Nós trabalhamos bastante no set, tentando encaixar transições entre as músicas pra não ter muitos “espaços mortos”. E me parece que o set flui muito naturalmente, misturando músicas de toda a carreira.

TMDQA!: Várias músicas do Spoon foram usadas em filmes e programas de televisão muito famosos no mundo todo, como Os Simpsons, 500 Dias Com Ela, How I Met Your Mother, Homem-Aranha… Vocês se consideram uma banda popular hoje em dia?

Spoon: Não sei… essa é uma pergunta difícil. Nós com certeza estamos felizes com o sucesso que atingimos, mas estamos sempre buscando o próximo passo. E nós somos mais populares em alguns países do que outros, então a gente vai tendo gostinhos do sucesso por aí (risos). Em Minneapolis (nos Estados Unidos), por exemplo, nossos shows vendem muito rápido. Mas mesmo quando vende pouco, ainda achamos incrível fazer shows.

TMDQA!: É possível dizer qual é o próximo passo para uma banda que está na estrada há 25 anos?

Spoon: Hum…

TMDQA!: Vocês pensam em seguir com a banda até quando?

Spoon: Nós vamos fazer isso por um longo tempo. A gente ama tocar rock n’ roll.

TMDQA!: E o Britt Daniel (vocalista da banda) está com vocês?

Spoon: Eu acho que sim. Ele está à bordo (risos).