É, amigo, acredite se quiser: há 10 anos estava estreando a série Breaking Bad.

Foi no dia 20 de Janeiro de 2008 que o primeiro episódio da série criada por Vince Gilligan foi ao ar, com “Pilot” já dando uma boa noção do que viria pela frente e apresentando os personagens Walter White (Bryan Cranston), Jesse Pinkman (Aaron Paul), Skyler White (Anna Gunn) e Hank Schrader (Dean Norris) ao mundo.

Curiosamente, a atração teve que dividir as atenções dos Estados Unidos com um jogo eliminatório de futebol americano entre New England Patriots e San Diego Chargers, e Gilligan brinca que naquele dia eles foram “esmagados” na audiência, logo na estreia.

É muito provável que você já saiba, mas vale sempre relembrar a história: White é um professor de química frustrado que descobre ter uma doença gravíssima e se depara com a oportunidade de utilizar o seu conhecimento para produzir metanfetamina. Usando seus conhecimentos, ele cria uma das drogas mais puras do mercado, e seu produto passa a ser cobiçado.

A partir daí, com o pretexto de deixar dinheiro para a sua família, ele inicia uma vida dupla em que boa parte é cercada pelo crime, e as coisas evoluem de forma rápida e violenta, com episódios que tornaram Breaking Bad um seriado impossível de não acompanhar.

Às vésperas dos 10 anos do primeiro episódio de Breaking Bad, relembramos alguns dos pontos principais da aclamada série por aqui. Ainda assim, há vários outros detalhes nela que seriam dignos de um texto, mas a gente vai deixar para você absorvê-los quando assistir aos episódios.

ATENÇÃO: os textos podem ter pequenos spoilers e os vídeos com certeza têm grandes spoilers. Não espere mais 10 anos e assista à série para não lidar com esse problema!

 

Uma história cheia de histórias

Bryan Cranston e Bob Odenkirk em Breaking Bad

Breaking Bad pode ser resumida como uma história de tráfico de drogas, mas isso seria uma simplificação bastante ingênua de tudo que acontece na série.

No mundo criado por Vince Gilligan existem inúmeros conflitos pessoais e também retratos de mundos com os quais podemos nos relacionar facilmente em várias fases da vida.

Walter White é um professor de química que ganha pouco dinheiro, já teve sua chance de ser milionário e é humilhado por alunos que descobrem que ele trabalha em um lava-jato como forma de complementar a renda.

A notícia de sua doença escancara o mundo pessoal em que vive com uma esposa dedicada que está grávida, a falta de recursos e um filho deficiente. Os raros momentos de alegria para White se dão com churrascos ao final de semana com o cunhado, Hank, chefe do departamento anti-drogas de Albuquerque, e ao perceber que sua vida chegaria ao fim com o câncer, ele começa a pensar sobre tudo que não fez, e por incrível que pareça, a grave doença fica em segundo ou terceiro plano na sua lista de prioridades.

Breaking Bad é uma série sobre o estilo de vida americano. O lar “perfeito” com uma casa que foi comprada com longas prestações e ainda nem terminou de ser paga. O dever de ser professor e ganhar pouco dinheiro com isso. As frustrações e porradas incessantes da vida, muitas delas originadas a partir de suas próprias atitudes.

O universo das drogas é um mecanismo para mostrar uma série de tomada de decisões que obviamente em níveis diferentes precisam ser tomadas por todos nós e parecem absurdas vistas de fora, mas que fazem todo sentido para quem está passando por elas.

 

Bryan Cranston

Bryan Cranston em Breaking Bad

O personagem principal da série é Walter White, e para fazer da atração algo tão marcante, era necessário um ator que pudesse retratar a ideia que Vince Gilligan tinha de produzir um conteúdo que mostrasse um protagonista se transformando em antagonista durante os episódios.

Era preciso ter a sensibilidade que Walter White mostrava em casa aliada ao lado perigoso que ele foi adquirindo após se tornar chefão das drogas.

Gilligan escolheu Bryan Cranston porque havia trabalhado com ele em um episódio de Arquivo X que escreveu, “Drive”. Na ocasião, o ator interpretou Patrick Crump, homem que estava envolvido em uma bizarra conspiração envolvendo o governo e antenas que emitem ondas e causam sérios problemas de saúde a pessoas como o personagem vivido por Cranston.

Quando idealizou Breaking Bad, o produtor logo se lembrou da atuação de Bryan que havia acontecido dez anos antes, mas o seu nome teve resistência do canal AMC por conta do sucesso anterior de Cranston na comédia Malcolm, tanto que o papel chegou a ser oferecido para atores como John Cusack e Matthew Broderick, que o recusaram.

Após assistir à participação de Bryan Cranston em Arquivo X, os executivos se convenceram.

 

Jesse Pinkman

Jesse Pinkman, de Breaking Bad

Outro fator importantíssimo para o sucesso de Breaking Bad foi Jesse Pinkman, personagem interpretado por Aaron Paul.

Jesse era o ponto de ligação entre o então professor Walter White e o mundo das drogas, e seu relacionamento com o mentor é uma das narrativas mais fortes dentro de todo seriado.

Ao longo dos episódios e das temporadas, os conflitos internos que tomam conta da cabeça de Jesse se misturam aos conflitos morais que ele tem com Walter, personagem que muda drasticamente de uma hora para outra, e isso afeta a maneira como as coisas caminham em diversas ocasiões.

Com uma interpretação marcante de Aaron Paul, que deu vida a um personagem cheio de gírias e manias, e uma guerra constante de interesses que Jesse Pinkman e Walter White seguiram fazendo o que faziam, mesmo que isso significasse cometer atos questionáveis que marcariam as suas vidas para sempre.

 

Skyler White

Skyler White

Um ponto fundamental da trama que gerou muita discussão quando a série estava no auge é a personagem de Anna Gunn, a esposa de Walter, Skyler White.

Da mesma forma como Walter se transforma ao longo das temporadas, Skyler começa a vivenciar uma mudança de comportamento à força, já que demora para entender o que está acontecendo com o marido e quando isso acontece, tem sérias dificuldades para lidar com o dilema moral que é apresentado a ela.

Skyler sabe que seu marido deve morrer em alguns anos por conta da doença e que a família não tem dinheiro, mas também jamais imaginou que a sua fonte de renda se tornaria o tráfico de drogas, e isso vai a transformando em uma personagem difícil, que chegou a ser muito criticada por fãs da série.

Em 2013, Anna escreveu um artigo no New York Times falando sobre como era triste o fato de que muita gente odiava Skyler White por conta de seu comportamento forte e do fato dela não se submeter às decisões de Walter.

Cinco anos atrás, a atriz questionava se o ódio de pessoas no Facebook e em fóruns de discussão sobre a série em relação à personagem se dava porque ela havia se tornado uma espécie de antagonista ao não concordar com as práticas de Walter ou se era difícil para as pessoas presenciarem uma mulher forte que não contraria as suas crenças e não se curva ao seu homem.

Citando mensagens de ódio e comunidades cujos nomes nem foram revelados devido ao teor pesado, ela disse que personagens masculinos não costumam receber esse tipo de desprezo e ataque.

Tanto quando está fora da “segunda vida” de Walter como quando começa a fazer parte do jogo, Skyler é uma personagem forte que luta para passar por problemas que jamais imaginou que teria, e toma decisões questionáveis para situações em que qualquer saída não seria perfeita.

 

AMC e Netflix

Breaking Bad e Netflix

Breaking Bad é uma série que originalmente foi ao ar no canal de televisão a cabo AMC, cujo nome vem de “American Movie Classics”, e era especializado na transmissão de filmes antigos até 2002.

A partir daí outros filmes foram incorporados à grade e mais pra frente vieram os conteúdos originais, onde a série se enquadrou.

O primeiro programa veio em 2007 com a super bem sucedida Mad Men, e Breaking Bad definitivamente fez com que o canal se popularizasse.

Acontece que o alcance global de Breaking Bad se deu muito por conta da sua disponibilização na Netflix, tanto que tem muita gente que acha que ela é uma série original da plataforma.

Nos prêmios Emmy de 2013, Vince Gilligan reconheceu a importância do serviço e até agradeceu a empresa ao dizer que ela “manteve Breaking Bad no ar”.

Não há dúvidas de que se o seriado não estivesse por lá, seu sucesso teria sido bem menor.

Albuquerque

Festival de balões em Albuquerque
Foto por Joe Ross

Outra peça importante de Breaking Bad é a cidade de Albuquerque, no estado do Novo México.

O local fica em uma região de deserto dos Estados Unidos e caiu como uma luva para as frequentes cenas de produção de metanfetamina em locais afastados e desabitados.

Além disso, a estética cheia de montanhas, pedras e areia também ajudou a passar a impressão de um “faroeste moderno” para Breaking Bad, e é interessante viajar pela vegetação e geografia de um local tão diferente do que estamos acostumados a ver em séries filmadas nos Estados Unidos.

A decisão por Albuquerque veio como sugestão da Sony, produtora da série, que citou vantagens financeiras oferecidas pelo Novo México. A primeira opção seria Riverside, na Califórnia, a 100 quilômetros de Los Angeles.

 

Breaking Bad

A série está disponível na Netflix, bem como seu spin-off, Better Call Saul.

Se você ainda não assistiu, recomendamos que o faça já que estamos falando de um dos seriados mais interessantes de todos os tempos, sem dúvidas.

Divirta-se!

 

 
 
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