Luke & No Friends é um nome que promete fazer barulho no underground nacional durante os próximos meses.

A banda tem Lucas Melim como figura central no vocal e bateria e o cara é acompanhado de músicos de bandas do selo Forever Vacation, formado em 2017 em São Paulo com sede no Estúdio Costella.

Em seu primeiro EP, Luke & No Friends conta com Ricardo Mastria (Dead Fish, Sugar Kane) na guitarra e Fabrício “Bi Free” Tchaick (Deb And The Mentals) no baixo.

Para os shows, o grupo será acompanhado por Alexandre Capilé (Water Rats, Sugar Kane), Fabiano Benetton (Odradek) e Guilherme Hypolitho (Deb & The Mentals).

Ao descrever o projeto, Luke brinca com as suas influências e intenções:

Existe um conforto em saber que Luke vive. Veja. Ele chegou ao mundo para
nos servir. Sim, especialmente a você. Entenda. A existência de Luke serve um
propósito: espalhar a palavra da geração amargurada por cerveja quente e
fraca conexão de 3G, obedecendo ao evangelho de Ty Segall e seus discípulos
de garage rock californiano. No fundo – e se nos permite a blasfêmia –, ele cumpre o mesmo papel que o Evangelista São Lucas antes dele, ou do Lucas
Lucco para esses sertanejos sarados. Divago apenas para revelar que o nome
dele é mesmo Lucas, e assim o poderíamos chamar, se tivesse amigos. Mas
Luke não tem amigos. Luke tem um conjunto de cabeludos tatuados com quem
mantém relações cordiais. São não amigos. No Friends. E assim ele segue
sozinho, nos confortando, sendo somente Luke, um cara que cumpre o seu
propósito. Luke & No Friends é de São Paulo, mas como diria Morty, ‘ninguém pertence a lugar nenhum, vamos todos morrer, vem ver TV!’.

Logo abaixo você pode ouvir o EP de estreia de Luke & No Friends, bem como ler uma descrição de cada uma das faixas pelo próprio.

01 – Copy Song

A faixa é uma crítica metalinguística, pois o eu lírico canta sobre como copiou a
música de alguém enquanto canta a própria música. Muito doido. Isso surgiu
pelo fato de “Copy Song” ser um apanhado de ideias misturado com coisas que
vi por aí em períodos passados da vida. É uma música crua e sem mistério,
puro garage rock clássico.

02 – Bad Connection

Essa talvez seja a minha música favorita do EP. Com muita influência da cena
do garage rock atual que rola na Califórnia – de bandas como Meatbodies, Ty
Segall e Bass Drum of Death –, é uma grande sátira da classe média moderna.
É basicamente sobre white people's problems. Situação que até eu me pego
reclamando às vezes e depois fico me sentindo um idiota. Vem daí a ideia do
título, pois um dos problemas mais “graves” que uma pessoa com certos
privilégios pode ter hoje em dia é justamente uma conexão ruim. E isso é
bizarro.

 

03 – Level Off

A faixa também é uma ode a um pouco do que rola hoje na cena do garage
rock mundial. Com reverb até o talo, a música flerta com uma guitarra mais surf
music, mas que contrasta com a gritaria que está presente na música, tendo assim que equilibrar-se com a pequena neblina de punk que se pode sentir no ar.

 

4 – Last One Kills

Essa faixa tem, sem dúvida, a letra mais pirada. Eu fiz um estudo sobre coisas
que as pessoas bebem e que mudam a vida delas (geralmente para pior) e as
listei. Pronto: essa é a letra. Com uma pegada sem vergonha de assumir que
se inspira nos grooves de Manchester dos anos 90, a música tem ainda um
easter egg, também muito inglês, diluído no meio dela. O refrão é uma citação
de um livro do Neil Gaiman, que diz “every hour wounds / last one kills”. Esta é
umas das minhas frases favoritas sobre o tempo, como também uma das
minhas favoritas de autoria do Gaiman. Junte este conceito ao fato de que a
música é uma lista de bebidas letais, e leve em consideração de que esta é a
última faixa do EP, e voilá: está aí seu grand finale.