Essa semana a gente falou por aqui sobre como o Sepultura havia anunciado uma série de shows com Lobão.

Falamos também a respeito da péssima recepção por parte dos fãs da banda de heavy metal, e agora em entrevista para o jornal O Globo, o músico falou a respeito.

Ao ser questionado sobre as motivações para a parceria, ele disse que a ideia é “levantar o rock”:

Sempre admirei o Sepultura, curto desde sempre. A gente tocar junto tem tudo a ver neste momento histórico brasileiro, em que o rock está meio dizimado, até mesmo por causa da autodestruição do segmento. Há muitas brigas, a imprensa não ajuda, os festivais são feitos de forma que não ajuda o rock brasileiro. Mas acredito que está nascendo uma nova cena, com coisas muito legais vindo do Rio Grande do Sul, do Nordeste.

Em 1991, na segunda edição do Rock In Rio, Lobão subiu ao palco depois do Sepultura em uma noite que ainda teve Megadeth, Judas Priest e Guns N’ Roses, e levou uma vaia imensa dos fãs de rock pesado.

Ao falar do fato, o cantor elogia o Sepultura e fala sobre “um mal entendido histórico”:

A gente segue o mesmo preceito de sincretismo musical. Adoro [o disco] Roots. O problema seria ficar inerte perante um mal entendido histórico. Paralisia e acovardamento não combinam com o rock.

Turnê

Especificamente sobre a turnê de quatro shows, batizada como “A Chamada”, Lobão disse que a ideia veio porque ele estava vendo “muita coisa parada” no rock do Brasil, portanto gostaria de ser “criativo e ousado”:

A gente estava pensando em uma maneira de mexer com o imaginário do rock no Brasil. Estamos vendo a cena muito parada. A única saída é ser criativo, ousado. E se unir. O barulho que essa equação Sepultura + Lobão está fazendo é importante, é um rebuliço tanto para o lado da euforia como do ódio. Mas a qualidade do nosso trabalho responde pela gente.

Por fim, ele falou sobre como é criticado por conta de suas convicções políticas, tão propagadas nas redes sociais:

As pessoas querem me aniquilar porque eu penso isso ou chouriço. Mas eu sou ‘insimonizável’ (citando Wilson Simonal, que enfrentou diversas críticas nos anos 70 por ser visto como um artista que apoiava a ditadura militar).

Vários artistas foram evaporados por não concordarem com o status quo, mas as pessoas têm que entender que isso é antidemocrático. Se um povo atinge esse estado, é um sintoma de que estamos vivendo uma situação totalitária. Não por parte de um governo, mas da cultura.

 

Sobre o rock and roll, deixamos aqui para o Lobão um link sobre inúmeras bandas que estão fazendo muito barulho no cenário musical e, definitivamente, não estão paradas e não sofrem por falta de união, muito pelo contrário.

 
 
FonteO Globo
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