Granada em Brasília, com Ilustra, ADI e outras

Um temporal desabou em Brasília por volta das 18h do dia 19 de março. Imaginem o caos – sexta à noite, horário de rush, e tudo molhado, carros quebrando, engarrafamentos em todo lugar. Imaginei que o show, marcado para começar às 19h, iria atrasar, mas não tanto: só começou às 22h!

Johnny Flirt

A primeira banda a subir ao palco montado no clube da Asefe, na 912 sul, foi a Johnny Flirt, banda cover de Arctic Monkeys. Esquentaram bem o público, mas pelo o que pude perceber, boa parte dos presentes já não tem muita paciência para bandas cover. Talvez fosse pelo atraso, também. De qualquer forma, as versões do Johnny Flirt foram bem executadas, com destaque para “Dancing Shoes” e “When The Sun Goes Down” – ambas do primeiro disco dos ingleses, “Whatever People Say, That’s What I’m Not”. Minha única ressalva foi não terem tocado nada do “Humbug”, o último lançamento do Arctic Monkeys, que me agradou bastante.


Miocárdio

Em seguida veio o Miocárdio, banda de Brasília que faz um post hardcore com influências de emo e metalcore. Muita gente conhecia as letras, e todo o tempo os integrantes tentavam animar o público, que respondeu bem. Confesso que na metade do show já estava cansado – as músicas sempre lembravam outras bandas, com os mesmos clichês do estilo. Faltou originalidade. Nada que mais shows e ensaios não ajudem a melhorar. O destaque, por ironia, foi “Downfall Of Us All”, do A Day To Remember, com participação do Raphael Kenji, vocalista do Fim de Setembro (banda que tocou mais tarde) nos berros. Não chegou ao nível da versão original, mas funcionou bem. Para ouvir Miocárdio, clique aqui.

ADI

O ADI tem um público respeitável na cidade, especialmente depois do lançamento do primeiro disco deles, “E Por Aqui Tudo Vai Bem”, no fim do ano passado. Eles fazem um powerpop direto e honesto, com influências claras de Motion City Soundtrack e com melodias que lembram muito as do Nate Ruess, que saiu do The Format e fundou o fun. Não foi o melhor show que vi deles. Além de alguns errinhos, a bateria desabou – sem exageros – no começo da minha preferida, “Antes Tarde do Que Nunca, Pequena”. Apesar dos problemas, o público aprovou, cantando praticamente todas as músicas em uníssono, e vestindo as camisetas da banda. Vale ficar de olho nos caras. Para ouvir ADI, clique aqui.

Fim de Setembro

O quarto show da noite foi a reestreia da banda Fim de Setembro, que já tinha feito algumas apresentações como A Great Winter To Die. As primeiras músicas me lembraram bastante o Comeback Kid, mas com influências de metalcore (“Continuo Aqui” que pode ser ouvida no MySpace deles, mostra claramente  a influência dos canadenses). O maior problema do show foi o som. A acústica do lugar é péssima, uma espécie de refeitório/salão que pode ter sido feita pra qualquer coisa, menos para apresentações musicais. O som reverberava em todo o lugar, e cada vez que tentavam melhorar o bolo de freqüências que saía das caixas, parecia piorar. Nas partes mais pesadas, não dava para entender praticamente nada, só um monte de graves com uns agudos doídos no meio. Vou deixar para avaliar melhor em uma próxima oportunidade, com um som melhor. Confira o MySpace dos caras aqui.

Ilustra

O Ilustra toca em praticamente todo show pesado da cidade. A galera da banda se movimenta mesmo, sempre organizando shows, e participando sempre que pode. Por isso, perdi a conta de quantos shows do Ilustra eu vi. Nunca fui muito fã do estilo, mas esse foi, sem dúvidas, o melhor show que já vi deles. As mudanças recentes na formação só fizeram a banda crescer – o guitarrista Ian manda muito melhor nos vocais melódicos que o vocal anterior. Mesmo com os problemas no som, conseguiram fazer o show com peso e agressividade, mas sem soar como cópia de ninguém. Destaque para a última música, “Dedicado à Tempestade Que Ficou Para Trás”. Ouça aqui.


Granada


Passava de 1h30 da manhã quando a banda mais esperada da noite subiu ao palco. Foi a primeira vez que o Granada veio a Brasília depois da saída do vocalista (e principal compositor) Yuri Nishida. O público já estava na mão da banda, e se animou logo na primeira música. Como a banda trouxe equipamento próprio, o som melhorou nitidamente – apesar de muito longe da perfeição. O show fluiu bem, com instrumental coeso. O novo vocalista, Zeh Nery (que era baixista antes da saída de Yuri), não decepcionou, e cantou muito bem. Além de músicas já conhecidas dos dois primeiros discos (“Terceiro Capítulo” e “Diária.Mente”), tocaram músicas do próximo álbum, “Equilíbrio”, que sai pela Som Livre ainda em 2010. O público cantou, aplaudiu, invadiu o palco e – não entendi muito bem porquê – chegou até a ameaçar um mosh pit em algumas músicas.


Como nunca tinha visto um show do Granada antes, vou me abster de comentar sobre a troca de integrantes (pelo o que eu pude ouvir dos CDs dos caras, não perdeu muito não, pra ser sincero). Não sei se era o cansaço – o show acabou depois das 3h da manhã -, mas o show, apesar de sem erros ou riscos, não me impressionou. As músicas me lembraram muito do Hoobastank, que antes da balada noveleira “The Reason” tocavam um som mais pesado (alguém aí lembra de “Out Of Control” e “Crawling In The Dark”? A maior parte do público, que em 2001 devia ter entre 8 e 10 anos, não deve ter idéia do que estou falando). No fim da noite, o Granada com certeza agradou todos os seus fãs com um show competente, mas dificilmente conquistou quem não gostava. Escute o novo single da banda aqui.


* Crédito das fotos: Carlos, do site www.vidacandanga.webs.com