
O Boletim dos Cientistas Atômicos anunciou nesta terça-feira (27) um novo ajuste no chamado Relógio do Fim do Mundo, que passou a marcar 85 segundos para a meia-noite, o ponto simbólico que representa a aniquilação global. É a marca mais próxima já registrada desde a criação do indicador, em 1947, e significa um avanço de quatro segundos em relação ao ano anterior.
De acordo com a organização (via CNN Brasil), a decisão reflete o aumento dos riscos globais, especialmente no campo nuclear. O grupo aponta o comportamento das principais potências atômicas, Estados Unidos, Rússia e China; o enfraquecimento de tratados de controle de armas e a ausência de avanços diplomáticos como fatores centrais para o novo alerta.
Os cientistas também citaram conflitos armados atuais, como a guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio, além de confrontos em outras regiões do mundo. Segundo o Boletim, essas disputas ocorrem sob a presença ou a ameaça direta do uso de armas nucleares, o que eleva o potencial de escaladas imprevisíveis.
Fim do mundo e a inteligência artificial
Outro ponto destacado no anúncio foi o avanço acelerado da inteligência artificial, tratado como um risco adicional quando combinado à instabilidade política e militar. A entidade afirma que tecnologias emergentes, sem governança adequada, podem ampliar ameaças já existentes e criar novos desafios à segurança global.
A presidente e CEO do Boletim, Alexandra Bell, afirmou que o ajuste do relógio reflete uma falha generalizada de liderança internacional. Para ela, o risco de uso de armas nucleares permanece em um patamar considerado inaceitavelmente alto, diante do colapso ou da fragilização de estruturas diplomáticas, do crescimento das preocupações com proliferação e da possibilidade de retomada de testes nucleares.
Fundado em 1945 por cientistas envolvidos no Projeto Manhattan, como Albert Einstein e J. Robert Oppenheimer, o Boletim dos Cientistas Atômicos utiliza o relógio como um alerta simbólico ao público e a líderes mundiais sobre ameaças existenciais à humanidade. Esta é a terceira vez, nos últimos quatro anos, que o indicador é ajustado para mais perto da meia-noite.