
Veja o resumo da notícia!
- O retorno do RANCORE após 15 anos de hiato com o álbum BRIO, impulsionado por um reencontro orgânico e a urgência de viver o presente.
- A música 'EU QUERO VIVER' como um grito de sobrevivência, nascida em um momento de espera e luta pela vida, refletindo o renascimento da banda.
- BRIO como um disco de consagração, resultado de anos de busca e entrega, explorando dualidades e tensões da existência com profundidade.
- O reencontro do RANCORE em 2023, impulsionado pelo apoio dos fãs e shows esgotados, culminando em uma turnê e apresentações importantes.
O RANCORE construiu uma discografia marcante. Ainda assim, a banda carrega algo maior: a necessidade de fazer sentido no presente. Nesse contexto, depois de anos em silêncio, e de um reencontro que cresceu de forma orgânica, a banda chega a um momento decisivo, em que passado e futuro se encostam, mas não se confundem.
Diante disso, o primeiro grito de “EU QUERO VIVER” não nasce do impulso, nem da celebração vazia. Pelo contrário, ele surge da urgência; da vida em suspensão e de um RANCORE que, agora, volta a bater com o coração acelerado e a convicção de quem sabe exatamente por que está aqui.
A partir daí, a faixa marca o início oficial dos trabalhos de BRIO, quarto álbum de estúdio da banda de rock alternativo, que chega no mês de Abril, além de representar o primeiro lançamento completo do grupo quinze anos após Seiva, um dos discos mais emblemáticos da cena independente brasileira e eleito pelo TMDQA! como o melhor daquele ano no país. Antes disso, o quinteto já havia sinalizado movimento com as músicas “Pelejar” e “Quando Você Vem”, lançadas em formato de EP no ano passado. Agora, o reencontro ganha contornos definitivos.
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Um grito que nasce da vida real
“EU QUERO VIVER” carrega uma origem concreta. Nesse sentido, o vocalista e compositor Teco Martins conta que a música foi escrita enquanto aguardava notícias na fila de uma UTI. Enquanto isso, do outro lado, alguém muito próximo lutava pela vida.
“Eu escrevi essa música numa madrugada fria, na fila de espera de uma UTI, enquanto uma pessoa que amo muito estava lutando pela vida”, relembra. “O RANCORE voltou de um coma de 15 anos, quando nem nós mesmos acreditávamos que isso era possível.”
A metáfora não é gratuita. Para Teco, o retorno da banda também se assemelha a esse despertar improvável. Ele conta:
O pulso cardíaco da banda voltou a bater, cada vez com mais força, com mais vontade de viver, até que conseguimos fazer esse que, com certeza, é o melhor álbum da nossa história.”
Além disso, definida pelo vocalista como um grito de sobrevivência, a música traz um detalhe na letra que, segundo ele, é central: a palavra “hoje”. Não como recurso poético casual, mas como escolha existencial.
“Viver o presente é um dos maiores desafios da existência humana”, explica. “Talvez seja a única forma de conseguirmos lidar com as variadas situações que a vida nos propõe.”
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Ao longo do processo, Teco admite que pensou em desistir algumas vezes de criar BRIO. Ainda assim, algo manteve a banda em movimento.
“Não foi fácil, mas algo mais forte nos manteve nesse propósito e, quando algo desafiador se apresentava, a única forma de tínhamos de conseguir decifrar aquele enigma para sobrevivermos era optar pelo ‘hoje’: ‘hoje eu quero viver’, até resolvermos a equação e irmos para o próximo passo”. Por fim, Teco conclui: “o que nos cabe é sobrevivermos ao hoje, o ontem já foi, e o amanhã é outra conversa que a gente nem faz ideia do que vem”.
De Seiva a BRIO, quinze anos depois
Quinze anos separam Seiva de BRIO. Nesse intervalo, o RANCORE entrou em hiato, os integrantes viveram outras rotinas, outras cidades, outros países. Ao mesmo tempo, os integrantes seguiram fazendo música, ainda que em outros contextos.
“Cada um de nós viveu situações muito distintas”, conta Teco. “Mas algo que coincidiu nas nossas jornadas fora da banda é que nós cinco nos mantivemos fazendo música.”
Essas experiências atravessam o novo disco. “Trouxemos todas essas vivências pessoais e influências musicais para esse álbum, com muito mais maturidade e discernimento de como gostaríamos de soar”, diz. “Esse tempo longe da banda também fez com que olhássemos com mais entusiasmo essa nova oportunidade de fazermos música juntos.”
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Se Seiva olhava para dentro, para raízes e ciclos, por outro lado, BRIO se constrói a partir de tensões. O disco flerta com opostos complementares e com a dualidade da própria existência.
“Frio e calor, vida e morte, céu e chão”, enumera Teco. “Não foi algo pensado desde o início, mas quando chegamos ao final do processo, percebemos esse fio narrativo que une as canções.”
Por outro lado, a procura com o novo disco nunca foi simplificar. Em vez disso, a banda optou por profundidade, camadas e verdade. Teco comenta:
Em nenhum momento subestimamos o nosso público ou buscamos fazer algo mais facilmente digerível. Fizemos arte com o coração pulsando forte, um disco com muitas camadas, muita profundidade e muita verdade. onde cada vez que você escutar, vai perceber um detalhe que antes tinha passado batido. Meu conselho pra quando lançar é: antes de dar seu veredito, ouça algumas (várias) vezes”.
Disco de consagração
Para além do retorno, Teco enxerga BRIO como um álbum de consagração, não apenas de retorno às atividades. É um trabalho que sintetiza anos de busca, tentativa e entrega absoluta.
“Sinto que o ofício do artista é ser uma espécie de caça-tesouros”, reflete. “Você procura, vira do avesso, escreve, reescreve, chora, ri, se frustra, tenta de novo, se entrega de corpo e alma pra fazer do verbo um substantivo que, em algum momento, se sua antena estiver bem conectada, você capta alguma informação valiosa que vale a pena ser eternizada em um fonograma”.
Segundo ele, BRIO é o resultado direto desse processo. “É um compilado de informações valiosíssimas e repleto de milagres de estúdio.”
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O disco também marca um encontro de forças. A produção ficou nas mãos de Guilherme Chiappetta, que já havia trabalhado com a banda em Liberta (2008) e Seiva (2011), ao lado de Daniel Pampuri, também responsável pela mixagem de BRIO em um dos estúdios mais renomados de Hollywood.
“Montamos o time que sempre sonhamos para essa missão; equipe pesadíssima lutando com unhas e dentes por esse projeto, e ninguém encarando como ‘mais um trampo’, mas sim como um projeto de vida, de entrega total”, resume.
RANCORE volta com força
Durante o hiato, o RANCORE nunca deixou de existir completamente. Enquanto isso, movimentos espontâneos nas redes sociais como “meu RANCORE tá vivo” e “#VOLTARANCORECOMFORÇA” mantiveram a chama acesa. Até que, em 2023, o reencontro deixou de ser desejo e virou ação.
“Foi um movimento repentino, como um vulcão entrando em erupção”, conta Teco, ao lembrar do convite para se apresentar solo em um festival, onde sugeriram que ele tocasse alguns clássicos do RANCORE, e da sequência de encontros que se seguiram. Ele detalha:
“Topei e achei de bom tom convidar alguém da banda pra fazer uma participação. Primeiro chamei o Alê [bateria] e o Caggegi [baixo], ambos toparam na hora. Então liguei pro Gulão [guitarra] e ele fechou também. O Candinho [guitarra] ainda morava na Alemanha (já estava lá há 10 anos) e, mesmo tendo a certeza que ele não viria, senti que seria legal convidá-lo: ele topou!”
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A resposta do público foi imediata. Em 2023, os primeiros shows de reunião tiveram ingressos esgotados, datas extras abertas às pressas, sites fora do ar devido à alta procura e uma turnê que cresceu de forma inesperada. “Em uma semana fizemos cinco shows, todos com ingressos esgotados”, relembra. “A conexão público-banda estava na mais altíssima frequência. Shows catárticos.”
Quando o reencontro virou chamado
Já em 2024, esse movimento ganhou outra dimensão. O que começou como uma turnê enxuta, com sete apresentações, se transformou em 33 shows pelo Brasil, incluindo uma passagem por um dos palcos principais do Lollapalooza Brasil.
Dessa forma, os shows deixaram de ser apenas reencontros e passaram a funcionar como um chamado. Teco comenta:
Nos reconectar com essa energia que o RANCORE tem ao vivo, essa conexão com a galera vibrando junto, depois de termos vivido tantas outras coisas longe de tudo isso, mexeu muito com nossas estruturas. Não tem como não se emocionar com o nosso público. Só quem já viveu um show do RANCORE sabe como é. Ninguém ali está pela metade, a entrega é total. Ao longo dos shows, nós cinco sentimos que esse reencontro não era por acaso e que isso merece sim toda nossa atenção e presença nesse momento.”
Além dos fãs leais, o retorno do RANCORE atraiu um público mais jovem, algo que surpreendeu a própria banda.
“Ver como a geração mais nova se conecta com a essência da nossa banda nos empolga muito”, afirma Teco. “A música tem o poder de unir as pessoas. O público do RANCORE é muito heterogêneo e isso é uma riqueza inefável.”
O melhor momento da banda
Musicalmente e emocionalmente, Teco não hesita ao definir o presente: “De longe, esse é o nosso melhor momento como banda, em todos os quesitos.”
Segundo ele, o grupo superou uma das fases mais delicadas da trajetória, que é compor e produzir um material novo em que todos acreditam. Agora, a expectativa se volta para o encontro definitivo com o público:
Não vemos a hora de compartilhar esse disco com o mundo e cantar olho no olho, coração com coração, essas nossas músicas, honrando cada pessoa que pulsa conosco e cada gota de suor, sangue e lágrimas que derramamos pra chegarmos até aqui.”
Ao ser questionado sobre o que espera que as pessoas sintam ao ouvir BRIO pela primeira vez, Teco responde sem rodeios. Uma palavra basta: “BRIO.”
Nesse contexto, o RANCORE chega a BRIO com o coração exposto. Mais do que um retorno, “EU QUERO VIVER” é afirmação. Assim, a banda escolhe o presente como território e transforma o reencontro em ponto de partida.
RANCORE – “EU QUERO VIVER”
Abaixo, confira a capa do single, a letra completa e o visual de “EU QUERO VIVER”, disponível também para audição em diversas plataformas digitais.
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(Música: RANCORE / Letra: Teco Martins)
A morte se aproxima!
Qual é o convite?
Quem me chama pra sair?
Hoje eu quero viver: o brilho dessa luz que não se apaga
Hoje eu quero viver!
Luz que nunca se apaga
O brilho dessa luz que não se apaga
Hoje eu quero viver!
Era uma prisão mental, naquela cela, quem estendeu a mão, quem me chamou pra sair;
enquanto eu caminhava pelo vale das sombras
enquanto eu caminhava pelo vale das sombras
Quem clareou as trevas pelo vale das sombras
Na língua, na pele, hoje eu quero viver!
O brilho dessa luz que não se apaga
Luz que nunca se apaga
O brilho dessa luz que não se apagará
Hoje eu quero viver; hoje eu quero viver!
na língua, na pele, hoje eu quero viver;
Hoje eu quero viver; hoje eu quero viver!
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