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O Spotify e as três maiores gravadoras do mercado fonográfico, Universal Music Group, Warner Music Group e Sony Music Entertainment, entraram com um processo conjunto contra o Anna’s Archive, acusando a plataforma de violação massiva de direitos autorais.

A ação judicial estima um prejuízo de R$67 trilhões, com base na suposta cópia e distribuição ilegal de 86 milhões de arquivos de música, o que equivaleria a quase R$800 mil por arquivo.

Segundo o processo, o Anna’s Archive estaria por trás do que as empresas descrevem como o “roubo descarado de milhões de arquivos contendo praticamente todas as gravações sonoras comerciais do mundo”.

A plataforma, anteriormente conhecida como “Pirate Library Mirror”, confirmou no mês passado a intenção de criar o que chamou de “primeiro arquivo de preservação de música do mundo”, disponibilizado por meio da tecnologia BitTorrent.

De acordo com informações publicadas pela Billboard, o grupo teria copiado 256 milhões de linhas de metadados de faixas e 86 milhões de arquivos de áudio, com o objetivo de distribuí-los em redes P2P.

O Anna’s Archive, no entanto, nega as acusações de pirataria e afirma que não hospeda diretamente os arquivos, funcionando apenas como um indexador de conteúdos disponíveis em redes descentralizadas.

Spotify se junta a gravadoras em processo contra cópias ilegais

O Spotify reagiu publicamente às atividades do grupo, classificando-o como “nefasto” e acusando-o de envolvimento em coleta ilegal de dados. Em comunicado oficial, a empresa reforçou que adota políticas rígidas de proteção à propriedade intelectual e que investe continuamente em sistemas de segurança para evitar ataques contra direitos autorais.

Segundo o maior serviço de streaming de música no mundo, novas medidas foram implementadas recentemente para monitorar e coibir comportamentos suspeitos (via NME):

“Desde o primeiro dia, estamos ao lado da comunidade artística na luta contra a pirataria e trabalhamos ativamente com nossos parceiros da indústria para proteger os criadores e defender seus direitos.”

O processo foi protocolado em 26 de dezembro de 2025 e as gravadoras, junto com o Spotify, solicitaram uma liminar para impedir o funcionamento da plataforma até que a questão se resolva.

Como o Anna’s Archive não apresentou resposta dentro do prazo estipulado pelo tribunal, a liminar foi concedida em 20 de janeiro pelo juiz Jed S. Rakoff, e a decisão judicial determinou que provedores de hospedagem e registros de domínio desativassem o acesso a diversos endereços ligados ao grupo.

Até o fechamento da reportagem, o Anna’s Archive não havia se manifestado publicamente sobre o processo ou sobre a ordem judicial.

Spotify também está envolvido em outras polêmicas

Vale lembrar que o episódio não é o único a colocar o Spotify no centro de controvérsias recentes. No final de 2025, a empresa foi alvo da campanha Spotify Unwrapped, que defendia um boicote ao serviço.

A iniciativa criticava a presença de músicas supostamente geradas por inteligência artificial e a veiculação de anúncios do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) dentro do aplicativo.

A campanha foi organizada por três grupos de base, 5050 Movement, Indivisible Project e Working Families, também responsáveis pelos protestos “No Kings”, realizados nos Estados Unidos no início do ano. As críticas levantaram questionamentos sobre os critérios editoriais e publicitários da plataforma, bem como sobre sua responsabilidade social.

Além disso, o Spotify, que atualmente soma mais de 700 milhões de usuários ativos, enfrenta críticas recorrentes relacionadas ao modelo de remuneração dos artistas, com diversos músicos apontando que os valores pagos por streaming são insuficientes para sustentar suas carreiras.

Um exemplo recente é a banda Los Campesinos!, que divulgou publicamente seus ganhos com a plataforma e reacendeu o debate sobre a sustentabilidade econômica do streaming musical.

Importante a discussão, né?

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