
Faixas lançadas há mais de duas décadas por Aphex Twin voltaram a circular intensamente nas redes sociais, impulsionadas principalmente pelo TikTok. O movimento reposicionou o produtor britânico no consumo digital e chegou a refletir em métricas expressivas: em determinado momento recente, o artista ultrapassou Taylor Swift em número mensal de ouvintes no YouTube Music.
A principal responsável por esse crescimento é “QKThr”, faixa instrumental do álbum Drukqs (2001). Curta e atmosférica, a música passou a ser usada em milhões de vídeos, aparecendo tanto em conteúdos cotidianos quanto em trends baseadas em ironia, melancolia e “subtle foreshadowing”. A recorrência do uso ajudou a ampliar o alcance do catálogo do artista entre usuários mais jovens.
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Outras músicas também voltaram a circular com força, como “Avril 14th”, “Flim” e “Pulsewidth”. Essas faixas aparecem com frequência em vídeos que exploram nostalgia, colagens visuais e contrastes emocionais, formatos comuns na linguagem da geração Z nas plataformas de vídeo curto.
Para músicos e analistas de cultura digital (via The Guardian), o apelo passa pela estrutura pouco convencional da obra de Aphex Twin. Ritmos irregulares, ausência de narrativas claras e mudanças abruptas criam um pano de fundo que não compete diretamente com a imagem ou o discurso do vídeo, funcionando como elemento atmosférico em vez de protagonista.
O interesse renovado também é alimentado pela figura pública do artista. Diferente de nomes centrais do pop contemporâneo, como a própria Taylor Swift, Aphex Twin mantém uma postura distante, com poucas aparições públicas e uma discografia que circula sem contextualização direta.
Vida longa!