St. Vincent em 2024
Divulgação

Annie Clark, mais conhecida como St. Vincent, lançou um de seus trabalhos mais incríveis recentemente.

All Born Screaming é o sétimo álbum da carreira da artista e traz uma mistura de Rock com reflexões profundas de uma artista em constante mutação. Com elementos de Rock Industrial, Art Pop, Rock Progressivo e uma boa dose de experimentalismo, a artista não tem medo de ousar e misturar eletrônico com guitarras.

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O disco conta ainda com parcerias importantes, como Dave Grohl na sensacional “Flea”, e você pode conferir neste link a nossa resenha completa sobre o sucessor do também aclamado Daddy’s Home, de 2021.

Em uma entrevista realizada via Zoom, tivemos também a oportunidade de conversar um pouco com Annie sobre o projeto e tudo que o envolve. Confira na íntegra logo abaixo!

TMDQA! Entrevista St. Vincent

TMDQA!: Olá Annie, tudo bem?

Annie Clark/St. Vincent: Tudo bem e você?

TMDQA!: Tudo certo, estou falando com você diretamente de São Paulo e sou do TMDQA! – Tenho Mais Discos Que Amigos (explica a tradução do site).

St. Vincent: (Rindo) Adorei o nome! E eu amo São Paulo!

TMDQA!: Que legal saber! E eu acho que All Born Screaming vai ser um grande amigo de muitas pessoas, tenho certeza disso!

St. Vincent: Ah, muito obrigada!

TMDQA!: Mas me conta, eu ouvi dizer que você pensa nesse nome desde que você tinha 23 anos, certo?

St. Vincent: Sim, verdade!

TMDQA!: E por que demorou tanto tempo pra ser lançado?

St. Vincent: (rindo) Olha, eu acho que eu não tinha vivido o suficiente com 23 anos para ter um álbum com esse título. E as músicas desse álbum… elas tomaram um tempo para se revelarem, sabe? E esse foi o tempo que levou. Tempo para eu desenvolver o conceito. E eu sinto isso dentro de mim, ao invés de algo simplesmente teórico, sabe?

Todo nós nascemos gritando [“all born screaming”, em tradução livre], temos uma vida curta, então vamos nessa!

TMDQA!: E dessa vez, St. Vincent vai para um caminho mais dark, mais profundo. Não que você nunca tenha feito isso antes, mas você consegue encontrar alguma luz nessa escuridão, durante seu processo de criação?

St. Vincent: Olha, a maior ironia de fazer música é que na maior parte das vezes é muito legal fazer música. Para mim, cada disco que eu faço, eu quero que seja não apenas diferente, mas melhor que o último que eu fiz. E melhor, para mim, significa ir mais fundo. Ir mais fundo internamente. E sim, esse álbum tem momentos muito pesados e sem amarras, como nas faixas “Broken Man” ou “Reckless”.

É claro que nós temos essas forças destrutivas dentro de nós e temos que lidar com isso, mas também há muita beleza e um monte de razão para viver.

TMDQA!:  Olha, falando agora não só como um entrevistador, mas como alguém que ouviu seu álbum e ficou prestando atenção, nós podemos sentir isso, sabe? Esse projeto é muito bom e a gente fica refletindo, dá para sentir e pensar nesses momentos todos.

St. Vincent: Que bom saber, obrigada!

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TMDQA!: E esse projeto tem muitas participações incríveis, né? Eu vi o vídeo com você super animada com o Dave Grohl tocando bateria na faixa “Flea”. Foi tão legal ver sua euforia e animação! Você consegue descrever esse sentimento? E eu posso estar errado, mas tem muito do grunge, tem guitarras, tem muito de Nirvana. Eu tô errado?

St. Vincent: Olha, com certeza [não está]. Eu não estaria tocando se não existisse Nirvana. Essa banda sempre vai estar perto do meu coração. Mas sim, Dave Grohl é um ótimo baterista porque ele é um ótimo compositor e músico. Ele só entra e leva. Ele entrega a música, mas quando ele a entrega, ele a amplifica em 2 milhões de vezes.

Nós somos amigos faz tempo, desde que eu participei da homenagem do Nirvana ao Rock and Roll Hall of Fame (em 2014) e ele é o mais legal, o melhor, com a melhor vibe…

TMDQA!: Eu imagino, ele é um cara ótimo! Como pessoa e como artista, ele parece ser incrível. Continuando nosso papo sobre as outras participações, eu quero saber sobre as outras 2 mulheres no projeto, Stella Mozgawa e Cate Le Bon. Elas são incríveis também e eu gostaria de saber o quão importante foi contar com elas para atingir a sonoridade que você buscava nesse álbum.

St. Vincent: A Stella é uma das minhas melhores amigas e uma das minhas pessoas favoritas de todos os tempos, e eu meio que a trouxe em um momento que eu estava completamente envolvida e focada em realizar esse álbum. E a Cate veio num momento e falou, “Você é maluca, mas não é tão maluca; continue”! Ela está na minha lista de melhores compositoras e musicistas de todos os tempos. Ela é uma produtora incrível.

Olha, apenas faça arte com os seus amigos, faça coisas legais com seus amigos que você ama, é uma boa maneira de viver.

TMDQA!: Olha, Annie… durante toda nossa conversa, a gente tem falado sobre relacionamentos e relações pessoais. É um trabalho no qual você já vem pensando faz um bom tempo, com amigos e participações incríveis e que vem de um local bem profundo e particular, em um espaço bem pessoal, bem humano.

E como você sabe, nós estamos em um momento que todo o mundo está falando sobre inteligência artificial, e eu acho que a inteligência artificial nunca conseguiria fazer esse trabalho. Qual sua opinião sobre esse assunto? Muita gente se questiona e se pergunta sobre qual o futuro da inteligência artificial, diz que ela vai nos tornar obsoletos… o que você acha sobre isso em relação a arte?

St. Vincent: Olha, eu acho que a I.A. só sabe o que já existe atualmente. Eu acho que é necessário ter um artista para inventar o que é novo.

Eu estou menos preocupada com a I.A. tomar meu trabalho ou coisa do tipo; eu estou mais preocupada é com artistas que acabem se parecendo com inteligências artificiais.

TMDQA!: Eu acho isso incrível e concordo com você! A I.A. nunca ia proporcionar momentos como esse em que a gente tá conversando por aqui, essas interações pessoais. Muito obrigado pela conversa e pelo seu tempo!

St. Vincent: Sim, é verdade! Muito obrigada pela entrevista, adorei! Você foi super gentil, tenha um bom dia!

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