Foto por: Lucas Raion
Foto por: Lucas Raion
 

Diretamente de Feira de Santana (BA), a cantora e compositora Rachel Reis lançou no último dia 30 de Abril o seu primeiro EP Encosta. O material chega numa realização em conjunto com o produtor musical Zamba (direção criativa do grupo ÀTTØØXXÁ) e também com Cuper, que é compositor, produtor, guitarrista e cantor.

Rachel vem de uma família de músicos e seu primeiro contato com o palco foi assistindo a uma das apresentações de seresta da sua mãe. Em um primeiro momento, ela sentia que esse universo não era muito a cara dela:

Eu achava aquilo incrível, a gente ficava nos palcos com ela, só que eu não tinha essa vontade porque achava que não era pra mim. Sempre tive muita vergonha de me colocar nessa posição de destaque.

Apesar da timidez, ela acabou entrando nesse universo com forte insistência de pessoas próximas. Depois de algum tempo e de certa coragem, começou a se apresentar em bares locais. No entanto, chegou um momento em que essas apresentações já não faziam tanto sentido. Foi quando ela percebeu que precisava compor e cantar faixas que fossem suas.

Seus dois primeiros singles estrearam em 2020, em conjunto com o compositor, produtor e cantor Barro. Agora Rachel estreia seu primeiro EP e já começa a imaginar o momento que fará seu primeiro show com repertório autoral.

Conversamos com a cantora e compositora para falar da sua estreia. Confira abaixo!

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TMDQA! entrevista Rachel Reis

TMDQA!: Como começou a sua relação com a música? 

Rachel Reis: Desde pequeninha, minha casa sempre foi essa estrutura de uma família musical, minha mãe era cantora de seresta aqui na minha cidade. Eu achava aquilo incrível, a gente ficava nos palcos com ela, só que eu não tinha essa vontade porque eu não achava que era pra mim, sempre tive muita vergonha de me colocar nessa posição de destaque.

Depois de um tempo, as pessoas mais próximas me incentivaram muito, eu acabei fazendo “barzinho”, só parei quando entrei no mundo das músicas autorais. Eu percebi que o que estava me incomodando era não cantar coisas minhas, eu tinha essa necessidade de compor também.

TMDQA!: Os dois singles que você lançou em 2020 foram um trabalho em conjunto com o artista Barro, né? Conta um pouco dessa parceria entre vocês.

Rachel Reis: Eu já conhecia o som de Barro antes, e chegou um momento que ele me seguiu no Instagram, em 2018. Eu não acreditei e mandei mensagem pra ele. Começamos a conversar muito, ele falou que estava começando a abrir o selo dele, eu mostrei um trechinho de “Ventilador” e ele se apaixonou. Em 2019 eu fui pra Recife, a gente gravou esse primeiro single, depois “Sossego”, e aí foi andando…

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TMDQA!: Já no caso do EP, como foi criar com o Zamba e o Cuper? Para levantar essa ideia vocês três partiram de um ponto em comum? 

Rachel Reis: O Bruno tava desenvolvendo um beat junto com o Cuper (eles já eram amigos), e aí nessa que ele desenvolveu esse beat, ele falou “isso aqui lembra a voz de Rachel” aí ele entrou em contato comigo.

Depois que ele mandou o beat pra mim, eu juntei a letra, aí a gente começou. Seria só essa música, mas aí trouxemos mais coisas, até que já tinha material pra um álbum inteiro. Demos uma segurada e pensamos em lançar o EP… quando vimos, o projeto já tava armado!

TMDQA!: Você mencionou que esse EP é uma “homenagem à Bahia”. Foi uma tentativa de juntar ritmos ditos regionais com batidas mais contemporâneas, desconstruindo estereótipos? 

Rachel Reis: Essa coisa da homenagem à Bahia, quando a gente finalizou e foi olhar a sonoridade, tinha um arrocha no meio, um pagodão, mas não ficou nada estereotipado, sabe?

Não tem esse estereótipo também, porque entra o beat de Bruno Zambelli, ele já é um cara que sai do padrão, ele tem um som de guitarra meio caribenha… E quando a gente viu que tinha toda essa mistura, falamos “vamos dizer que esse EP é uma homenagem à Bahia”.

TMDQA!: Parece que o seu som tava até no radar da Taís Araújo. Explica pra gente essa história.

Rachel Reis: A Taís Araújo sempre foi aquela pessoa que eu via na TV, alguém que me representava desde pequena. E aí uma prima minha me mandou mensagem no Whatsapp “acho que a Taís tá ouvindo a sua música” fui no Instagram dela, nisso ela tava se maquiando e ouvindo “Ventilador”.

Aí eu compartilhei nos meus Stories “gente, Taís tá ouvindo minha música. Sério?” e ela foi lá e respondeu “sério! Inclusive, eu amo muito” e me seguiu no Instagram. Até hoje eu não acredito que ela ouviu minha música e compartilhou desse jeito.

TMDQA!: Você tem um gingado na interpretação que leva a gente junto na dança na hora de ouvir, é muito pop, dá pra se identificar muito com o que você canta. Será que podemos esperar um novo nome da “sofrência pop”? 

Rachel Reis: O pessoal me fala muito “quando você vai fazer uma sofrência, uma música triste?” e eu fico “calma, gente, uma hora sai”. Eu fico me esquivando dessa parada da música mais triste, por conta do “barzinho” (era muito pra baixo).

E aí quando eu entrei nessa das composições autorais, eu comecei a fazer uma coisa mais pra cima. Eu fico pensando pra onde é que eu vou, quais vão ser os meus caminhos… E eu espero muito que sejam caminhos bons.

TMDQA!: Você estreou na carreira solo agora na quarentena, então ainda não teve a chance de fazer um show além do “barzinho”, ou seja, com repertório autoral. Como você imagina seu primeiro show pós-pandemia? 

Rachel Reis: Meu sonho é focar em festivais, e não só no Brasil, no mundo todo. Eu ainda não consigo me ver nisso, porque eu acho que pra isso acontecer eu tinha que ter uma quantidade boa de pessoas que gostam da minha música, e eu não vejo isso agora. Mas eu torço muito pra que role, viu.

 
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