Amy Lee, do Evanescence
 

A espera está quase acabando para os fãs do Evanescence, já que o novo disco The Bitter Truth está marcado para chegar ao mundo nesta sexta-feira, 26 de Março.

Quinto trabalho de estúdio da banda comandada por Amy Lee, o álbum já teve ótimas prévias com canções como “Use My Voice” e “Wasted on You” e, pelo que parece, as faixas também dão o tom da obra no que diz respeito à intenção do grupo de trazer “esperança, empoderamento e força”.

Em novo comunicado que acompanha o lançamento do disco, a vocalista escreveu uma longa “biografia” de The Bitter Truth e explicou tudo isso. Você pode conferir abaixo (via Blabbermouth).

Amy Lee explica novo disco do Evanescence

Quando nós decidimos fazer nosso novo disco, ‘The Bitter Truth’, nós não tínhamos ideia da dor e das dificuldades que o mundo iria logo enfrentar. Enquanto o planeta sofria com as tragédias da COVID, injustiças raciais e agitação econômica, minha banda e eu lidávamos com o luto de nossas próprias perdas, o falecimento inesperado do meu irmão, a repentina perda de um filho pela família do Tim [McCord, baixista] e a perda virtual da nossa guitarrista Jen [Majura], que está literalmente ilhada na Alemanha, impedida de viajar para gravar conosco pessoalmente no estúdio.

De alguma forma no meio de todos esses desafios, um tema começou a emergir para nós como banda. Seguir em frente é melhor do que desistir.

Depois de uma turnê extensa do nosso álbum orquestrado ‘Synthesis’, nós sabíamos que queríamos fazer novas músicas. Entre shows durante 2019, nós tiramos um tempo para criar juntos. Alguns dias na minha casa, uma semana na floresta, só usando o nosso tempo juntos da melhor forma e nos empolgando com as sementes que começavam a crescer. Ao final daquele ano, nós tínhamos a base de diversas novas músicas e o início de muitas outras. Depois de gravar quatro músicas com nosso velho amigo e produtor Nick Raskulinecz no seu estúdio em Nashville no início do ano passado, nós sabíamos que queríamos fazer tudo isso juntos. A energia e a criatividade era elétrica. Aí, de repente, a COVID parou tudo. A pandemia virou o mundo de cabeça pra baixo, forçando o álbum a ser feito esporadicamente, e às vezes separadamente, durante todo 2020. Nós tivemos que pensar criativamente sobre como fazer praticamente tudo a partir daquele ponto. Quase como se fosse a primeira vez. Nunca houve um questionamento, no entanto, sobre não continuar.

Nós tínhamos algo especial naquela sala quando nós gravamos aquelas primeiras quatro músicas e elas nos carregaram através do ano passado. Foi um grande salto de fé seguir em frente com o álbum e não esperar ou segurar ou ter qualquer certeza sobre quando estaríamos juntos novamente, mas nós só sabíamos que queríamos lançar nossas músicas e conectar com nossos fãs. Nós precisávamos dessa conexão, talvez mais ainda do que nossos fãs precisam de nós. Nós queríamos ser algo no mundo que não era uma decepção entre tantas outras más notícias. Nós queríamos ser parte da prova de que a vida seguiria em frente.

Eu nunca quero que nós continuemos nos repetindo e eu gosto de permitir liberdade total no processo criativo, então nós começamos a experimentar com o que parecesse bom, levando às vezes a níveis inteiramente novos, simplesmente tudo vindo de um lugar real, honesto a partir do amor pela música — nada estava além do limite. Mas todos esses shows de Rock que nós vínhamos tocando nos últimos anos realmente fortaleceram as raízes da banda, e esse som e energia foi catártico. Eu sou quem eu sempre fui. Mais uma vez de frente com a escuridão, eu estou escrevendo para curar. Então aqui estamos, naturalmente, fazendo um capítulo novíssimo e incendiado da história que todos amamos. Essa bela verdade foi reconfirmada para mim — não era só uma fase da primeira vez, e eu não estava perdendo meu tempo. Esses sons vêm do meu coração quando eu estou sendo honesta e eu estou fazendo música que parece uma reflexão de mim mesma. Estou orgulhosa e grata de ainda ter minha banda depois de tudo que passamos e tudo que eu passei. Por mais que esse álbum seja uma evolução, também parece um ciclo completo.

O título, ‘The Bitter Truth’ [‘A Verdade Amarga’], fala em um nível ao mundo que vivemos hoje, na crença de que precisamos enfrentar a realidade, sem se importar com quão feia ou difícil ela é, para que possamos seguir em frente. Mas há também um paralelo interno: não há como existir cura sem primeiro enfrentar a dor. A verdade amarga, para mim, é que a vida é curta e a escolha é que eu não vou desperdiçá-la. Nossa mortalidade está fresca em nossas mentes. Isso virou combustível para o nosso fogo depois da pandemia, do lockdown, através de 2020 enquanto fazíamos esse álbum. Nós decidimos que não iríamos deixar nada nos parar. Nós não iríamos esperar até que o mundo se consertasse. Nós iríamos colocar todo o nosso foco em terminar o álbum que começamos. Encontrar novas formas de seguir em frente, fazer nossos próprios vídeos, o que fosse preciso. Esses tempos têm sido difíceis, mas ter a música tem sido uma válvula de escape incrivelmente revigorante para mim e para todos nós na banda. Foi um lugar para despejar nossas frustrações, nossa raiva, nosso luto e nosso amor para criar um mundo sob o qual nós tínhamos algum controle.

Agora para algumas coisas típicas de biografia: Eles me disseram que nosso primeiro álbum, ‘Fallen’, é um dos 5 álbuns mais vendidos do século 21, e o mais vendido por uma banda no geral e por um artista de Rock no geral, se é que isso importa. Nós ganhamos dois Grammys e conquistamos um dos maiores números de seguidores nas mídias sociais entre qualquer artista musical (obrigada, pessoal!). Alguém escreveu que nosso single ‘Bring Me to Life’ tem sido um ‘padrão da cultura pop’ pelas últimas duas décadas. Ainda é totalmente estranho para mim quando surge nos alto-falantes no supermercado. Essas conquistas e elogios são legais mas o que é mais importante para mim é que a nossa música continua a inspirar as pessoas a criarem coisas. Escritores escreveram livros inspirados em nossas canções, fãs criaram seu próprio anime. Filmes, música, artes visuais, até design de veículos. Eu sei o que isso significa por conta dos artistas que me inspiraram também. O que mais me toca é o que se tornou uma base de fãs imensamente poderosa, apaixonada, que tem uma conexão genuína com a música — um lugar sagrado onde nos juntamos. ‘The Bitter Truth’ é para ser um presente a vocês, refletindo esperança a partir das batalhas que todos enfrentamos.

Eu quero que as pessoas terminem esse álbum sentindo esperança e empoderamento e força. Algo que me inspira muito na vida é quando as pessoas superam grandes obstáculos — sobreviventes. Eu espero que possamos levar em frente a ideia de que mesmo quando as coisas estão impossivelmente dolorosas, a vida vale a pena ser vivida. Se apoiar nesses momentos mais sombrios, mais desafiadores, enfrentá-los e descobrir que não estamos sozinhos neles, nos torna reais. Nos torna fortes o suficiente para enfrentá-los. E nos junta, se deixarmos, em uma apreciação mais profunda da luz… e da verdade. Obrigada pelas memórias. Agora vamos criar algumas novas.

 
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